sexta-feira, 14 de outubro de 2011

At 15 - Mais alma e menos rito

Houve uma grande contenda doutrinária na igreja primitiva sobre a obrigação ou não da circuncisão dos gentios que aderiam ao Evangelho. Pensando que Deus havia primeiro se revelado aos judeus, estes entendiam que aquele que se convertesse devia passar primeiramente pelo ritual de introdução ao judaísmo, para depois chegar ao cristianismo. Essa possibilidade deu trabalho aos apóstolos...

Depois de muito discutirem e se reunirem no que os teólogos e historiadores consideram o primeiro concílio da igreja, o de Jerusalém, os apóstolos decidem não impor mais encargo algum aos irmãos (15.28), senão que se afastassem daquilo que era sacrificado aos ídolos, do sangue, da carne sufocada (de animal morto por estrangulamento, sem derramamento de sangue) e da prostituição.

Reparem no que esses mandamentos nos dizem teologicamente: devemos ter o Senhor como único Deus, nos afastando das coisas dos ídolos; respeitar e zelar pela vida, que o judeu entendia estar no sangue, não ingerindo sangue ou comendo a carne com ele; e zelar pela santificação e pela pureza, afastando-se da prostituição.

Em meio à controvérsia, nenhuma imposição ao povo de Deus era sem sentido. Os três mandamentos expostos neste texto refletem princípios já presentes na Palavra de Deus. O que é contrário à prática legalista que tentava ser imposta pelo grupo que gerou a discussão; ela não levava a lugar algum. No máximo, criaria um pensamento de merecimento ou não-merecimento da graça, por meio de um ritual que deveria ser cumprido. Isso não é bíblico.

No nosso contexto, quantos não fazem o mesmo, porém com rituais diferentes? Pensamos (e praticamos) que o culto só é válido se seguir um formato específico. É preciso ter a leitura de um texto, louvor, dízimos e ofertas, pregação, etc.. Tudo isso é muito válido, mas nem é um padrão bíblico. É funcional e convencional, e eu mesmo sou adepto do modelo, mas ele não está fechado aí. Certa vez, estávamos sem instrumentistas no culto. Então, fizemos um louvor falado: cada um declarava em voz alta as razões que tinha para louvar e adorar a Deus. Que bom foi!

Esse é um exemplo. Há ainda outros bem mais gritantes (até literalmente), como pensar que o Senhor só ouve as orações que são feitas de determinada forma; só aceita quem se veste desta ou daquela maneira; só abençoa quem faz deste ou daquele jeito. Besteira! O Senhor está interessado, como aprendemos com a conclusão dos apóstolos, que o glorifiquemos como Deus, valorizemos e preservemos a vida que ele nos deu e sejamos limpos e santos, como ele o é. Os rituais apenas exaltam uma falsa santidade, uma religiosidade aparente. Uma prática religiosa que envolva a alma e o coração certamente é o que agradará o Senhor.

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