segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Oração do Pai-Nosso: o que Jesus não nos ensinou

Jesus era muito simples e objetivo. O oposto dos religiosos de seu tempo, que eram complexos demais e que passavam longe da objetividade e da clareza. Um dos muitos exemplos da simplicidade de Jesus é a forma que ele nos ensinou a orar, no texto que conhecemos como a Oração do Pai-Nosso. Transcrevo a oração abaixo:

Pai, santificado seja o teu nome.
Venha o teu reino.
Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano.
Perdoa-nos os nossos pecados,
Pois também perdoamos a qualquer que nos deve.
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
Lucas 11.2-4

O texto é simples e direto ao mesmo tempo em que é denso e profundo. Poderia gastar páginas para falar de cada ponto dessa oração, mas gostaria de seguir outra lógica: o que há nas nossas orações que não há na oração que Jesus ensinou? O que aprendemos a praticar nas nossas orações e que não foi ensinado pelo Mestre no seu modelo? Listo abaixo três características de muitas orações feitas hoje que, na minha opinião, são os erros mais comuns e discrepantes da oração do Senhor. Segue:

Pedidos de vitória financeira, prosperidade, aquisições materiais e semelhantes - Jesus nos orienta a pedir apenas o sustento diário. E essa é a sua preocupação com a nossa vida material durante todo o seu discurso. Vemos isso outra hora, mas ele nos ensinou a buscarmos em oração o necessário. O resto é por nossa conta...

Repreensão, amarração, xingamento, revolta e outras coisas dirigidas ao Diabo - o mais próximo que Jesus passou de Satanás ao nos ensinar a orar foi orientar-nos a pedirmos a Deus livramento do mal e forças contra a tentação. O resto também é por nossa conta!

Jesus não decretou, exigiu, determinou, "reivindicou o direito às bênçãos de Deus" ou nos orientou a colocar Deus Pai na parede de qualquer outra forma - A oração ensinada por Jesus é humilde. Nela, reconhecemos nosso pecado, pedimos apenas o necessário e assumimos nossa vulnerabilidade. Quem somos nós para exigirmos alguma coisa do Senhor? Essa parte... também é nossa culpa!

Na oração ensinada pelo Mestre aprendemos a valorizar seu domínio sobre nós, não a nossa vontade. Aprendemos a oferecer o perdão, pois pedimos o mesmo perdão que damos a outro. E a, humildemente, buscar no Senhor forças contra as tentações e livramento do mal. De forma simples e direta, o Senhor nos orienta a falarmos com Deus sobre o que mais importa. E por lógica, vemos que muita coisa presente nas nossas orações não tem tanta importância, mas têm as que estão presentes na oração de Jesus.

Aprendamos do Mestre. Ele é mais simples, autêntico e relevante que nossas manias religiosas.

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