segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Rm 6: A conversão começa na morte

Muitas são as vezes que vou escrever sobre algum texto e então me surpreendo com alguns princípios que passaram batidos nas leituras anteriores. Romanos 6 é um desses casos.

Paulo diz que todos os que foram batizados em Cristo foram batizados na sua morte (6.3). E que também, os batizados na morte de Cristo garantem que à semelhança da sua ressurreição, ressuscitarão (6.5). E o paralelo é muito interessante: uma vez mortos, não somos mais assolados pelo pecado, certo? Ou você já viu algum morto pecando? E, como morremos com Cristo, assim também ressuscitamos com ele, mas dessa vez sem que o pecado domine sobre nós (6.6-14).

Este texto tão simples e esclarecedor nos traz um ensinamento básico da fé cristã, mas aqui muito bem ilustrado: não é possível um cristão verdadeiro viver praticando o pecado, pois para ele é como se estivesse morto. João concorda com isso em sua primeira carta, com uma expressão também muito clara:

"Aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque a semente de Deus permanece nele; não pode continuar pecando, porque é nascido de Deus".
I Jo 3.9

Nossa vida deve ser revista com base nesse texto. Se temos servido ao pecado, deixando que ele domine sobre nós (6.12), pode ser que tenhamos que revisitar a cruz e termos certeza de que ficaremos pregados lá. Assim, estaremos prontos para viver para Deus, livres do pecado.

Reforma: a igreja evangélica precisa de uma?

Se eu tivesse uma única frase para responder à pergunta do título, diria que não e encerraria por aí mesmo. Mas que bom que há espaço para argumentar.

A Reforma Protestante do século XVI teve seu auge com Lutero e a fixação das 95 teses na Catedral de Wittenberg, que foi seguida da sua perseguição por parte da ICAR, da qual ele próprio fazia parte. A gota d'água para que a reforma acontecesse, depois de várias vozes de protesto já terem sido ouvidas, foi Lutero.. E a gota d'água para Lutero foi a prática das indulgências e a venda de artefatos tido como sagrados. Tal corrupção, somada à corrupção dos próprios clérigos da época, causou em Lutero um ardente desejo reformador.

Daí, olhamos para a igreja evangélica hoje e pensamos que ela tem voltado a erros do passado, corrompendo-se com a prática vergonhosa da arrecadação muitas vezes exploradora de dízimos e ofertas, também muitas vezes usados para financiar uma vida de luxo de determinados líderes e/ou projetos que têm maior objetivo de sustentar uma organização do que promover qualquer causa defendida pelo Evangelho como a justiça social, por exemplo. E isso tudo pode ser - e é - verdade. Mas e aí? Precisamos de uma reforma?

Eu continuo dizendo que não. Mas precisamos de novos Luteros. O maior reformador não se levantou contra a sua igreja, ele quis de fato reforma-la. Quando muitos pensam que a igreja precisa de uma reforma hoje, estão pensando em entrar nelas chutando tudo como Jesus fez com o templo (comentei isso aqui). Mas alguém está disposto a ser o reformador que Lutero foi?

A Reforma Protestante aconteceu porque um cristão verdadeiro entendeu por meio das Escrituras que as práticas de seu tempo estavam erradas. O que achamos que há de errado na igreja de hoje, o achamos com base em quê? Saberíamos argumentar biblicamente de forma coerente? Me pergunto se os que defendem mudanças radicais na igreja já foram radicalmente mudados, como Lutero. O devoto monge agostiniano passava horas por dia em oração. Chorava e clamava diariamente por misericórdia a Deus, por causa de seus pecados - sim, ele reconhecia seus próprios pecados.

Novamente: não precisamos de uma reforma. Precisamos de reformados e de reformadores. Que o Senhor nos ajude a dedicarmo-nos à sua Palavra, como Lutero o fez. A amar a igreja como ele amou e a ter o coração entregue que ele tinha. Assim conseguiremos reformar a nossa prática e a dos que estão ao nosso redor, se necessário.

Quanto à mudança na igreja enquanto instituição? Se comprarmos a causa de Cristo dentro dela (como Lutero fez e quis que assim tivesse funcionado) e nos dedicarmos a abençoá-la ao invés de apedrejá-la, a longo prazo veremos uma melhora. Mas é bom lembrarmos que só é possível virar o volante de um veículo se estivermos dentro dele.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Rm 5: Três consequências da nossa justificação

Nos capítulos 3 e 4, Paulo falou sobre a justificação pela fé e a exemplificou com a vida de Abraão. Agora, no capítulo 5, ele trata de dois pontos: primeiro, fala sobre a nova vida em Cristo. Agora, justificados pela fé em Deus, temos algumas consequências na nossa vida; as veremos aqui. E em segundo lugar, ele faz um paralelo bem fácil de entender entre o papel de Adão no pecado da humanidade e o de Cristo em sua redenção. Atente lá para os versos 12-21 deste capítulo. Mas leia mesmo!

Nos primeiros versos, então, de 1-11, vemos o que ocorre com quem começa a caminhar com Cristo. Em primeiro lugar, a justificação nos traz paz com Deus - agora, ao olhar para nós ele não vê nossos pecados, mas vê o seu Filho. Portanto, podemos nos relacionar com ele, ter com ele intimidade a amizade, certos de que nada é capaz de separar-nos dele (Rm 8 vai falar mais sobre isso). Podemos entrar em sua presença tranquilamente, pois fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo. Glória a Deus por isso!

Em segundo lugar, meio que infelizmente, nos aguardam tribulações - versos 3-4. Interessante (e confrontador) que as pessoas daquela época sabiam que, caso se tornassem cristãs, o sofrimento por causa do Evangelho fazia parte do pacote. O cristianismo era perseguido pelos políticos, pelos judeus, pelo povo romano, em determinado momento. Isso por que a mensagem de Jesus não era uma fórmula para se adquirir qualquer coisa que se queira, mas eram boas novas genuínas de salvação e tinham relevância contra o sistema da época. O Evangelho de Jesus ao qual os Apóstolos deram continuidade não se conformava com o seu tempo, mas se manifestava contra ele. Já em muitos lugares hoje... Então, tribulações fazem parte da caminhada verdadeira no Evangelho, não se deixe enganar.

E por último, as tribulações gerarão em nós uma esperança alimentada e certificada pelo Espírito Santo. Nasce em nós a esperança certa da vida eterna e, como diz o texto, uma esperança sem confusão, por causa do Espírito Santo que habita em nós (5.5). O texto diz que Jesus morreu por nós sendo nós ainda pecadores. Como, então, não nos livraria Deus no dia da sua ira?

E sobre este último, pensemos no que quer dizer esperança, um tanto o quanto literalmente. O termo traz a ideia de se aguardar algo por acontecer; ter expectativa. Nossa fé está sobre duas bases principais: Jesus morreu por nós e nos livrará do dia da ira, conduzindo-nos justificados à vida eterna. Então, temos por base fatos que exigem de nós duas coisas: fé e esperança. Uma fé sem esperança é manca. A fé no sacrifício de Cristo que não espera pela sua volta não entendeu alguma coisa: ou está mal esclarecida ou mal formada. Se agirmos como Cristo, não nos moldando de acordo com o presente sistema gerido pelo pecado e fizermos como Paulo orienta em Rm mesmo, renovando a nossa mente para experimentarmos a vontade de Deus (Rm 12.1), a esperança estará presente em nós. Se entendermos como este mundo está podre e como não temos lugar nele para viver uma vida com Deus, esperaremos seu retorno.

Só para não perder a oportunidade, lembremo-nos que um dos principais problemas da teologia da prosperidade é matar a esperança da eternidade. Se temos aqui tudo o que queremos, para que esperaremos algo maior? Ela transforma o nosso estado transitório em definitivo, além de motivar em nós apego ao que deveríamos desprezar: o fortalecimento da cultura do acúmulo e a ganância, muitas vezes.

"Sendo, pois, justificados pela fé" (5.1), abracemos genuinamente o que nos está proposto daí por diante.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Rm 4: Justificação pela fé II - a graça clara

O autor de Romanos começa a falar sobre a justificação pela fé no capítulo 3, e usa todo o quarto capítulo para exemplificar o conceito que ele acabou de introduzir no capítulo anterior. Para isso, ele usa o exemplo de Abraão, que tem muito mesmo a nos dizer.

Há um conceito polêmico no texto de Paulo aos Romanos, mas que é muito coerente e merece uma análise cada vez mais cuidadosa de nossa parte: a soberania de Deus. Veremos isso com mais cuidado nos capítulos seguintes, principalmente no nove, mas já aqui começamos a entender um pouco sobre isso.

Paulo explica em 4.4.-12 como a justiça divina alcançou Abraão quando ele ainda estava na incircuncisão, ou seja, quando não havia nada nele que fosse de acordo com a vontade de Deus. Usa também uma fala de Davi para exemplificar, que diz que o homem a quem Deus não imputa o pecado é bem aventurado. Assim foi com Abraão: certamente pecador, fora da circuncisão, e sua fé lhe é imputada como justiça. Não por ele ter feito absolutamente nada, mas por Deus tê-lo escolhido e resolvido revelar-lhe seu nome e sua graça.

No último capítulo e no último texto vimos um paralelo entre a justiça de Deus e a nossa própria justiça. Entendemos que a de Deus é baseada na justiça de Cristo, que cumpriu toda a lei em nosso lugar e ainda morreu como um pecador, injustamente, para que fôssemos justificados por sua morte. Já a nossa justiça, é totalmente inválida e desprezível, pois não consegue ser de fato justa, uma vez que não somos capazes de cumprir a lei que nos condena.

Aqui, Paulo está reforçando este argumento e dizendo que a justiça divina que alcançou Abraão por meio da graça também nos alcança. O que aconteceu com Abraão no tempo da lei, de ser justificado pela fé naquele que é poderoso para fazer isso, é o que acontece hoje conosco, porém de forma completa em Cristo. O último verso do capítulo 4 resume todo o evangelho e sela essa mensgem: "Ele foi entregue pelos nossos pecados, e ressurgiu para a nossa justificação".

Quando entendemos verdadeiramente que fomos justificados sem que merecêssemos tal dádiva; que Jesus morreu por nós sem precisar fazê-lo, mas o fez por amor, misericórdia e graça, somos levados a uma fé mais genuína e entregue. Se pensarmos que somos parte determinante da obra de Cristo em nós, estamos tirando-lhe o mérito por seu sacrifício. Se reconhecemos que somos injustos, vistos como justos apenas por crer naquele que nos justificou por meio de sua entrega; que somos justos apenas por crer naquele que justifica o ímpio, Deus através de Cristo, damos a ele a devida glória e mérito, e construímos certo a nossa fé.

Ele fez tudo por nós. Cientes disso, somos levados a nos entregarmos ainda mais a ele, por gratidão. Mais uma vez, encerramos esta reflexão levados a agradecer a Deus por Jesus Cristo. Pois somente através dele temos acesso ao Pai. Somente por causa dele, o pai olha para nós e vê algo de bom, que é a justiça de seu próprio filho imputada a nós. Graças a Deus por isso!

Soli Deo Glória!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rm 3: Justificação pela fé; a doutrina que motivou Lutero

Rm 1.17 diz, citando o profeta Habacuque, que o justo viverá pela fé. Lutero, pai da Reforma Protestante, diz que este texto lhe era mais um problema que qualquer outra coisa. Ele entendia a justiça divina como o processo pelo qual Deus pune o ímpio e recompensa o justo, e nada mais.

Um dia, em sua leitura de Romanos para lecionar sobre este livro em suas aulas de Teologia, Lutero diz entender que a justificação pela fé consiste no processo de pura graça e misericórdia de Deus, através do qual ele imputa justiça ao pecador por meio de Cristo, que morreu por nós sendo justo, e nós pecadores.

O texto acima e este entendimento mudaram a vida de Lutero, juntos formaram uma base da Teologia Reformada. O termo sola fide, um dos cinco solas Reforma, vem daí; significa somente a fé (justifica). Ao compreender isso, a vida de Lutero mudou. Vejam um recorte de uma fala sua:

"Toda a Escritura ganhou novo significado e, ao passo que antes 'a justiça de Deus' me enchia de ódio, agora se me tornava indizivelmente bela e me enchia de maior amor. Esta passagem veio a ser para mim uma porta para o céu."


O capítulo 3 de Romanos começa a aprofundar este tema, dizendo que todos nós pecamos e estamos distantes da glória de Deus (3.10-18; 23). E de modo que não poderíamos quebrar a barreira que há entre ele e nós por causa dos nossos pecados. Então, entra a justiça de Deus. O verso 3.24 diz que somos justificados gratuitamente pela sua graça. Não merecemos isso, mas Deus é suficientemente gracioso para nos tornar justos, através da justiça de Cristo.

Os versos 3.21-22 dizem que Cristo é a justiça de Deus manifestada para a justificação de todos os que creem. E Paulo faz questão de deixar claro que ninguém é justificado pelos próprios feitos, mas única e exclusivamente por meio de Cristo e de sua justiça (3.20-24; 28). Lembro-me de Isaías, que diz:

"Todos nós somos como o imundo, e todos os nossos atos de justiça como trapos de imundícia; todos nós caímos como a folha, e os nossos pecados como um vento nos arrebatam".


A nossa justiça própria diante de Deus é como os trapos do qual falou o profeta. Trapos de imundícia eram os panos usados no curativo do leproso. Somos tão cheios de pecados, que se dissermos que nossa justiça vale alguma coisa, ela é vista por Deus dessa forma.

Ainda assim, há quem se glorie por ser mais santos que outros. Há quem bata no peito para dizer "nunca cometi tal pecado", considerando-se melhor que alguém. A lei do Senhor, também tema central de Paulo em Romanos, não pode ser apenas parcialmente obedecida ou não. Se disséssemos que cumprimos a lei, deveria ser sobre toda ela; caso contrário, somos transgressores como todos. E o somos.

Portanto, devemos dar graças a Deus pela justiça perfeita e bondosa de Cristo, aceitarmos nossa condição de pecador e nos alegrarmos com a salvação que recebemos. Sem julgar ninguém, pois todos somos alvos da mesma justiça divina e estamos debaixo da mesma condenação da lei. Graças a Deus por Jesus Cristo!

Sola Fide!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Rm 2: O Evangelho julga além da aparência

O primeiro capítulo de Romanos traz a saudação de Paulo que, como vimos, já é carregada de informações importantes; um resumo sobre sua trajetória e desejo de visitar a igreja de Roma assim que possível; e faz um apanhado sobre a condição humana e a inclinação dos que não conhecem a Deus à prática do pecado.

Agora, no segundo capítulo, temos dois temas principais: o julgamento de Deus para os que vivem sob a lei, caso dos judeus, e para os gentios, que vivem sem lei. Paulo diz que o Senhor justamente julgará os dois casos com base no coração e na consciência de cada grupo, independente da forma como foram instruídos. E o segundo ponto é a relação do judeu com a lei e como essa relação deve existir mais verdadeiramente de forma interior do que exterior. A circuncisão do coração, diz o texto, é mais preciosa que a observação deste ritual orientado pela lei (2.29).

A relação entre Deus, os judeus e os gentios é um tema forte em Romanos. Paulo precisa esclarecer isso ao seu público, que tem a necessidade de entender bem que o privilégio judaico de ter primeiro recebido a revelação traz a responsabilidade de também serem os primeiros a serem julgados (1.6; 2.9-10; ver também Amós 3.2). Mathew Henry, comentarista bíblico, resume este capítulo dizendo que os temas centrais são: 1 - os judeus não podiam ser justificados mais pelas leis de Moisés do que os gentios pela lei da natureza; e 2 - os pecados dos judeus refutam toda a vã confiança em seus privilégios externos.

Assim, o argumento do Apóstolo caminha para a afirmação de que a verdadeira religião independe da lei ou da sua falta, mas consiste na situação do coração para com aquilo que o governa. Neste caso, o juiz será o próprio Senhor, que julgará os segredos de cada coração através de Jesus, segundo o Evangelho que Paulo está pregando (2.16).

Assim como os leitores originais de Paulo, devemos atentar para nossa prática religiosa invisível, ao invés da visível. Essa última se dá quando vamos à igreja, participamos de alguma programação dela, como uma ação social, um evangelismo, congresso, etc.. A primeira, a invisível e que deveria motivar e sustentar a visível, consiste naquilo que fazemos quando não somos vistos. Como se porta nosso coração diante do pecado que nos é oferecido diariamente; como nos portamos em nossos trabalhos, estudos e relacionamentos, se de acordo com a orientação que recebemos do Senhor ou de se de acordo com nossos próprio interesses. Por essa prática invisível, a que é do coração, seremos julgados pelo Senhor. Quando ele olhar para o que realmente somos, que encontre algo tão bom ou melhor do que aquilo que parecemos ser.

domingo, 23 de outubro de 2011

Rm 1.1-7: Uma breve exposição

Escrever sobre Romanos, digo novamente, é tarefa de muito temor e responsabilidade. Os primeiros sete versos da carta já dariam assunto pra mais de blog... Mas vou tentar expor os pontos principais e mostrar alguns princípios que aprendi com o rico texto.

Primeiramente, a identificação de Paulo já é uma lição. Ele se diz servo, primeiro, e apóstolo de Jesus Cristo. O termo que ele usa para servo é doulos, que quer dizer escravo, o servo mais simples que poderia haver em uma casa. Ele poderia ter usado diákonos, que também quer dizer servo, mas um de maior importância. Ele é escravo de Cristo, antes de ter a honra de ser apóstolo. Seu "cargo" no reino não é motivo de glória para ele, pois antes disso o Apóstolo é um simples escravo.

Ainda o primeiro verso diz que ele foi separado para o evangelho de Deus. F.F. Bruce, professor aposentado de Crítica e Exegese Bìblica da Universidade de Manchester, no Reino Unido e comentarista da Série Cultura Bíblica publicada pelas Edições Vida Nova, diz entender que Paulo fora posto à parte para o ministério apostólico e que toda a sua herança judaica, grega e romana foi como uma bagagem providenciada por Deus para o cumprimento de seu propósito em Paulo. O Apóstolo reconhece que todo o seu ser e qualidades estão à serviço do Evangelho, que é o cumprimento daquilo que os profetas falaram nas Escrituras (1.3).

