domingo, 23 de outubro de 2011

Rm 1.1-7: Uma breve exposição

Escrever sobre Romanos, digo novamente, é tarefa de muito temor e responsabilidade. Os primeiros sete versos da carta já dariam assunto pra mais de blog... Mas vou tentar expor os pontos principais e mostrar alguns princípios que aprendi com o rico texto.

Primeiramente, a identificação de Paulo já é uma lição. Ele se diz servo, primeiro, e apóstolo de Jesus Cristo. O termo que ele usa para servo é doulos, que quer dizer escravo, o servo mais simples que poderia haver em uma casa. Ele poderia ter usado diákonos, que também quer dizer servo, mas um de maior importância. Ele é escravo de Cristo, antes de ter a honra de ser apóstolo. Seu "cargo" no reino não é motivo de glória para ele, pois antes disso o Apóstolo é um simples escravo.

Ainda o primeiro verso diz que ele foi separado para o evangelho de Deus. F.F. Bruce, professor aposentado de Crítica e Exegese Bìblica da Universidade de Manchester, no Reino Unido e comentarista da Série Cultura Bíblica publicada pelas Edições Vida Nova, diz entender que Paulo fora posto à parte para o ministério apostólico e que toda a sua herança judaica, grega e romana foi como uma bagagem providenciada por Deus para o cumprimento de seu propósito em Paulo. O Apóstolo reconhece que todo o seu ser e qualidades estão à serviço do Evangelho, que é o cumprimento daquilo que os profetas falaram nas Escrituras (1.3).

No quarto verso, ele reconhece o que faz de Cristo o Filho de Deus. Jesus, o Deus encarnado, pelo Espírito Santo ressuscitou dos mortos e, ao contrário da fraqueza e simplicidade com a qual vivera sua vida terrena, agora é reconhecido como o Filho de Deus, Senhor de todos, assim feito por ter ressuscitado de entre os mortos, ter vencido a morte.

Por intermédio desse Cristo, o Filho de Deus, Paulo recebera a graça de Deus e a tarefa apostólica para pregar a obediência da fé entre os gentios (1.5), dos quais os romanos faziam parte (1.6). Não uma fé sem implicações, mas uma fé que demanda a obediência. Uma obediência diferente à da lei, que era impossível. Mas a obediência da fé que recebemos por meio da graça do próprio Deus.

Paulo destina a carta aos amados de Deus em Roma, lembrando-lhes de que eles foram chamados para a santidade, e sobre suas vidas Paulo ministra a graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. Os termos escolhidos por Paulo para esta saudação tão comum em seus textos trazem uma mensagem interessante. Os judeus se cumprimentavam dizendo: "Shalom", que significa paz. O gregos, por sua vez, se cumprimentavam dizendo "Chaire!", que significa "Alegra-te!". Paulo muda o termo grego para outro de pronúncia semelhante: "Charis", graça. Assim, une a saudação grega (gentílica) e a hebraica, exclusiva do judeu, em uma única expressão que transmite dois pilares da obra de Cristo. Com isso, o Apóstolo diz que gregos e gentios estão unidos em Deus por meio de Cristo.

A mensagem de Paulo aos Romanos é maravilhosa. Cada detalhe é recheado de conteúdo teológico vibrante e profundo e merece atenção especial de nossa parte. Percorramos este texto tão precioso juntos. Assim como aqui, nos primeiros sete versos já tiramos tantas lições valiosas, será possível fazê-lo por todo o livro. Que o Senhor fale conosco através de sua rica Palavra.

Nenhum comentário: