sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O trabalho completo de Cristo


O texto de Lucas 8.26-39 junto com seus correspondentes em Mateus e Marcos 8.28-33 e 5.1-14, respectivamente, se constituem em um dos textos-base da Teologia da Libertação Católica. Em pouquíssimas (e até insuficientes) palavras, esta Teologia diz que o sujeito que recebe a Cristo deve ser liberto também da opressão social, das sequelas diretas e mais cruéis da injustiça e da marginalização.

É um pensamento e prática muito coerentes, principalmente para o contexto latino-americano. O único problema é que tal teologia acaba indo para o extremo de levar a salvação muito para o lado social, menosprezando os demais aspectos da obra de Cristo. Mas esta informação nem é o tema deste texto, mas sim o que Jesus fez e que serve de base para essa Teologia e também para nossa prática cristã.

Quando o Mestre se encontra com o homem que estava endemoninhado, ele faz uma reviravolta em sua vida. O texto diz que o homem estava possesso há muito tempo e que andava nu, não tendo outra morada que não os sepulcros, vivendo à margem da sociedade. Jesus liberta o sujeito, que fica totalmente são e pretende seguir a Jesus, que então o recomenda voltar aos seus e dizer-lhes o que lhe havia ocorrido.

O principal ponto desta passagem para Teologia da Libertação é o fato de Jesus re-inserir o sujeito socialmente. E devemos mesmo ver o texto por esta ótica. Quantos de nós já não olhamos para um mendigo, um viciado jogado às margens da sociedade ou qualquer semelhante a esses, e pensamos apenas no seu lado espiritual, desprezando os demais e principalmente o social? Jesus não fez assim.

Logo que o Mestre se encontra com o homem ele é liberto. Os que o conheciam se admiraram de vê-lo são, vestido, em perfeito juízo, aos pés de Jesus. E agora, ele poderia voltar para o convívio social. Poderia novamente ter uma morada e andar em trajes normais. Era novamente um cidadão.

A obra de Cristo na nossa vida é completa. E a obra de Cristo que queremos levar adiante também deve ser. A salvação manifesta-se de diferentes formas em nossas vidas. No meu caso, sua principal manifestação foi a mudança do meu convívio familiar, que era muito ruim e hoje é maravilhoso. No caso daquele homem foi a libertação espiritual e a volta à sociedade. No seu, deve ter sido ainda de outro jeito.

Enfim, entendemos mais uma vez que a forma como compreendemos a Cristo e a sua obra determinam nossa prática. Saibamos que o Senhor se importa conosco por completo e que manifesta sua salvação a nós sempre no ponto que mais precisamos. Este homem foi liberto, eu fui quebrado e tive relacionamentos restaurados. Outros deixaram as drogas e tantos outros a futilidade, simplesmente. Mas o Senhor não permite que ninguém o encontre e continue o mesmo. Principalmente se continuar o mesmo significar não ter uma vida digna, completa.

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