No quarto verso, ele reconhece o que faz de Cristo o Filho de Deus. Jesus, o Deus encarnado, pelo Espírito Santo ressuscitou dos mortos e, ao contrário da fraqueza e simplicidade com a qual vivera sua vida terrena, agora é reconhecido como o Filho de Deus, Senhor de todos, assim feito por ter ressuscitado de entre os mortos, ter vencido a morte.

Por intermédio desse Cristo, o Filho de Deus, Paulo recebera a graça de Deus e a tarefa apostólica para pregar a obediência da fé entre os gentios (1.5), dos quais os romanos faziam parte (1.6). Não uma fé sem implicações, mas uma fé que demanda a obediência. Uma obediência diferente à da lei, que era impossível. Mas a obediência da fé que recebemos por meio da graça do próprio Deus.

Paulo destina a carta aos amados de Deus em Roma, lembrando-lhes de que eles foram chamados para a santidade, e sobre suas vidas Paulo ministra a graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. Os termos escolhidos por Paulo para esta saudação tão comum em seus textos trazem uma mensagem interessante. Os judeus se cumprimentavam dizendo: "Shalom", que significa paz. O gregos, por sua vez, se cumprimentavam dizendo "Chaire!", que significa "Alegra-te!". Paulo muda o termo grego para outro de pronúncia semelhante: "Charis", graça. Assim, une a saudação grega (gentílica) e a hebraica, exclusiva do judeu, em uma única expressão que transmite dois pilares da obra de Cristo. Com isso, o Apóstolo diz que gregos e gentios estão unidos em Deus por meio de Cristo.

A mensagem de Paulo aos Romanos é maravilhosa. Cada detalhe é recheado de conteúdo teológico vibrante e profundo e merece atenção especial de nossa parte. Percorramos este texto tão precioso juntos. Assim como aqui, nos primeiros sete versos já tiramos tantas lições valiosas, será possível fazê-lo por todo o livro. Que o Senhor fale conosco através de sua rica Palavra.

sábado, 22 de outubro de 2011

Paulo aos Romanos: a carta mais importante da história

Começo hoje a ler e a escrever sobre a carta de Paulo aos Romanos. E que desafio é este! Homens importantes no meio cristão escreveram sobre esta carta, que é considerada a mais importante e teologicamente profunda do Novo Testamento. Antes de entrarmos no texto, algumas informações já nos são relevantemente preciosas e as veremos primeiro.

Paulo escreveu esta carta em sua terceira viagem missionária, quando estava em Corinto. O texto de At 18.23 a 21.14, especificamente o capítulo 20, fala deste período na caminhada de Paulo e de quando esteve na Cidade que serviu de berço para carta.

O Apóstolo não conhecia a igreja em Roma. Não se sabe quem a havia fundado, apenas especula-se que os romanos presentes no dia do Pentecostes podem ter sido os primeiros a levarem o Evangelho à cidade. Ainda assim, Paulo os escreve. Ele tem a intenção de visitá-los quando estiver de passagem a caminho da Espanha, lugar que pretende evangelizar. Tal viagem e visita nunca aconteceram. Paulo só visitou Roma quando preso, cumprindo ali dois anos de prisão domiciliar.

Paulo escrevendo para um povo que ele não conhecia e cuja comunidade cristã havia sido fundada por alguém que dificilmente tenha sido um apóstolo. Romanos, cidadãos nascidos na centro do Império que dominou as principais nações em sua época, inclusive a de Paulo. O Apóstolo ter escrito a este público demonstra sua preocupação exclusiva e genuína com o evangelho verdadeiro. Ele não escrevia apenas para as igrejas que ele tinha cuidado ou para as que dali tiraria algum benefício. Paulo escrevia com o objetivo simples de doutrinar para uma prática cristã correta.

Fosse no nosso tempo, possivelmente as igrejas de Paulos seriam identificadas pela placa (ridícula) "Ministério Paulo de Tarso", ou "Ministério de Tiago, o irmão do Senhor", etc.; e com elas ele se preocuparia. Mas a unidade e a falta de pretensões puras eram características do ministério de Paulo. Seus escritos aos Romanos nortearam não só a prática deles, mas a de todo o mundo cristão desde então. Uma carta a desconhecidos, escrita com tal excelência e preocupação que mudou o mundo.

Uma carta que revela pretensões e desejos do maior dos Apóstolos que não foram realizados; a expectativa que ele demonstra no primeiro capítulo da carta foi frustrada (1.11-13), mas ainda assim foi uma carta que mudou o mundo.

As motivações de Paulo e o impacto que esta carta causou (e causa) já são exemplos e servem de pano de fundo para termos uma elevada expectativa sobre sua leitura. Pela primeira ou pela enésima vez, leiamos juntos este livro. Amanhã começo os devocionais sobre ela. Hoje, a estudo um pouco mais. Nos aventuremos por onde John Stott, Sir Martin Lloyd Jones, Karl Barth, Calvino e tantos outros cristãos de destaque histórico já passaram. Com muito temor, comecemos essa leitura e reflexão. E que o Senhor nos guie!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

At 21-28: Paulo e a novela sem final de Atos


Sempre tenho escrito aqui no blog sobre um capítulo por vez, muitas dessas vezes escolhendo apenas trechos pequenos de cada capítulo. Desta vez, porém, abro uma exceção e vou do vigésimo primeiro ao último capítulo de Atos; é quase impossível ler apenas um deles, sem ficar preso à história. Agora, mais do que em outros momentos, insisto que você leia esse texto bíblico para entender melhor o que escrevo.

Resumindo muito, Paulo recebeu uma profecia quando estava em Cesaréia, buscando chegar em Jerusalém para a festa dos pães asmos, que aconteceria em pouco tempo. Ágabo, profeta, disse que ele seria preso naquele lugar e entregue a autoridades não-judaicas. Os companheiros de Paulo entenderam que ele seria morto nessa ocasião, então queriam convencê-lo a não ir a Jerusalém. Determinado a sofrer o que fosse necessário para pregar o Evangelho, Paulo insiste e sobe à Jerusalém.

Exatamente como profetizado acontece e Paulo é espancado por judeus que o reconhecem quando estava no templo. Para salvá-lo da morte, as autoridades o prendem e posteriormente o interrogam. Os capítulos 22-26 cuidam de contar a trajetória de Paulo enquanto acusado pelos judeus. Ele apresenta defesas para o sinédrio (corpo de juízes judeus, uma espécie de corte independente do domínio romano; cap 23), para o Governador Félix (24), seu sucessor, Festo (25), dois anos depois (tempo em que continuou preso) e ainda para o Rei Agripa (26). As injustas perseguições que Paulo estava sofrendo levaram o Evangelho aos maiores daquela época.

Paulo ouvira do Senhor que deveria ter bom ânimo, pois assim como testemunhara em Jerusalém o faria em Roma (23.11). Portanto, em sua defesa a Festo, ainda que com chances de ser liberto ali, compra uma passagem cara: apela para César, pois assim seria de qualquer forma enviado a Roma. E é enviado, onde chega com muito custo. Seu navio naufraga, Paulo é picado por uma serpente e sobrevive e enfim alcança seu destino. Ali, com Paulo pregando os judeus a partir de sua prisão domiciliar, Lucas encerra o livro de Atos. Paulo ficou dois anos preso ali, quando foi liberto sem condenação. Passou alguns anos fora de Roma, quando regressou até lá, foi novamente preso e desta vez condenado. Paulo foi decapitado em meados da década de 60, mesma de sua primeira prisão na capital do Império.

Os últimos capítulos de Atos atestam até que ponto a devoção de Paulo chegava. Lembro-me do que Deus disse a Ananias, irmão que orou para que Paulo recuperasse a visão após seu encontro com o Senhor, a respeito do Apóstolo: "Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel. E eu lhe mostrarei o quanto deve padecer pelo meu nome".


Paulo aceitou seu duro chamado até o fim. Ele não hesitou em colocar-se diante da morte e do sofrimento. Não poucas vezes foi açoitado e esteve à beira da morte várias vezes. Falou com ousadia mesmo àqueles que o queriam morto. O livro de Atos termina ali, com a sua prisão. Mas o sentimento de responsabilidade pela continuidade do árduo trabalho de Paulo e de todos descritos ali e de que hoje temos conhecimento por outras fontes, permanece em nós. Os próximos capítulos desta história nos cabem.

Encerro este texto com lágrimas nos olhos. Que o Senhor nos permita sermos tão fiéis quanto ele espera. Que não hesitemos em momento algum obedecê-lo, como aprendemos com exemplos tão bons em sua palavra. Sejamos firmes e fiéis. No testemunho, na santidade, na devoção. Que consigamos escrever, na eternidade, o restante desse livro. Sua história, como vemos no último capítulo, não chegou ao fim!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

At 20 - Como ter o mesmo poder dos Apóstolos?

