quinta-feira, 29 de setembro de 2011

At 3: Seguro hoje, livre do ontem

Pedro e João, no capítulo 3 de Atos, iam ao templo para orar. No caminho, um aleijado lhes pede alguma esmola, como costumara fazer sempre naquela hora e lugar. Pedro, com uma ousadia e determinação que lhe foram forjadas no caminhar com Jesus, ordenou que o homem se colocasse de pé e andasse, no nome de Jesus. Este milagre foi percebido por muitos, pois o coxo era bem conhecido.

O Apóstolo Pedro é quem mais aparece perguntando algo a Jesus. É sempre o primeiro a tomar a palavra nalguma discussão e também quem mais teve experiências marcantes com Cristo. Foi ele que andou sobre as águas e que, junto Tiago e João, viu a transfiguração de Jesus. Também com esses dois, Jesus fez um milagre que os permitiu pescar muitos peixes após toda uma noite de trabalho frustrado, duas vezes. E apesar disso tudo, ele ainda negou a Cristo próximo da crucificação.

Em Atos começamos a ver um Pedro diferente. Seu último encontro com Jesus, após a frustração de tê-lo negado, realmente lhe transformou. Este encontro é narrado em João 21 e eu escrevi sobre ele aqui. Pedro entendeu naquele momento que recebera o perdão de Jesus por seu erro. E o Pedro que conhecemos agora reflete esse fato.

A ousadia do Apóstolo que outrora estava ferido mas foi curado, mostra-nos como não devemos ficar presos ao nosso passado. O Pedro de Atos parece nunca ter tido um problema que o acusasse, nunca ter vacilado com Jesus antes. Tinha certeza de seu perdão e agia como de fato era: alguém seguro, confiante, ousado, sem traumas, medos e dúvidas relacionados ao seu passado. Por que seu erro fora de fato perdoado e ele realmente seguiu em frente.

O que o Senhor pode e quer fazer em nós e através de nós é mais importante e forte do que aquilo que já fizemos ou deixamos de fazer. A exemplo de Pedro, podemos ser usados por Deus independente do nosso passado, pois o Senhor está sempre pronto a nos perdoar e quer que sigamos adiante. Que o exemplo desse homem que tentou, falou, viveu, arriscou, errou, se feriu e foi sarado anime a cada um que pode ter algum problema com seu passado. Pois o Senhor mais pode fazer no nosso presente e futuro, se nos esquecermos do que para trás ficou.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

At 2: Divisão em Babel, união no Pentecostes

O texto de Atos 2.1-13 é um dos mais famosos da Bíblia. Conta sobre o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo manifestou-se pela primeira vez de forma permanente na vida dos discípulos de Jesus. A partir de então, todos os que recebem a Cristo recebem seu Espírito, pois foi o próprio Jesus quem o enviou (At 1.4-8).

Chama-me a atenção a característica da primeira manifestação do Espírito Santo. Todos os que ali estavam reunidos, diz o texto, começaram a ouvir os demais em sua própria língua natal, mesmo sendo de nacionalidades e idiomas diferentes. Cada um entendia perfeitamente o que o outro falava (At 2.6-11).

Este fato é um contraponto à famosa torre de Babel. Naquela ocasião, o povo quis construir uma torre que chegasse tão alta quanto Deus. Era uma prova inegável de seu orgulho e prepotência, querendo ser tão grande quanto o Senhor, repetindo o erro de Lúcifer. Naquela ocasião o Senhor lhes confundiu a língua, de forma que ninguém entendia o que era dito pelo outro.

Neste momento, o Senhor faz justamente o contrário. O Espírito Santo unifica as línguas, passando todos a ouvirem aos demais em seu próprio idioma. E esta é uma das maiores características do cristão: ele vive em unidade, de acordo com a vontade do Espírito. Se estamos vivendo como o Espírito Santo nos orienta, não teremos problemas de relacionamento em nossa vida, pois o Espírito nos leva a ter paz com todos.

