sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O rico e Lázaro: a justa balança de Deus

Quem está acompanhando os devocionais que tenho postado aqui tem percebido a incidência de temas relacionados à justiça social, ao desapego material e à uma prática inclusivista do evangelho. Isso por causa das opções de ênfase que Lucas faz em seu texto, sobre as quais já comentei em outros momentos aqui também.

Mais uma vez, o evangelho de Lucas, num texto que lhe é exclusivo, trará uma fala de Jesus que condena um rico e exalta um pobre. Lucas 16.19-31 mostra-nos Jesus a contar uma história, sobre um homem rico que "vivia todos os dias regalada e esplendidamente", vestindo-se do que havia de melhor (16.19), e outro homem que "jazia cheio de chagas à porta daquele". Esse segundo homem, diz o texto, desejava até alimentar-se do que caía da mesa do homem rico e tinha suas feridas lambidas pelos cães. Uma situação deplorável e miserável.

Jesus quer mostrar a justiça de Deus com esse exemplo. Ele diz que o homem rico foi para o inferno, pois "havia recebido todos os seus bens em vida, ao passo que Lázaro somente males" (16.25). Agora, continua o texto no mesmo verso, Lázaro era consolado e o homem rico atormentado. A justiça de Deus, no último dia de cada um daqueles personagens, havia equilibrado a balança.

Não devemos, porém, pensar que o homem rico foi condenado simplesmente por ser rico. Assim como não devemos entender que Lázaro recebeu consolo eterno só por ser pobre. O texto não detalha sobre Lázaro, mas nos deixa entender que ele viveu à margem da atenção do homem rico. Lázaro recebeu mais atenção dos cães que lhe lamberam as chagas do que homem que, dia após dia, o via jazer à sua porta.

O termo "jazia" é muito forte para esse texto. Deriva do verbo ballo, no grego, que tem a tradução mais simples por "jogar fora". Lázaro estava  jogado à porta do homem rico, que o desprezou por toda a sua vida, mesmo tendo condições de livrá-lo daquela situação. O homem fora condenado por ter vivido para o seu próprio prazer e conforto a despeito do sofrimento de seu próximo.

Em poucos e breves termos, qualquer postura nossa semelhante à do homem rico é reprovada pelo Senhor. O capitalismo aprova e motiva o que o Senhor condena, promovendo o acúmulo e o individualismo. Já o Justo Senhor, faz do sofredor um consolado e do opressor um condenado. Ele atenta para quem não recebe atenção e misericórdia e sua justiça não poupa o que recebe dádivas e não as usa devidamente.

No fim, sua justa balança equilibra as injustiças da vida. De qual lado nos encontraremos nesse dia?

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