segunda-feira, 3 de outubro de 2011

At 4: Por que não somos como a igreja primitiva?

"Era um o coração e a alma dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. (...) Não havia entre eles necessitado algum. Pois todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a sua necessidade."
Atos 4. 32, 34-36

Se tivermos uma igreja ideal no Novo Testamento, esta é a de Atos. A igreja de Corinto era uma bagunça. Paulo não lhes escreveu duas grandes cartas sem motivo. A dos Gálatas, como a de Éfeso, tinha problemas doutrinários sérios, dentre outros. Mas o livro de Atos mostra o início de uma igreja que se mostra madura, dedicada e nos serve como referencial.

Já ouvi muitos perguntarem por que não somos como aquela igreja. O que há de diferente? Os tempos mudaram a ponto de aqueles sinais e maravilhas terem cessado? O que Deus tinha para aquela igreja, fora somente para ela? Alguns eventos tratam de exceções, por terem sido parte do primeiro momento da descida do Espírito Santo, por exemplo. Mas se não temos hoje o poder e os sinais que acompanharam aquele grupo de cristãos, certamente a responsabilidade é nossa e não do Senhor.

Um dos motivos de não sermos como a igreja de Atos é a falta de unidade. Os versos acima nos dão um esboço de como aquele grupo era unido, a ponto de considerarem suas posses, adquiridas com pesado trabalho, como a de todo indivíduo honesto, de todos. Tudo na vida daquela igreja estava à disposição do Senhor e do próximo necessitado. E hoje? Agimos da mesma forma?

Queremos viver isoladamente na nossa comunidade. Nosso convívio com os irmãos limita-se, muitas vezes, aos encontros na igreja e outros programas que não exigem um nível de comprometimento que nos incomode. Enquanto naquela igreja não havia necessitados, hoje não sabemos da necessidade do nosso próximo. Por que, se soubermos, não é certo que faremos algo. Pois, sabe-se lá o que mudou, mas agimos como se tudo o que possuímos fosse exclusividade nossa, e por direito.

Se queremos ser como aquela igreja-modelo, devemos começar a pensar como uma igreja de verdade. Como uma comunidade de irmãos que estão dispostos a entregar a sua própria vida em prol do outro. Sem cair no imaturo engano de pensar ser possível entregar-se totalmente a Cristo sem fazer o mesmo com o próximo, com o corpo de Cristo.

João, em sua primeira carta, conclui com excelência e peso nossa reflexão:

"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Quem tiver bens do mundo e, vendo o seu irmão necessitado, cerrar-lhe o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade."
I João 3.16-18

3 comentários:

Daniela Nogueira disse...

Ok, vou parar de enrolar e fazer meu primeiro comentário aqui.

Parabéns, por esse texto e pelo blog todo, estão excelentes!

Se não tomarmos como responsabilidade nossa "resgatar" essa igreja ela sempre ficará no passado. Cabe a cada um de nós essa atitude de mudança.

Bjim amigo!

Anônimo disse...

Olá pastor!tudo bem?
Como sempre amei esta devocional,e estamos realmente precisando de ser como as igrejas do passado.Ainda temos tempo para mudar este quadro de egocentrismo que entrou em nossas igrejas e em nós mesmo.Valeu,que Deus continue te abençoando.
Ana Cristina(conselheira)

Nivton Campos disse...

Olá, Dani e Ana!

Concordo com os acréscimos de vocês. E agradeço pelo carinho e presença (mesmo oculta, Dani) aqui no blog. Muito obrigado mesmo e que Deus abençoe vcs sempre, mesmo com os textos simples daqui.

Abração!