O que muito me chama a atenção na vida dos Apóstolos e dos discípulos que vemos em Atos é a dedicação integral deles ao Evangelho. Com isso não quero dizer a dedicação de tempo integral, que pede que se abra mão do trabalho remunerado comum, mas a dedicação integral de vida e esforço. Por que, como vemos no próprio livro de Atos e inclusive em 20.34, Paulo trabalhava normalmente para garantir o seu sustento enquanto pregava o Evangelho.

Neste capítulo o Apóstolo dos gentios está em Éfeso com a intenção de ir até Jerusalém. Ele faz um discurso aos anciãos e líderes da igreja de Éfeso que muito os entristece, pois lhes diz que eles não voltariam a vê-lo pessoalmente. Ele não sabe se sua morte ocorrerá em Jerusalém, mas este risco não é problema para Paulo. Como diz 20.23-24, o Espírito Santo sempre confirmava a Paulo que de cidade em cidade ele sofreria perseguições e em Jerusalém não seria diferente. Paulo diz que sua vida não é mais preciosa que o testemunho de Cristo que ele precisa dar.

Imagino que muitos de nós já olhamos para a igreja de Atos e para os Apóstolos/discípulos e oramos a Deus para que tivéssemos em nossas vidas os mesmos sinais que os acompanhavam. Já pedimos a Deus que nos desse a autoridade e unção de Pedro para pregar o Evangelho, por exemplo. Dois de seus discursos em Atos agregaram á igreja oito mil pessoas. Ou ainda o poder que acompanhava Estevão e Filipe, que pregavam de forma que ninguém podia lhes resistir. A autoridade de Paulo, que o levou a pregar a pessoas de grande importância naquela época.

Todo o poder, autoridade e unção que acompanhavam os discípulos está ainda disponível para nós, pois é o poder do Espírito Santo que nos foi prometido. Podemos fazer o que eles fizeram, aliás, podemos fazer obras maiores até que as de Jesus, como ele mesmo disse. Porém, se olharmos para a vida e dedicação dos irmãos da igreja primitiva, como disse no primeiro parágrafo que muito me chamam a atenção, e a compararmos com a nossa, o que veremos?

Vemos que nada que os Apóstolos tentavam fazer para o Senhor era frustrado. Não há registro de uma oração por um enfermo que não tenha resultado em cura. Não há uma pregação que não tenha gerado conversões ou impactado de forma a gerar um movimento ou tumulto que, depois, produzia frutos. Qual a diferença deles para nós? Há alguma?

Retomo novamente o primeiro parágrafo: eles se dedicavam de forma integral ao Senhor. Não havia para eles outra prioridade que não a pregação do Evangelho. Valia mais do que sua própria vida, como nos testemunha o fato de todos os Apóstolos terem morrido assassinados como mártires em prol do Evangelho, com exceção de João, que morreu de morte natural numa prisão (puxa, que diferença!).

É muita incoerência de nossa parte, se pedimos ao Senhor o poder do Espírito Santo na mesma proporção que vemos no Novo Testamento, mas a nossa dedicação ao Senhor se limita aos cultos de fim-de-semana ou a uma oração antes das refeições e na hora de dormir. Como Paulo, podemos nos dedicar ao Senhor no nosso trabalho, pregando o Evangelho aos que ali estão. Podemos usar nossa sala de aula para testemunhar de Jesus e ainda nos dedicarmos a servir aos irmãos na igreja. Uma dedicação integral ao Evangelho é viável para aquele que quer fazê-lo. E para isso não precisamos abandonar trabalho, estudos, etc.. Apenas dispor o coração integralmente.

Que nos dediquemos ao Senhor na proporção da grandeza do que ele fez em nós. Assim, ele terá o nosso máximo. Em contrapartida, podemos reivindicar a promessa de Deus do poder do Espírito Santo para testemunharmos o Evangelho.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

At 19 - Quando a religião é motivada pelo dinheiro


Paulo havia chegado em Éfeso e ali pregava o Evangelho. Era o início de sua terceira e maior viagem missionária e essa foi a cidade que ele mais investira tempo até ali. Sendo o seu ministério bem sucedido naquele lugar, acompanhado do ensino da Palavra de Deus e de muitos sinais, houve um alvoroço na cidade. Homens que tinham como profissão a fabricação de imagens da deusa Diana viram-se ameaçados pela pregação de Paulo.

Sua preocupação primeira era com o risco que a pregação do Evangelho oferecia à sua profissão de artífice. A partir dessa preocupação, muitos efésios começaram um tumulto, cultuando publicamente a deusa Diana, buscando reforçar-lhe o crédito e desfavorecer a mensagem que Paulo e os seus pregavam. Tomaram à força dois discípulos e os levaram a público, para os acusarem.

Tudo foi um grande tumulto. Efésios devotos de Diana saíram às ruas aos montes, mas o texto diz que a maioria deles não sabia a razão de estarem reunidos e que por isso cada um clamava de um jeito, de maneira que o ajuntamento parecia ser sem sentido (vs. 32). Tudo termina com uma declaração um tanto o quanto imparcial do escrivão da cidade, que recomenda que a questão contra Paulo e os discípulos fosse resolvida legalmente. Caso contrário, eles mesmos acabariam sendo pegos em erro, pois faziam um tumulto que não podia ser justificado. Com seu discurso o povo se dispersou.

Essa é a história de um episódio envolvendo pessoas que usavam a religião em benefício próprio, cujo lucro estava acima e motivava a prática religiosa. Infelizmente conhecemos muitos casos semelhantes hoje. Até pessoas que um dia foram cristãos sinceros e frutíferos acabaram caindo na sedução do dinheiro e vendendo sua fé ao lucro. É lamentável.

Nessa história do povo efésio, vemos um pouco do que acontece quando a religião não tem suas motivações corretas: uma bagunça só. Eles agiram de forma reprovável até para eles próprios! Violaram o direito de pessoas inocentes, tomando os discípulos à força; fizeram uma reunião na qual gritaram o nome da Deusa Diana por duas horas seguidas (34), mas não chegaram a lugar algum. Mesmo com todo o seu esforço, aquilo que começaram foi desbaratado por eles mesmos.

Quero tirar uma mensagem de ânimo e esperança desse texto. Quero crer que todo aquele que usa a religião para satisfazer às suas próprias ambições ou para qualquer outra motivação errada encontrará no meio do caminho confusão e falta de sentido, e será disperso. Quão frustrante é ver cultos em que o nome do Senhor é usado pragmaticamente para um fim reprovável. E que lamentável é ver a fé sincera de pessoas inocentes exploradas por alguém maquiavélico e inescrupuloso, que em algum momento da caminhada perdeu o temor de Deus - se é que um dia chegou a encontrá-lo.

A esses, pedra de tropeço para os que querem achar a verdadeira fé, guias cegos, pessoas que não entram e nem deixam que outros entrem no reino de Deus, lobos em pele de cordeiro, falsos profetas, homens que profetizam uma paz que não existe em seu meio, virá o juízo de Deus. Ouvirão no grande dia, quando tentarem dizer que fizeram milagres, promoveram curas e vitórias para o povo, expulsaram demônios e curaram doentes - e até foi transmitido pela TV, para comprovar, o que Jesus de antemão já disse: "Para longe de mim vós, que praticam a injustiça" (Mateus 7.23, numa tradução livre).

Com sede de justiça, espero que um dia vejamos esses movimentos desbaratados, como foi o de Éfeso. E que o Senhor seja glorificado nisso.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

At 18 - O centro de todo ministério

"Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas concernentes a Jesus, conhecendo, porém, somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áquila, levaram-no consigo, e lhe declararam com mais precisão o caminho de Deus. (...) Com grande veemência [Apolo] refutava publicamente os judeus, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo".
Atos 18.24-26; 28

Apolo é um discípulo que aparece no final da segunda viagem missionária de Paulo, quando ele havia passado um tempo em Éfeso, cidade de uma igreja que Paulo fundou e que Timóteo, para quem ele escreve duas cartas do Novo Testamento, era pastor. Tudo o que o texto de Atos tem a nos dizer sobre Apolo está no texto acima: era um homem muito conhecedor das Escrituras, que passou a conhecer melhor ao Senhor quando encontrou-se com Priscila e Áquila. Possivelmente, ele foi batizado pelo Espírito Santo durante o período em que aprendeu com aqueles dois.

Apolo é um exemplo do que deve ser o centro de qualquer ministério: a Palavra de Deus. O texto diz que Apolo era poderoso nas Escrituras e que através delas, mesmo ainda sem ter conhecido profundamente o Senhor, ele provava aos judeus que Jesus era o Cristo. A Bíblia é viva, toda ela revela a Jesus como o Messias. Apolo havia entendido isso e pôs-se a pregar com muita dedicação.

Se nos lembrarmos do restante do livro de Atos, veremos que todos os ministérios dos apóstolos e de outros discípulos consistiam em ensinar a Palavra de Deus ou em suportar tal tarefa, como era o caso dos diáconos instituídos em At 6. A primeira coisa que Pedro fez ao sair da casa onde ocorreu o derramamento do Espírito Santo, em Atos 2, foi pregar a Palavra. Mostrou no Antigo Testamento como o Senhor havia prometido o Espirito Santo para aqueles dias e como isso cumpria através de Jesus. Estevão, antes de ser apedrejado até a morte, fez uma exposição do Antigo Testamento provando como os judeus perseguiram os profetas até aquele momento e que ali também perseguiam o próprio Filho de Deus, Jesus.

