segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Rm 2: O Evangelho julga além da aparência

O primeiro capítulo de Romanos traz a saudação de Paulo que, como vimos, já é carregada de informações importantes; um resumo sobre sua trajetória e desejo de visitar a igreja de Roma assim que possível; e faz um apanhado sobre a condição humana e a inclinação dos que não conhecem a Deus à prática do pecado.

Agora, no segundo capítulo, temos dois temas principais: o julgamento de Deus para os que vivem sob a lei, caso dos judeus, e para os gentios, que vivem sem lei. Paulo diz que o Senhor justamente julgará os dois casos com base no coração e na consciência de cada grupo, independente da forma como foram instruídos. E o segundo ponto é a relação do judeu com a lei e como essa relação deve existir mais verdadeiramente de forma interior do que exterior. A circuncisão do coração, diz o texto, é mais preciosa que a observação deste ritual orientado pela lei (2.29).

A relação entre Deus, os judeus e os gentios é um tema forte em Romanos. Paulo precisa esclarecer isso ao seu público, que tem a necessidade de entender bem que o privilégio judaico de ter primeiro recebido a revelação traz a responsabilidade de também serem os primeiros a serem julgados (1.6; 2.9-10; ver também Amós 3.2). Mathew Henry, comentarista bíblico, resume este capítulo dizendo que os temas centrais são: 1 - os judeus não podiam ser justificados mais pelas leis de Moisés do que os gentios pela lei da natureza; e 2 - os pecados dos judeus refutam toda a vã confiança em seus privilégios externos.

Assim, o argumento do Apóstolo caminha para a afirmação de que a verdadeira religião independe da lei ou da sua falta, mas consiste na situação do coração para com aquilo que o governa. Neste caso, o juiz será o próprio Senhor, que julgará os segredos de cada coração através de Jesus, segundo o Evangelho que Paulo está pregando (2.16).

Assim como os leitores originais de Paulo, devemos atentar para nossa prática religiosa invisível, ao invés da visível. Essa última se dá quando vamos à igreja, participamos de alguma programação dela, como uma ação social, um evangelismo, congresso, etc.. A primeira, a invisível e que deveria motivar e sustentar a visível, consiste naquilo que fazemos quando não somos vistos. Como se porta nosso coração diante do pecado que nos é oferecido diariamente; como nos portamos em nossos trabalhos, estudos e relacionamentos, se de acordo com a orientação que recebemos do Senhor ou de se de acordo com nossos próprio interesses. Por essa prática invisível, a que é do coração, seremos julgados pelo Senhor. Quando ele olhar para o que realmente somos, que encontre algo tão bom ou melhor do que aquilo que parecemos ser.

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