O Espírito Santo é capaz de transformar qualquer situação de maldição em bênção; de tristeza em alegria; de choro em riso; de conflito em paz. Reflitamos sobre nossos relacionamentos, sobre a forma como lidamos com vizinhos, amigos, parentes. Principalmente aqueles que não conhecem o Senhor. Será que conseguimos, com a ajuda do Espírito Santo, falar a mesma língua que eles, para sermos entendidos e trazê-los a Cristo?

Oremos e busquemos a Deus para que isso seja possível. Que o Senhor nos dê a unidade promovida pelo seu Espírito. Pois muitas vezes não falamos sequer a língua do nosso irmão em Cristo... Que dirá alguma através da qual alguém entenda e venha seguir a Jesus?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

At 1: O discipulado cristão nos moldes de Jesus

"Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas também a ensinar, até o dia em que foi recebido em cima no céu, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera."
Atos 1.1-2

Com estes dizeres Lucas começa a narrativa de Atos dos Apóstolos, continuando o que começara com o Evangelho. No último capítulo do Evangelho de Lucas entendemos Jesus falar sobre o que seriam os primeiros passos na fé cristã: conhecimento das Escrituras; reconhecimento de Jesus como Messias e recebimento do Espírito Santo. Disse isso aqui no blog no último post. Agora, no primeiro de Atos, o mesmo autor nos diz que a caminhada com os discípulos também foi acompanhada de três bases: exercício da fé, ensino e mandamentos orientados pelo Espírito Santo.

Entendemos que a caminhada tem em comum com o primeiro passo a presença do Espírito Santo e o ensino/aprendizado das Escrituras. Ambos são necessários tanto para conhecermos a Deus como para continuarmos crescendo com ele. Se não entendermos as Escrituras, não formos ensinados nela, não buscaremos a Deus corretamente. E se o Espírito Santo não nos iluminar o entendimento e der esclarecimento da sua Palavra, adquiriremos conhecimento que não conseguiremos pôr em prática.

E a caminhada também é marcada pelo exercício da fé, pelo serviço. Jesus discipulou, ensinou e orientou os seus no caminho. O Mestre teve alguns admiradores à distância, como foi o caso de José de Arimatéia e Nicodemos (João 19; também falei sobre eles aqui), mas aqueles que o seguiram e que foram capazes de dar continuidade à fé após a morte e ressurreição de Jesus foram os que caminharam com ele de dia, pregando o Evangelho e sendo acrescentados por ele. Não há discipulado sem serviço, mas sim no serviço cristão.

Então, se queremos caminhar com Jesus, no discipulado que recebemos e naquele que ministramos, devemos prezar pelo ensino das Escrituras, pela presença e direção do Espírito Santo e pelo serviço. Assim seremos capazes de assimilar a fé cristã e de disseminá-la, como fizeram aqueles sobre quem todo o livro de Atos nos falará.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Os primeiros passos na fé segundo Jesus

Final do evangelho de Lucas. Jesus morreu, ressuscitou e agora aparece aos seus discípulos. Eles ficam tão alegres com tal notícia, de que o Mestre estava vivo, que mal conseguem acreditar no fato (24.41). Jesus come com eles e deixa as últimas palavras que Lucas registra. O verso 24.45 diz:


"Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras"


Mesmo tendo andado com os discípulos por 3 anos, nesse momento específico é quando Jesus lhes abre o entendimento, para que compreendessem os detalhes das Escrituras acerca do Messias, principalmente. Nesse  momento, os discípulos têm certeza de que as Escrituras falavam a respeito de Jesus.

Então, Jesus deixa as últimas palavras que Lucas registra:

" Eis o que está escrito: O Cristo padecerá, e ao terceiro dia ressurgirá dentre os mortos, e em seu nome se pregará o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Envio sobre vós a promessa de meu Pai; mas ficai na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder."


Estas palavras interpretam o que as Escrituras dizem sobre o Messias para os discípulos e lhes prometem a vinda do Espírito Santo. O próprio Lucas narra o primeiro episódio em que o Espírito se faz presente, em Atos 2.

