quarta-feira, 19 de outubro de 2011

At 19 - Quando a religião é motivada pelo dinheiro


Paulo havia chegado em Éfeso e ali pregava o Evangelho. Era o início de sua terceira e maior viagem missionária e essa foi a cidade que ele mais investira tempo até ali. Sendo o seu ministério bem sucedido naquele lugar, acompanhado do ensino da Palavra de Deus e de muitos sinais, houve um alvoroço na cidade. Homens que tinham como profissão a fabricação de imagens da deusa Diana viram-se ameaçados pela pregação de Paulo.

Sua preocupação primeira era com o risco que a pregação do Evangelho oferecia à sua profissão de artífice. A partir dessa preocupação, muitos efésios começaram um tumulto, cultuando publicamente a deusa Diana, buscando reforçar-lhe o crédito e desfavorecer a mensagem que Paulo e os seus pregavam. Tomaram à força dois discípulos e os levaram a público, para os acusarem.

Tudo foi um grande tumulto. Efésios devotos de Diana saíram às ruas aos montes, mas o texto diz que a maioria deles não sabia a razão de estarem reunidos e que por isso cada um clamava de um jeito, de maneira que o ajuntamento parecia ser sem sentido (vs. 32). Tudo termina com uma declaração um tanto o quanto imparcial do escrivão da cidade, que recomenda que a questão contra Paulo e os discípulos fosse resolvida legalmente. Caso contrário, eles mesmos acabariam sendo pegos em erro, pois faziam um tumulto que não podia ser justificado. Com seu discurso o povo se dispersou.

Essa é a história de um episódio envolvendo pessoas que usavam a religião em benefício próprio, cujo lucro estava acima e motivava a prática religiosa. Infelizmente conhecemos muitos casos semelhantes hoje. Até pessoas que um dia foram cristãos sinceros e frutíferos acabaram caindo na sedução do dinheiro e vendendo sua fé ao lucro. É lamentável.

Nessa história do povo efésio, vemos um pouco do que acontece quando a religião não tem suas motivações corretas: uma bagunça só. Eles agiram de forma reprovável até para eles próprios! Violaram o direito de pessoas inocentes, tomando os discípulos à força; fizeram uma reunião na qual gritaram o nome da Deusa Diana por duas horas seguidas (34), mas não chegaram a lugar algum. Mesmo com todo o seu esforço, aquilo que começaram foi desbaratado por eles mesmos.

Quero tirar uma mensagem de ânimo e esperança desse texto. Quero crer que todo aquele que usa a religião para satisfazer às suas próprias ambições ou para qualquer outra motivação errada encontrará no meio do caminho confusão e falta de sentido, e será disperso. Quão frustrante é ver cultos em que o nome do Senhor é usado pragmaticamente para um fim reprovável. E que lamentável é ver a fé sincera de pessoas inocentes exploradas por alguém maquiavélico e inescrupuloso, que em algum momento da caminhada perdeu o temor de Deus - se é que um dia chegou a encontrá-lo.

A esses, pedra de tropeço para os que querem achar a verdadeira fé, guias cegos, pessoas que não entram e nem deixam que outros entrem no reino de Deus, lobos em pele de cordeiro, falsos profetas, homens que profetizam uma paz que não existe em seu meio, virá o juízo de Deus. Ouvirão no grande dia, quando tentarem dizer que fizeram milagres, promoveram curas e vitórias para o povo, expulsaram demônios e curaram doentes - e até foi transmitido pela TV, para comprovar, o que Jesus de antemão já disse: "Para longe de mim vós, que praticam a injustiça" (Mateus 7.23, numa tradução livre).

Com sede de justiça, espero que um dia vejamos esses movimentos desbaratados, como foi o de Éfeso. E que o Senhor seja glorificado nisso.

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