quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A figueira estéril e a vida religiosa

Outro dia um seminarista me questionou sobre a razão de Jesus ser tão duro em seus discursos. Disse que se fosse seguir o exemplo de Jesus acabaria por afastar as pessoas do evangelho, ao invés de atraí-las. "Jesus chamava mentiroso de mentiroso e dizia que eles iriam pro inferno. Chamou um e outro de raça de víbora (se bem que isso foi João Batista), sepulcro caiado, e etc.. Se for agir igual a ele..." - disse.

Sua pergunta me fez refletir e lembrar - meio que infelizmente - com quem Jesus era mesmo tão severo em seus discursos. E adivinhe? Com os religiosos. Jesus era verdadeiro o tempo todo, ele não maquiava a verdade para ninguém. Dizia o que precisava ser dito para o mais simples e para o mais importante, sem reservas. Mas quando se dirigia aos fariseus, aos escribas, aos sacerdotes, àqueles que vivam do comércio templo... O tempo fechava!

E em Lucas 13.6-9 o Mestre conta uma parábola que nos remete diretamente aos religiosos, também fazendo refletir sobre a razão do seu duro discurso. A parábola da figueira estéril diz que o dono de uma figueira procurou nela fruto por três anos, mas sempre sem sucesso, até que resolveu cortá-la. Então, um funcionário seu se propõe a cuidar da figueira por mais um ano, fertilizando-a, para que dê fruto. Caso contrário, o dono a cortaria.

Os religiosos eram como a figueira: ao olhar para ela, via-se uma árvore frutífera e esperava-se achar algo de bom ali. Mas, como só havia a aparência, ela para nada servia; poderia ser cortada, pois a terra estaria melhor sem ela. E o risco de sermos como a figueira é grande. Muitos já se acostumaram com a religião e acham que só por fazer parte do grupo social já estão fazendo o correto. Mas figueira infrutífera não é figueira, pois não tem figo. Assim com religiosos sem resultados não são religiosos: Jesus os chamará de hipócritas, sepulcros caiados (bonitos por fora, mas podres por dentro), copos lavados somente do lado de fora, etc.

Se nos dizemos do Senhor, nossos frutos devem ser vistos por ele. Não tenhamos apenas aparência frutífera, mas frutifiquemos de fato. Uma entrega sincera e completa a Cristo nos leva a frutificar, pois sua vontade passa a fazer parte da nossa. Enquanto uma vida simplesmente religiosa adorna a nossa aparência, mas não muda a nossa própria vida nem a de ninguém.

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