A vida cristã dos discípulos, no mesmo molde da nossa, começa nesse momento. Até então eles caminharam com o Jesus encarnado e agora têm o desafio de caminhar com o Jesus ressurreto, presente através do Santo Espírito que ele prometera.

Estes são os primeiros passos na fé à qual somos chamados através de Lucas: entendemos a mensagem do Evangelho, conhecendo as Escrituras; reconhecemos que Jesus é o Messias, nosso salvador e recebemos o Espírito Santo. Assim, estamos prontos para iniciar nosssa caminhada.

Nenhum dos três pontos são negociáveis para uma vida cristã autêntica e plena. Se queremos caminhar com Jesus, observemos todos estes pontos em nossa vida. Caso haja a falta de algum deles, o mesmo Jesus que, ressuscitado ensinou isso aos discípulos, está conosco para fazer o mesmo.

sábado, 24 de setembro de 2011

Herodes - expectativa errada, experiência frustrada com Jesus

O capítulo 23 de Lucas narra o julgamento de Jesus perante Pilatos e Herodes, sua condenação e crucificação. Ao ler o capítulo, talvez você tenha uma pequena surpresa como eu tive: ver que Herodes, governador da Galiléia, estava interessado em conhecer Jesus (23.8).

O texto diz que ele tinha esse interesse e ainda nos dá o motivo: havia ouvido falar muito de Jesus e queria ver algum sinal feito por ele.

A esperança de Herodes sobre Jesus coincide com a de muitos interessados que procuram uma igreja hoje. Pessoas querem ver algum milagre, sinal, algo palpável em que possam crer. Uma solução urgente para um problema complicado, uma cura, etc.. Aquilo o que Herodes fez, perdura já por muito tempo...

E a atitude de Herodes que segue seu encontro com Jesus também é muito repetida. Lucas nos diz que Jesus foi interrogado por ele com muitas palavras, mas não respondeu nada (23.9). A reação do governador, então, é tratar Jesus com desprezo e zombar dele, enviando-o de volta a Pilatos.

Herodes teve uma reação errada a Jesus por que tinha sobre ele uma esperança também errada. Certamente, se ele quisesse ouvir um ensino coerente sobre as Escrituras, teria sido satisfeito. Caso quisesse conversar com Jesus sobre ele ser ou não o Cristo, mas com uma intenção correta, não teria o problema que teve.

Esse ciclo herodiano repete-se todos os dias no meio cristão. Pessoas esperam de Jesus algo que não o principal de sua obra como se fosse. Quando não veem o Senhor fazer nada do que gostariam, frustram-se e afastam-se da fé que outrora quiseram seguir.

Se alimentarmos e pregarmos corretamente a palavra de Deus, geraremos expectativas corretas sobre Jesus em nós mesmos e em quem nos ouve. Porém, se o fizermos de outra forma, expectativas erradas gerarão decepções, assim como a de Herodes, e podem fazer com que alguém que poderia desenvolver sua fé naquele momento, perca a oportunidade de salvar-se e tornar-se um cristão verdadeiro.

O que esperamos do Senhor determina como será nosso encontro e caminhada com ele. E o que pregamos, influencia no encontro e na caminhada do próximo. Que sejamos conscientes e cautelosos, pois as consequências de um evangelho mediano e de uma pregação superficial ou distorcida do evangelho não podem ser desprezadas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Quanto menor, melhor

Imagine um sujeito exemplar. Humilde, atencioso, solícito. Respeitoso, que se relaciona bem com seus pais, demais familiares e amigos, tendo já ajudado a muitos em momentos de dificuldade. Além disso, alguém sempre feliz, mesmo que passando por dificuldades. Pronto? Esse sujeito raro, caso possua todas essas qualidades, corre o sério risco de tê-las aprendido com a palavra de Deus.

