sábado, 10 de setembro de 2011

O perigoso bem estar religioso

Ainda meditando sobre o Evangelho de Lucas, agora nos versos 9.28-36. Jesus havia subido a um monte para orar, quando ocorreu a sua transfiguração. Seu rosto mudou e suas vestes ficaram brancas e resplandecentes. Moisés e Elias apareceram-lhe de forma gloriosa e uma nuvem os cobriu. Pedro, Tiago e João viram o ocorrido, pois haviam subido ao monte com Jesus.

É fácil notar que Pedro é muito espontâneo, pela leitura dos evangelhos. E mais uma vez ele se manifesta, ao fim da visão, dizendo a Jesus que estar ali era muito bom e que eles deveriam armas tendas para Jesus, Moisés e Elias, afim de que aquele momento glorioso e místico não acabasse. O verso 33 diz que ele não sabia o que estava dizendo...

Sua atitude é muito comum no meio religioso e digo com ênfase no meio evangélico. Estar na igreja é muito bom. Ouvir a palavra de Deus, sentir a presença do Espírito Santo, louvar a Deus com os irmãos no culto, compartilhar experiências numa reunião menor, etc.. Graças a Deus por isso, graças a Deus que esses precisos momentos fazem parte da vida de muitos de nós. Porém, nossa vida cristã não pode se resumir a eles.

Em determinado momento da minha caminhada cristã senti-me como Pedro, porém parecia estar com as tendas feitas contra a minha vontade. Trabalhava com pessoas cristãs - todos no meu trabalho eram cristãos, estudava teologia numa faculdade evangélica e meus programas eram com amigos cristãos. Bom? Por um lado sim, mas quem conheceria a Cristo através de mim? A quem eu pregaria o Evangelho? Isso começou a me oprimir em determinado momento e me lembro que este texto de Lucas iluminou-me um pouco.

Jesus, Moisés e Elias conversavam naquele momento sobre a morte de Jesus, que aconteceria em Jerusalém. Os planos de Jesus já incluíam descer do monte direto a Jerusalém, para ser crucificado. O monte era muito bom. Ali havia experiências sobrenaturais, uma nuvem de glória e a intensa presença de Jesus. Mas o assunto era o sacrifício de Jesus, e era necessário descer do monte para cumprir esse propósito e ir a Jerusalém.

Num paralelo bem simples e direto, já me vi e vejo muitos cometendo o erro de Pedro: quero muito estar na igreja, ter comunhão, receber "mais de Deus" (ô expressãozinha!), aproveitar as experiências espirituais. Tanto que nem penso em Jerusalém... Tanto que quero armar ali umas tendas e por ali ficar indefinidamente. E como Pedro, não sei o que digo.

Descer do monte é preciso. O propósito se cumpre em Jerusalém, se cumpre no sacrifício e ele é feito lá embaixo. O monte nos anima, renova, dá forças. Mas o objetivo está monte abaixo. A igreja é onde nos reunimos e fortalecemos com os irmãos. Mas nosso campo é o mundo. Não podemos armar ali tendas, pois assim esconderemos a nossa luz, que deve ser mostrada a todos.

Se formos bom religiosos, amaremos o monte, o conforto e o bem estar da religião. Se formos cristãos de verdade, nosso coração nos levará a Jerusalém, como o do Senhor o fez. Aí sim, saberemos o que estamos fazendo.

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