No capítulo que tratamos aqui, também vemos o texto nos dizer que Paulo ficou um ano e sete meses em Corinto ensinando a Palavra de Deus. O ensino das Escrituras, no discipulado ou na pregação para o não-cristão, deve ser o foco de toda atividade exercida na igreja. Podemos ter o que muitos gostam de chamar de ministério (não consigo crer que toda atividade desenvolvida na igreja deva ser chamada assim) de qualquer área, desde que seu propósito seja anunciar e ensinar a Palavra de Deus ou colaborar para tal. Caso contrário, perdemos nosso tempo e foco.

O seu talento é para a dança? Faça-o anunciando e ensinando a Palavra de Deus. Música, teatro, escrita, oratória, ensino, etc.; que com tudo anunciemos a Palavra de Deus. Não é opção haver em um ministério o discipulado e este ser feito com o ensino das Escrituras. Que o Senhor nos ajude e que  busquemos seguir o exemplo dado na própria Bíblia a esse respeito. Assim, daremos frutos excelentes e também sentido ao nosso ministério.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

At 17 - A pregação eficiente e excelente de Paulo

O capítulo 17 de Atos contém uma narrativa de parte do ministério de Paulo e mostra como o Apóstolo estava envolvido emocional e pessoalmente com a obra de Deus (17.16), como a sua pregação e a de seus companheiros estava sendo eficaz (17.6) e como o coração dos que não recebem a Cristo é duro (17.5-8).

Paulo e Silas passaram, após serem perseguidos em Tessalônica, pela cidade de Beréia. O texto diz que os bereianos eram mais nobres que os tessalonicenses, pois averiguavam nas Escrituras a veracidade e a coerência do que Paulo dizia acerca de Cristo (11). Isso é motivo para elogiarmos os bereianos. Fossemos como eles e teríamos muito menos heresias prevalecendo no nosso meio. Mas o que também surpreende é que muitos deles, com todo esse critério, creram. E isso inclui pessoas de alta posição, segundo o texto (12).

A mensagem de Paulo, além de ousada, criativa e cheia de sabedoria e da unção do Espírito Santo, era eficaz e coerente. O Apóstolo dos gentios pregava com tal excelência que seus ouvintes bereianos o atenderam após conferir se tudo o que ele dizia era coerente com as Escrituras. Devemos valorizar a Palavra de Deus, a Bíbllia Sagrada, para sermos coerentes como Paulo e prudentes como os bereianos.

Ainda ontem perguntei numa reunião com cerca de 100 jovens quantos liam ao menos dois capítulos da Bíblia por dia. Cerca de 25% manifestou-se positivamente. Tivesse perguntado sobre oração e jejum constantes, certamente a resposta não seria muito diferente. O mesmo vale para a frequência com a qual pregamos o Evangelho a alguém, acredito. Por que digo isso? Por que vemos os apóstolos e queremos na nossa vida os mesmos sinais que eles tinham, a mesma pregação eficiente, o mesmo poder e autoridade. Mas estamos de fato dispostos a entregar para o Senhor tudo o que eles entregavam?

Assim como Paulo, devemos consagrar nossa vida e esforços para propagar o Evangelho de Cristo. Façamos do nosso trabalho, estudo, relacionamentos, meios para se pregar a Palavra de Deus.. Conheçamos a Bíblia, para o fazermos com a mesma excelência que Paulo fazia. Podemos querer a mesma eficiência na mensagem e o mesmo poder/autoridade que ele tinha. Mas precisamos estar dispostos a entregar nossa vida por completo a essa causa, como Paulo e os seus. Não apenas algumas horas do nosso fim-de-semana ou alguns minutos do nosso dia, mas toda a nossa vida e esforços.

sábado, 15 de outubro de 2011

At 16 - Creia e serás salvo, tu e tua casa. Será???

Já viram o filme "O livro de Eli"? A aplicação que ele faz do poder da Bíblia é interessantíssima, não é? Se você já leu, é um bom exemplo para começar esse texto. Caso não, eu não serei aquele que estragará o filme para você. Portanto, sem spoillers.


Confesso que já há muito tenho problemas com as mensagens que ouço/leio sobre promessas de Deus. Infelizmente, a maioria das que são pregadas no nosso meio mais motivam uma fé gananciosa e interesseira do que buscam renovar a esperança do que necessita. Já vi quem dissesse que Deus promete riquezas a todos. Promete luxo, tudo do melhor nessa terra, etc.. Vale lembrar que um grande problema da teologia da prosperidade é matar a esperança de um descanso e paz eternos para trazê-los a nós hoje. Se tudo o que a teologia da prosperidade prega se concretizar em nossa vida, quase não precisaremos do céu!

Perdeu-se o escrúpulo para interpretar a Bíblia da forma como mais se convém. E o famoso texto de Atos 16, especificamente o verso 31, é um dos mais mal-interpretados que conheço. Paulo e Silas, presos por pregarem o Evangelho, dizem a um carcereiro que estava prestes a se matar: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa".

Agora, vou pedir que você leia esse texto como se fosse a primeira vez. Os dois discípulos estavam presos. De repente, de madrugada, há um terremoto na prisão e todos os presos têm suas portas abertas e algemas soltas. O carcereiro, temendo ser morto pelos seus superiores, intenciona tirar a própria vida. Quando Paulo grita para que ele não o faça, dizendo que estavam todos no mesmo lugar. Então, respondendo à pergunta do carcereiro: "Que é necessário que eu faça para me salvar?", Paulo diz: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa".

Então responda você mesmo: na sua opinião, Paulo disse que se o sujeito cresse, toda a sua casa seria salva por causa da sua fé, ou disse que se ele e a sua casa cressem, todos seriam salvos? Vou encerrar o parágrafo só para você pensar mais um pouco.

Eu fico com a segunda opção. Um dos princípios básicos de interpretação da Bíblia é deixar que ele mesma se interprete. Para que isso ocorra, não pode haver contradição entre dois textos, pois sabemos que ela própria não se contradiz. Se isso ocorrer, o problema está no intérprete, não no texto que é interpretado. Se considerarmos a primeira opção de resposta, não estamos anulando a individualidade da fé, que é presente no restante das Escrituras?

Essa interpretação é perigosa. Primeiramente, lembremo-nos (ou fiquemos sabendo) que, teologicamente, não tiramos doutrina de livros históricos da Bíblia. Apenas exemplos, princípios, etc. Livros históricos, como são todos os do intervalo entre Josué e Ester e o livro de Atos no NT, nos contam erros e acertos de seus personagens, o que nos daria brecha para interpretarmos de formas muito diferentes. Também, o texto deve ser lido em seu contexto, a exemplo do que foi explicado alguns parágrafos acima. E se interpretarmos de forma a entender esse texto como uma promessa para todos, desconsideramos bastante seu contexto original.

Se eu crer no Senhor, serei salvo. E se os da minha casa crerem no Senhor, serão salvos também. Se quisermos achar uma promessa nesse texto, aí está ela. Seja de outra forma, como explicamos à irmã piedosa,, que perdeu o pai alcoólatra com câncer no fígado? Ou à mãe que, depois de se converter, fez de tudo para resgatar o filho das drogas, mas ele acabou morto pelo tráfico? Se você não conhece nenhum caso semelhante a esse e ainda acredita que eles não aconteçam, fica mais fácil entender a "promessa" do texto. Porém se sabemos que tudo isso ocorre, precisamos ser mais sensatos.

Uma forma de nos confortar com esperança sobre a salvação daqueles amamos? A salvação foi prometida a todo o que crê, portanto a porta está aberta para eles assim como para nós. E o Espírito Santo, também prometido por Jesus a nós, nos dá poder e capacita-nos a pregar o Evangelho de forma genuína, agindo ele mesmo na pregação para que ela seja eficaz. Além disso, todas as nossas orações são ouvidas por Deus e sabemos que se orarmos pela nossa família isso terá efeito. Pelo menos no meu caso, me lembro claramente que alguém orou para que eu me convertesse.

Perdoem-me pelo tamanho do texto de hoje. Mas achei necessário explicar com um pouco mais de cuidado esse texto bíblico. Sei que a Palavra de Deus, completa, verdadeira e coerente como é, não frustra a esperança de ninguém. Isso só acontecerá se esperarmos dela o que não está sendo oferecido. Mas se nela buscarmos discernimento, sabedoria, esperança verdadeira, fé, motivação, força e ainda mais, teremos. Deus cuida de nós. E de nossas famílias também. Portanto, contemos e oremos pelo seu cuidado, pois ele nunca nos desamparou e nem o fará.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

At 15 - Mais alma e menos rito

Houve uma grande contenda doutrinária na igreja primitiva sobre a obrigação ou não da circuncisão dos gentios que aderiam ao Evangelho. Pensando que Deus havia primeiro se revelado aos judeus, estes entendiam que aquele que se convertesse devia passar primeiramente pelo ritual de introdução ao judaísmo, para depois chegar ao cristianismo. Essa possibilidade deu trabalho aos apóstolos...

