sexta-feira, 21 de outubro de 2011

At 21-28: Paulo e a novela sem final de Atos


Sempre tenho escrito aqui no blog sobre um capítulo por vez, muitas dessas vezes escolhendo apenas trechos pequenos de cada capítulo. Desta vez, porém, abro uma exceção e vou do vigésimo primeiro ao último capítulo de Atos; é quase impossível ler apenas um deles, sem ficar preso à história. Agora, mais do que em outros momentos, insisto que você leia esse texto bíblico para entender melhor o que escrevo.

Resumindo muito, Paulo recebeu uma profecia quando estava em Cesaréia, buscando chegar em Jerusalém para a festa dos pães asmos, que aconteceria em pouco tempo. Ágabo, profeta, disse que ele seria preso naquele lugar e entregue a autoridades não-judaicas. Os companheiros de Paulo entenderam que ele seria morto nessa ocasião, então queriam convencê-lo a não ir a Jerusalém. Determinado a sofrer o que fosse necessário para pregar o Evangelho, Paulo insiste e sobe à Jerusalém.

Exatamente como profetizado acontece e Paulo é espancado por judeus que o reconhecem quando estava no templo. Para salvá-lo da morte, as autoridades o prendem e posteriormente o interrogam. Os capítulos 22-26 cuidam de contar a trajetória de Paulo enquanto acusado pelos judeus. Ele apresenta defesas para o sinédrio (corpo de juízes judeus, uma espécie de corte independente do domínio romano; cap 23), para o Governador Félix (24), seu sucessor, Festo (25), dois anos depois (tempo em que continuou preso) e ainda para o Rei Agripa (26). As injustas perseguições que Paulo estava sofrendo levaram o Evangelho aos maiores daquela época.

Paulo ouvira do Senhor que deveria ter bom ânimo, pois assim como testemunhara em Jerusalém o faria em Roma (23.11). Portanto, em sua defesa a Festo, ainda que com chances de ser liberto ali, compra uma passagem cara: apela para César, pois assim seria de qualquer forma enviado a Roma. E é enviado, onde chega com muito custo. Seu navio naufraga, Paulo é picado por uma serpente e sobrevive e enfim alcança seu destino. Ali, com Paulo pregando os judeus a partir de sua prisão domiciliar, Lucas encerra o livro de Atos. Paulo ficou dois anos preso ali, quando foi liberto sem condenação. Passou alguns anos fora de Roma, quando regressou até lá, foi novamente preso e desta vez condenado. Paulo foi decapitado em meados da década de 60, mesma de sua primeira prisão na capital do Império.

Os últimos capítulos de Atos atestam até que ponto a devoção de Paulo chegava. Lembro-me do que Deus disse a Ananias, irmão que orou para que Paulo recuperasse a visão após seu encontro com o Senhor, a respeito do Apóstolo: "Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel. E eu lhe mostrarei o quanto deve padecer pelo meu nome".


Paulo aceitou seu duro chamado até o fim. Ele não hesitou em colocar-se diante da morte e do sofrimento. Não poucas vezes foi açoitado e esteve à beira da morte várias vezes. Falou com ousadia mesmo àqueles que o queriam morto. O livro de Atos termina ali, com a sua prisão. Mas o sentimento de responsabilidade pela continuidade do árduo trabalho de Paulo e de todos descritos ali e de que hoje temos conhecimento por outras fontes, permanece em nós. Os próximos capítulos desta história nos cabem.

Encerro este texto com lágrimas nos olhos. Que o Senhor nos permita sermos tão fiéis quanto ele espera. Que não hesitemos em momento algum obedecê-lo, como aprendemos com exemplos tão bons em sua palavra. Sejamos firmes e fiéis. No testemunho, na santidade, na devoção. Que consigamos escrever, na eternidade, o restante desse livro. Sua história, como vemos no último capítulo, não chegou ao fim!

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