sexta-feira, 7 de outubro de 2011

At 10 - Deus gosta de quebrar nossas regras

Atos 10 nos conta a história de Cornélio, homem temente a Deus, que com toda a sua casa exercia o temor e a piedade. Sendo homem de boa condição, ajudava a muitos do povo (10.1-2). Cornélio tem uma visão em que um anjo lhe diz para chamar a Pedro, pois ele o instruiria.

Paralelamente, Pedro também tem uma visão, inclusive uma visão bem desconcertante. Vale a pena você mesmo a ler, em At 10.9-22. Na visão, Pedro entende que deveria pregar o Evangelho a Cornélio, mesmo sendo ele não-judeu (10.28-29). O próprio Pedro diz ser inapropriado para um judeu sentar-se a comer com um estrangeiro, tamanha era a ponte de preconceito que os separava. O Apóstolo faz questão de dizer que está ali por obediência à ordem do Senhor.

Deus estava cumprindo com a humanidade aquilo que havia dito à Abraão centenas de anos atrás: que nele serão abençoadas todas as famílias da terra. Era difícil para um judeu, que pensava ter a exclusividade da salvação, pensar em pregar a palavra de Deus a um estrangeiro. Se havia um povo que não se misturava, era o judeu. Mas o Senhor não respeita seus preconceitos, e envia Pedro a pregar para Cornélio.

O Senhor não se prende aos nossos preconceitos e regras. Aliás, ele gosta do inesperado, entendo. Primeiro, Jesus se revela um homem simples, com uma mensagem que não atendia às expectativas de Israel, que esperava um Messias que os libertasse politicamente de Roma. Depois, chama um grupo de doze homens comuns, sem relevância até aquele momento, jovens, para andar com ele. O Mestre como com pecadores e pessoas de má fama. Conversa com mulheres e com prostitutas. Faz milagres nos dias de sábado, etc.. O Senhor quebrava (e quebra) muitos preconceitos e conceitos errados que aquele povo tinha (e que temos).

Agora, em Atos, vemos Pedro como o líder da igreja. O mesmo Pedro que negou a Jesus três vezes. Vemos Paulo, o maior carrasco dos cristãos, tornando-se o maior missionário e o maior autor do Novo Testamento. Vemos que os ricos têm sua arrogância exposta e reprovada pelo Senhor, enquanto que homens simples e sem recursos são os portadores da sua mensagem e dão continuidade à sua obra, fazendo milagres e pregando o Evangelho. E a partir do capítulo que lemos pregando também aos estrangeiros, que eram discriminados por Israel.

O Senhor é maior do que os nossos conceitos, preconceitos e até expectativas. Ele está além do que achamos ser certo, errado ou conveniente. Ele é soberano e sua mente está muito além da nossa. Ele faz o improvável e aprova o que achamos ser reprovável. Não se limita nem ao que entendemos ser o seu limite, ele é soberano e está além.

Por que isso tudo? Sinceramente não sei. Mas entendo que com isso somos levados a julgar menos e a ouvir mais a voz do único que tem propriedade autoridade para fazê-lo, o juiz de todo o universo. Que em sua soberania, joga nossos pensamentos no chão e de forma que não conseguimos discordar de sua razão. Graças a Deus por sua soberania e sabedoria.

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