Depois de muito discutirem e se reunirem no que os teólogos e historiadores consideram o primeiro concílio da igreja, o de Jerusalém, os apóstolos decidem não impor mais encargo algum aos irmãos (15.28), senão que se afastassem daquilo que era sacrificado aos ídolos, do sangue, da carne sufocada (de animal morto por estrangulamento, sem derramamento de sangue) e da prostituição.

Reparem no que esses mandamentos nos dizem teologicamente: devemos ter o Senhor como único Deus, nos afastando das coisas dos ídolos; respeitar e zelar pela vida, que o judeu entendia estar no sangue, não ingerindo sangue ou comendo a carne com ele; e zelar pela santificação e pela pureza, afastando-se da prostituição.

Em meio à controvérsia, nenhuma imposição ao povo de Deus era sem sentido. Os três mandamentos expostos neste texto refletem princípios já presentes na Palavra de Deus. O que é contrário à prática legalista que tentava ser imposta pelo grupo que gerou a discussão; ela não levava a lugar algum. No máximo, criaria um pensamento de merecimento ou não-merecimento da graça, por meio de um ritual que deveria ser cumprido. Isso não é bíblico.

No nosso contexto, quantos não fazem o mesmo, porém com rituais diferentes? Pensamos (e praticamos) que o culto só é válido se seguir um formato específico. É preciso ter a leitura de um texto, louvor, dízimos e ofertas, pregação, etc.. Tudo isso é muito válido, mas nem é um padrão bíblico. É funcional e convencional, e eu mesmo sou adepto do modelo, mas ele não está fechado aí. Certa vez, estávamos sem instrumentistas no culto. Então, fizemos um louvor falado: cada um declarava em voz alta as razões que tinha para louvar e adorar a Deus. Que bom foi!

Esse é um exemplo. Há ainda outros bem mais gritantes (até literalmente), como pensar que o Senhor só ouve as orações que são feitas de determinada forma; só aceita quem se veste desta ou daquela maneira; só abençoa quem faz deste ou daquele jeito. Besteira! O Senhor está interessado, como aprendemos com a conclusão dos apóstolos, que o glorifiquemos como Deus, valorizemos e preservemos a vida que ele nos deu e sejamos limpos e santos, como ele o é. Os rituais apenas exaltam uma falsa santidade, uma religiosidade aparente. Uma prática religiosa que envolva a alma e o coração certamente é o que agradará o Senhor.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

At 14 - Servindo com as vestes rasgadas

Paulo e Barnabé entraram na cidade de Icônio, lugar em que havia muitos judeus e também gentios que adoravam a deuses pagãos, como Júpiter e Mercúrio. Para resumir muito a história - que espero que você leia, Paulo e Barnabé são confundidos com esses dois deuses, por causa dos milagres que o Senhor fazia através deles. Os sacerdotes pagãos da cidade vêm até os dois para lhes oferecer sacrifícios, como se eles fossem mesmo deuses.

A atitude dos discípulos é de assumir o mais claro sinal de humilhação que eles conheciam: como todo judeu que quer demonstrar humilhação, eles rasgam suas vestes e impedem, a muito custo, o povo de lhe oferecer tais sacrifícios. Paulo e Barnabé não estavam em busca de fama, sucesso (mesmo que ministerial, como ouvimos por aí) ou qualquer reconhecimento. Eles serviam e ganhavam destaque por isso, mas rasgavam suas vestes, se necessário.

A lógica hoje é tão contrária... Confunde-se tanto mercado gospel com ministério, que facilmente identificamos muitos Júpiteres (é assim o plural disso??) e Mercúrios por aí. O pregador do Evangelho, seja o que o faz por qualquer meio de expressão, deve estar consciente que leva a Palavra de Deus a pessoas que podem confundir as coisas, como fizeram aqueles sacerdotes. E devem estar preparados para corrigi-las, assim como os discípulos ali fizeram, não tirar proveito da situação.

Quantas pessoas inocentes e bem intencionadas já não ofereceram "sacRifício$" a pregadores e ministros de qualquer natureza, por terem recebido uma bênção de Deus através de suas vidas, e estes aceitaram tal sacrifício? Ou elevaram sua estima por tais pregadores (ou deveria chamá-los de artistas?) ao ponto de fazerem deles ídolos gospel. Em shows musicais, por exemplo, isso é tão comum...

Aqueles que recebem a Cristo através de nós devem também ser instruídos por nós a caminharem corretamente. Qualquer benefício que tenhamos por pregar a Palavra de Deus deve vir do próprio Senhor. Ele pode, com toda a liberdade, usar alguém para nos abençoar. Mas certamente a situação não será semelhante à esse exemplo dos discípulos.

Paulo e Barnabé não aceitaram o sacrifício por que antes de terem rasgadas as suas vestes, já haviam feito isso com o seu coração. Eles serviam a Cristo com intenções puras e sinceras, buscando agradar e ganhar o favor de Deus, não de qualquer outro. Que o Senhor guarde nosso coração para que o sirvamos com integridade, sinceridade e humildade. Pois a glória é dele, que fazia tudo através dos apóstolos e ainda faz através de nós.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

At 13 - É fundamental conhecermos as Escrituras

Lendo o livro de Atos vemos como se desenvolveu o ministério dos Apóstolos. É interessante aprendermos com seus acertos e, como Atos é um livro histórico, também com os erros deles. Paulo e Marcos, por exemplo, tiveram um desentendimento. Também Paulo censurou a Pedro por dissimular um tipo de comportamento para um grupo específico. Este livro narra a história do início da igreja de forma bem imparcial, o que muito nos abençoa.

Salta-nos aos olhos uma das características do ministério dos Apóstolos e de seus discípulos: além de serem cheios do Espírito Santo, todos conheciam muito bem as Escrituras. No segundo capítulo, Pedro faz um discurso aos judeus em que apresenta Jesus como a promessa de Deus dita pelos profetas do Antigo Testamento (AT), usando várias citações e fazendo aplicações impecáveis do texto ao seu contexto.

No capítulo sete, Estevão também conta toda a história de Israel um momento antes de seu apedrejamento. E Estevão era homem de função simples: apenas distribuía alimento na igreja. Mas Atos nos diz que ele era cheio do Espírito Santo e de poder, que as pessoas não podiam resistir à sabedoria com a qual lhes falava sobre Jesus. E em seu discurso final ele demonstra ser alguém que conhecia o Antigo Testamento, a Bíblia do seu tempo, maravilhosamente bem.

E no capítulo treze, Paulo faz um de seus vários discursos em Atos, também fazendo inúmeras citações do AT. Neste discurso Paulo usa passagens do AT para provar a judeus que Jesus era o Messias esperado.

O ministério dos primeiros discípulos era marcado pela presença e atuação do Espírito Santo e pelo conhecimento que eles tinham das Escrituras. Quando Paulo recomenda a Timóteo as qualidades que o irmão deve ter para ser um bom bispo (pastor), dentre outras está a de manejar corretamente a Palavra do Senhor para que não tenha do que envergonhar

Sem a Palavra de Deus nós não crescemos. Sem o Espírito Santo, não entendemos o que lemos/precisamos. Portanto, busquemos ao Senhor e entendamos sua Palavra. Não podemos escolher entre a Palavra de Deus e o seu Espírito; precisamos e muito dos dois da mesma forma.

Que o Senhor nos encha do Espírito Santo e que nós busquemos sua voz através das Escrituras.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

At 12 - A aparentemente sem-sentido-vontade-soberana-de-Deus

Atos 12 tem tantas lições para nós, que fica difícil fazer uma escolha aqui. Mas arriscarei. Neste capítulo Pedro é preso por Herodes, que havia mandado matar a Tiago, irmão de João. Como sua morte agradou aos cidadãos judeus, ele resolveu estender a perseguição e prender Pedro, peça principal daquela igreja. O verso 5 já nos dá um belo exemplo: enquanto o pastor era perseguido, a igreja orava continuamente.

Pedro fora preso injustamente. E Herodes tomou todos os cuidados para que sua prisão fosse mantida até a data oportuna, colocando guarda reforçada sobre ele. Ainda assim, sob a vigia de pelo menos quatro guardas,, um anjo entra na prisão e sem que eles percebam liberta Pedro. Resultado da oração daquela igreja e soberania da vontade de Deus, que não se prende às circunstâncias para cumprir seus planos.

Muitas vezes somos injustiçados, assim como Pedro. Mas aprendo com este texto que a vontade do Senhor não encontra limites e por isso podemos descansar nele, de fato. Mas um descanso meio louco... A mesma vontade do Senhor que não permitiu que Pedro ficasse na prisão, consentiu na morte de Tiago. Poderia-se questionar por que o Senhor não livrou Tiago da espada ao invés de tirar Pedro do cárcere.

Deus é soberano e sua vontade é perfeita. Minha opção pessoal por confiar em Deus pressupõe um pensamento específico: há coisas que eu somente saberei seu verdadeiro sentido na eternidade, com ele. Sua vontade soberana se prova tão boa ao longo da história e na minha própria vida, e é tão cheia de esperança para nós, que aquilo que aparentemente não faz sentido pode ficar em stand by. É como ver um jogador de futebol muito habilidoso fazendo algo que não entendemos e daí a pouco terminar em algo que não esperávamos.

O Senhor sabe o que faz. Certamente a vida de Tiago lhe era importante, não menos que a de Pedro. Mas seus planos são mais altos que os nossos e seus pensamentos da mesma forma. Se algo na nossa vida não faz sentido, mas o Senhor é soberano sobre nós, podemos confiar que ele tem a caneta na mão para escrever as surpreendentes linhas finais.

sábado, 8 de outubro de 2011

At 11.27-30 - Um bom exemplo de uma profecia verdadeira

A profecia é uma forma de Deus revelar sua vontade para uma situação específica ou de prever algo que está para acontecer. No Antigo Testamento, as profecias tinham como objetivo mais comum exortar o povo pelos seus erros. Elas apontavam o erro e as possíveis consequências daquela prática, mostravam o caminho correto a ser traçado e traziam também as consequências de se andar naquele caminho correto.

Em suma, a profecia continha exortação pelo erro, direção para o certo a se fazer e consequências do erro e do acerto. Uma boa forma de julgarmos se as profecias que podemos ouvir hoje são verdadeiras é analisá-las de acordo com o modelo vetero-testamentário. Ainda, no caso de profecias que antecipam acontecimentos, o cumprimento ou não daquele fato atesta sua veracidade.

No texto que tratamos aqui, houve uma profecia que antecipou a notícia de uma grande fome que assolaria a todos. É um exemplo muito belo de profecia no Novo Testamento! Deus adverte o povo sobre um acontecimento por causa do seu cuidado com ele. Essa advertência gera uma reação naquele povo de abençoar aos que mais sofreriam com aquele acontecimento. Como Deus é zeloso, e como aquela igreja era madura!

São lições para nós estes dois fatos: o cuidado de Deus e a boa resposta da igreja à sua vontade. Se tivermos a maturidade que aquele povo demonstrou para reagirmos corretamente à voz do Senhor, certamente a ouviremos no tempo certo. O porém é que muitas vezes demonstramos o contrário, principalmente em relação às manifestações de Deus com profecias. É comum vermos pessoas que esperam profecias que atendam às suas vontades e não que revelem a do Senhor.

Devemos ser maduros em relação às profecias. As palavras de Deus para nós estão na Bíblia sagrada e por essas devemos ter sede. Se o Senhor quiser falar algo mais específico conosco, que nosso coração esteja aberto para isso. Mas podemos estar certos de que a profecia não contradirá as Escrituras, pode trazer advertências para nós e sempre, sempre implicará numa responsabilidade requerida de nós.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

At 10 - Deus gosta de quebrar nossas regras

Atos 10 nos conta a história de Cornélio, homem temente a Deus, que com toda a sua casa exercia o temor e a piedade. Sendo homem de boa condição, ajudava a muitos do povo (10.1-2). Cornélio tem uma visão em que um anjo lhe diz para chamar a Pedro, pois ele o instruiria.

Paralelamente, Pedro também tem uma visão, inclusive uma visão bem desconcertante. Vale a pena você mesmo a ler, em At 10.9-22. Na visão, Pedro entende que deveria pregar o Evangelho a Cornélio, mesmo sendo ele não-judeu (10.28-29). O próprio Pedro diz ser inapropriado para um judeu sentar-se a comer com um estrangeiro, tamanha era a ponte de preconceito que os separava. O Apóstolo faz questão de dizer que está ali por obediência à ordem do Senhor.

Deus estava cumprindo com a humanidade aquilo que havia dito à Abraão centenas de anos atrás: que nele serão abençoadas todas as famílias da terra. Era difícil para um judeu, que pensava ter a exclusividade da salvação, pensar em pregar a palavra de Deus a um estrangeiro. Se havia um povo que não se misturava, era o judeu. Mas o Senhor não respeita seus preconceitos, e envia Pedro a pregar para Cornélio.

O Senhor não se prende aos nossos preconceitos e regras. Aliás, ele gosta do inesperado, entendo. Primeiro, Jesus se revela um homem simples, com uma mensagem que não atendia às expectativas de Israel, que esperava um Messias que os libertasse politicamente de Roma. Depois, chama um grupo de doze homens comuns, sem relevância até aquele momento, jovens, para andar com ele. O Mestre como com pecadores e pessoas de má fama. Conversa com mulheres e com prostitutas. Faz milagres nos dias de sábado, etc.. O Senhor quebrava (e quebra) muitos preconceitos e conceitos errados que aquele povo tinha (e que temos).

Agora, em Atos, vemos Pedro como o líder da igreja. O mesmo Pedro que negou a Jesus três vezes. Vemos Paulo, o maior carrasco dos cristãos, tornando-se o maior missionário e o maior autor do Novo Testamento. Vemos que os ricos têm sua arrogância exposta e reprovada pelo Senhor, enquanto que homens simples e sem recursos são os portadores da sua mensagem e dão continuidade à sua obra, fazendo milagres e pregando o Evangelho. E a partir do capítulo que lemos pregando também aos estrangeiros, que eram discriminados por Israel.

O Senhor é maior do que os nossos conceitos, preconceitos e até expectativas. Ele está além do que achamos ser certo, errado ou conveniente. Ele é soberano e sua mente está muito além da nossa. Ele faz o improvável e aprova o que achamos ser reprovável. Não se limita nem ao que entendemos ser o seu limite, ele é soberano e está além.

Por que isso tudo? Sinceramente não sei. Mas entendo que com isso somos levados a julgar menos e a ouvir mais a voz do único que tem propriedade autoridade para fazê-lo, o juiz de todo o universo. Que em sua soberania, joga nossos pensamentos no chão e de forma que não conseguimos discordar de sua razão. Graças a Deus por sua soberania e sabedoria.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

At 9.1-18 - Aceitação sem acusação

Saulo, chamado posteriormente de Paulo, foi surpreendido pelo Senhor quando ia até Damasco para perseguir os cristãos dali. Como dizem os versos sobres os quais aqui tratamos, Paulo reconheceu que Jesus era quem lhe aparecera e creu nele. Ao ter esse encontro, ficou cego e passou três dias sem comer nada, até que Ananias, um discípulo que morava em Damasco, foi ao seu encontro.

Interessante é o fato de o Senhor dizer à Ananias que ele deveria ir até a casa de um tal de Judas para encontrar-se com um homem chamado Saulo, que era de Tarso, cuja fama Ananias conhecia bem. Tão bem que ele reluta em ir, dizendo:

"Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jersusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome".

O Senhor diz a Ananias que ele deveria ir assim mesmo, e este o obedece. Agora, surpreendente mesmo, se repararmos bem, é a forma que Ananitas trata Paulo em sua casa:

"Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo".

Ananias nem ainda tinha tomado um café com Saulo. Não conhecia um ponto positivo de seu caráter ou conduta, apenas a sua má fama. Mesmo assim, sob uma palavra do Senhor, esse discípulo dirige-se a Saulo como um irmão, e um irmão que receberia o dom do Espírito Santo.

O Senhor não faz acepção de pessoas mesmo. Ele não julga pela aparência, pelo exterior, nem mesmo pelas atitudes. Apenas atenta para a sinceridade do coração. O contrário disso tudo, nós somos quem fazemos. Mas, a exemplo de Ananias, devemos crer que Jesus tem o poder transformador suficiente para mudar qualquer um e qualquer coisa. Quando Ananias refere-se à Paulo como um irmão, reconhece tudo isso e demonstra entender um princípio que será mostrado mais tarde pelo próprio Paulo:

"Assim que, se alguém está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo".
II Cor 5.17

"Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica"
Rm 8.33

Ananias não julgou Saulo, que tinha autoridade do Estado para matá-lo, se assim desejasse. Por muito menos, julgamos e condenamos qualquer um. Com críticas infundadas, preconceitos, dúvidas do caráter da pessoa ou da genuinidade da sua transformação pessoal, etc. Por reconhecer a palavra de Jesus sobre Paulo, Ananias o recebeu como a um irmão.

Se tratarmos o nosso próximo com imparcialidade e temor de Deus, seremos mais justos nos nossos relacionamentos. Se não o tratarmos como deve e merece, na verdade estamos duvidando de Cristo, que é quem efetua a obra. Não do próximo ou de sua palavra. mas do próprio Jesus.

Que o Senhor nos permita ver o outro ao menos um pouco como o Senhor o vê. Assim amaremos mesmo o nosso próximo, a despeito do que ele pode ter feito ou de quem seja; mas apenas por reconhecermos e acreditarmos na voz do Mestre.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

At 8: Filipe: outro exemplo excelente

Estevão foi alguém exemplar, por fazer de uma tarefa simples a porta para um ministério poderoso e excelente. Com a simples responsabilidade de distribuir alimentos, junto com outros 6 irmãos, este homem fez muitos milagres, testemunhando a Cristo com poder e determinação tais que lhe renderam acusações falsas, gerando sua morte.

Filipe era um dos seis companheiros de Estevão. O livro de Atos somente fala detalhes destes dois membros desse grupo. Estevão nos capítulos 6-7 e Filipe no capítulo 8. Nenhum deles aparece novamente no livro, somente nestes trechos. Mas o exemplo deixado por ambos, ainda que de forma sucinta, está bem claro.

Muitos irmãos pensam que determinadas responsabilidades cabem ao pastor da igreja, como orar por quem está doente, visitar o necessitado, suprir o que tem determinada falta, etc. A primeira carta de Pedro, dentre outras passagens, nos diz que todos os cristãos foram feitos sacerdotes por causa do sacrifício de Cristo. Ou seja, devido ao sacrifício de Cristo, sumo sacerdote eterno, todos temos acesso a Deus sem a necessidade de qualquer mediador que não o próprio Cristo (I Pe 2.5-9).

Filipe, assim como Estevão e muitos irmãos da igreja primitiva, entendiam que carregavam consigo a responsabilidade da pregação do Evangelho. E pregar o Evangelho incluía levar todo o poder que ele traz consigo: expulsar os demônios dos oprimidos, curar os enfermos, levar boas notícias aos desiludidos. Tudo isso, onde é manifesto o poder de Cristo e do Evangelho, seguia Filipe. At 8.6-8 diz que as multidões o ouviam unanimemente, pois viam e ouviam os sinais que ele fazia. Muitos eram curados, libertos e grande alegria foi levada à cidade de Samaria, onde ele pregava.

Cada cristão é um sacerdote, um instrumento, um condutor que orienta o pecador até Cristo. Não se é possível ser um cristão verdadeiro sem testemunhar o Evangelho. Se somos membros de alguma igreja, nos dizemos cristãos e não lembramos a última vez que pregamos o Evangelho para alguém, temos que rever algo na nossa fé.

Assim como Filipe e Estevão, assumamos a responsabilidade que nos cabe. Como cristãos temos o dever de anunciar o Evangelho e o Espírito Santo nos foi dado justamente para capacitar-nos a executar tal tarefa. Portanto, caso nos falte ousadia, motivação ou ainda caso nos sobre qualquer limitação, coloquemos diante de Deus. Ele é o maior interessado em nos ver frutificando e certamente cuidará de cada um de seus ramos para que isso aconteça.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

At 6: Estevão: excelência na simplicidade

Estevão, diácono da igreja primitiva, aparece em Atos 6. A igreja teve a necessidade de escolher alguns homens para cuidar da distribuição de alimentos, pois começara a surgir uma divisão entre as viúvas gregas e as hebreias. As gregas achavam que as hebreias estavam sendo privilegiadas ao receber os donativos da igreja. Para resolver o problema e deixar alguém responsável constantemente por esta tarefa, os apóstolos elegeram Estevão e mais seis homens.

O critério de seleção era simples: eles deveriam ser homens "de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria" (6.3). Apesar de alguns poderem pensar que era muita exigência pra pouco cargo - pensamento medíocre, mas que está solto por aí, esses pré-requisitos valem para qualquer um que queira ter uma vida cristã decente e com um testemunho íntegro.

A função de Estevão era muito simples. Mas a forma como ele a executava, não. O verso 8 do mesmo capítulo diz que "Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo". Alguns se levantaram contra ele, pois não era alguém comum. E o texto diz que, mesmo havendo muitos discutindo com ele, "não podiam resistir à sabedoria e ao espírito com que ele falava". Afim de acusa-lo mesmo assim, levantaram um falso testemunho e o apedrejaram até a morte.

Estevão tinha a simples tarefa de cuidar da distribuição de alimentos na igreja. Mas era um homem cheio do Espírito, sábio e com conhecimento suficiente para fazer muito mais do que lhe estava confiado. Aqueles que se levantaram contra ele ouviram uma mensagem maravilhosa dos seus lábios. Estevão faz um grande discurso no capítulo 7, resumindo toda a história de Israel, desde Abraão, e mostrando como o seu povo ao longo dessa história rejeitou os profetas e, neste último momento, o próprio filho de Deus.

O exemplo de Estevão tem que mexer conosco. Principalmente com aqueles que exercem funções de responsabilidade em suas igrejas. Para distribuir alimentos, aquele homem carregava uma bagagem de conhecimento bíblico impecável, a unção do Espírito Santo, sabedoria vinda de Deus e um coração totalmente entregue ao Senhor. Na simplicidade da sua tarefa, vimos a excelência que cabe a todo que quer se dedicar à obra de Deus. Podemos fazer o serviço mais humilde, simples e aparentemente irrelevante para o Senhor, mas há de ser o nosso melhor.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

At 5: Algumas (boas?) consequências de uma fé genuína

O quinto capítulo do livro de Atos nos mostra os apóstolos sofrendo a primeira perseguição por causa de Jesus. Pelo fato de muitos os procurarem para serem curados e libertos, religiosos como os saduceus, por exemplo, levantaram-se com inveja deles e acabaram por conduzi-los à prisão (5.16-18).

Após serem açoitados e libertos da prisão, sob a advertência de não mais falarem no nome de Jesus, o texto nos diz que os apóstolos se alegraram "pois tinha sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus" (Atos 5.41).

A perseguição que os apóstolos sofreram atestam a validade e a veracidade da sua fé. Se eles estivessem pregando um evangelho que agradasse a todos, certamente não sofreriam perseguição alguma. Se sua mensagem agradasse aos políticos e religiosos da época, não seria o Evangelho que estaria sendo pregado, mas qualquer outra coisa.

E o fato de se alegrarem com a perseguição mostra-nos claramente o que eles buscavam, além da maturidade da sua fé. Se vários açoites e uma prisão foram capazes de levar alegria ao coração dos apóstolos, o que lhes levaria tristezas e/ou frustrações? Seu maior objetivo era serem parecidos com Cristo. Se o mestre foi perseguido e morto, o que eles poderiam esperar, se fizessem as mesmas obras? Mesmo assim, sua fé certa e madura gerava alegria em seus corações, mesmo na incerteza do seu destino - ou no temor pelo o que poderia estar lhes aguardando.

Se buscarmos o que o Senhor realmente quer de nós, teremos satisfação na nossa caminhada. Nos frustramos apenas quando esperamos algo que não alcançamos. E uma fé madura sabe o que esperar da do Senhor e de seu caminho, de forma que não se desilude quando encara suas consequências. Seguir a Cristo e pregar a sua palavra com excelência nos causará transtornos em algum momento. Será que nossa fé está madura o suficiente para suportá-los com firmeza?

"Se o mundo vos odeia, sabeis que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Lembrai-vos da palavra que vos disse: não é o servo maior do que o seu senhor. Se eles me perseguiram, também vos perseguirão. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos  farão por causa do meu nome, pois não conhecem aquele que me enviou."
João 15.18, 20-21

At 4: Por que não somos como a igreja primitiva?

"Era um o coração e a alma dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. (...) Não havia entre eles necessitado algum. Pois todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a sua necessidade."
Atos 4. 32, 34-36

Se tivermos uma igreja ideal no Novo Testamento, esta é a de Atos. A igreja de Corinto era uma bagunça. Paulo não lhes escreveu duas grandes cartas sem motivo. A dos Gálatas, como a de Éfeso, tinha problemas doutrinários sérios, dentre outros. Mas o livro de Atos mostra o início de uma igreja que se mostra madura, dedicada e nos serve como referencial.

Já ouvi muitos perguntarem por que não somos como aquela igreja. O que há de diferente? Os tempos mudaram a ponto de aqueles sinais e maravilhas terem cessado? O que Deus tinha para aquela igreja, fora somente para ela? Alguns eventos tratam de exceções, por terem sido parte do primeiro momento da descida do Espírito Santo, por exemplo. Mas se não temos hoje o poder e os sinais que acompanharam aquele grupo de cristãos, certamente a responsabilidade é nossa e não do Senhor.

Um dos motivos de não sermos como a igreja de Atos é a falta de unidade. Os versos acima nos dão um esboço de como aquele grupo era unido, a ponto de considerarem suas posses, adquiridas com pesado trabalho, como a de todo indivíduo honesto, de todos. Tudo na vida daquela igreja estava à disposição do Senhor e do próximo necessitado. E hoje? Agimos da mesma forma?

Queremos viver isoladamente na nossa comunidade. Nosso convívio com os irmãos limita-se, muitas vezes, aos encontros na igreja e outros programas que não exigem um nível de comprometimento que nos incomode. Enquanto naquela igreja não havia necessitados, hoje não sabemos da necessidade do nosso próximo. Por que, se soubermos, não é certo que faremos algo. Pois, sabe-se lá o que mudou, mas agimos como se tudo o que possuímos fosse exclusividade nossa, e por direito.

Se queremos ser como aquela igreja-modelo, devemos começar a pensar como uma igreja de verdade. Como uma comunidade de irmãos que estão dispostos a entregar a sua própria vida em prol do outro. Sem cair no imaturo engano de pensar ser possível entregar-se totalmente a Cristo sem fazer o mesmo com o próximo, com o corpo de Cristo.

João, em sua primeira carta, conclui com excelência e peso nossa reflexão:

"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Quem tiver bens do mundo e, vendo o seu irmão necessitado, cerrar-lhe o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade."
I João 3.16-18