A Bíblia nos traz orientações e mandamentos capazes de desenvolver em nós todas as virtudes acima. Um grande exemplo de orientação de Deus que nos molda para sermos melhores é a humildade de Jesus. Lucas 22.24-30 narra-nos um episódio em que Jesus mostra aos discípulos como ele vinha se portando: como o menor dentre eles, mesmo sendo Senhor e Mestre. Jesus serviu aos discípulos e assumiu o menor papel, mas ainda assim os discípulos entraram numa discussão para ver quem era o maior.

Jesus assumiu a forma de servo e humilhou-se a si mesmo, indo até a cruz (Fp 2). Ele lavou os pés dos discípulos (Jo 13) e disse que nenhum servo é maior do que o seu Senhor, portanto eles deveriam fazer o mesmo.

Obedecer a Cristo aperfeiçoa nosso caráter. Se seguirmos o exemplo de humildade e serviço de Jesus, nos tornaremos pessoas mais calmas, com maior domínio próprio, que não se estressam com qualquer coisa. Se aprendermos a servir nosso próximo e a "levar desaforo pra casa", nos tornaremos pessoas mais humildes. O fim de todo mandamento é esse: que a obediência deixe de ser um padrão repetido e passe a ser a opção de um homem livre e consciente, que teme a Deus. Assim, as virtudes compreendidas em cada atitude que nos é ordenada tomar, farão parte de nosso caráter.

O Mestre nos disse que o maior deve portar-se como o menor, assim como ele fez. Obedeçamos a Deus por que ele é nosso Senhor, e é ele quem governa sobre nós. E obedeçamos também por querermos ser pessoas melhores, pois seus mandamentos produzirão tal fruto em nós. Quanto menores formos, melhores seremos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Sermão profético de Jesus - para crer e aprender

Lucas 21, Mateus 24 e Marcos 13. Jesus, entrando na semana da crucificação, faz um discurso profético sobre uma série de eventos que precederiam a sua volta e o juízo de Deus sobre a terra e os homens. Nossas Bíblias costumam dar o título a este texto de "O sermão profético, o princípio das dores". Jesus fala sobre muitas coisas ruins e difíceis que aconteceriam, como perseguição aos cristãos, desastres naturais e guerras.

Com o passar do tempo, esse discurso fica cada vez mais vivo. Temos a impressão, pelas profecias de Jesus ali, que sua volta acontecerá daqui a pouco. Após fazer várias predições do que disse acima, o Mestre diz no verso 28 que quando essas coisas começarem a acontecer, significa que nossa redenção está próxima. O Senhor está voltando!

Em 70 d.C., o Império Romano estava sofrendo uma grande resistência por parte dos judeus, que expulsaram seus soldados de algumas e cidades e insistiam em resistir, buscando sua independência. Numa investida militar grande e organizada, o General Tito, filho do Imperador Vespasiano, invade Jerusalém, retoma a cidade e destrói o Templo. Para os cristãos, Jesus poderia voltar no outro dia, que não seria surpresa.

As palavras de Jesus no seu discurso profético salvaram muitos naquele dia. O Senhor disse:

"Quando vires Jerusalém cercada por exércitos, sabereis que é chegada a sua desolação. Então os que estiverem na Judéia, fujam para os montes, os que estiverem no meio da cidade, saiam, e os que estiverem nos campos, não entrem nela."


Os exércitos de Tito haviam cercado todos os resistentes em Jerusalém, após enfraquecê-los. Assim, cercaram a Jerusalém e ali confinaram os últimos rebeldes, invadindo a cidade e destruindo-a. Por causa das palavras de Jesus, tão claras e específicas, muitos se salvaram naquele dia. Os cristãos, mesmo os que num primeiro momento participaram da rebelião, ao verem Jerusalém cercada como estava, obedeceram a Jesus e fugiram. Os cristãos não participaram da batalha. Naquele dia, não há relatos de morte de cristãos na luta.

Agora, transporte-se para aquela situação. Você ouviu ou leu o discurso de Jesus e viu tudo acontecer conforme sua predição. E atentou para ela, salvando sua vida da espada romana. Tendo acontecido isso, será que não você não passaria, caso ainda não o fizesse, a acreditar em todas as palavras de Jesus?

O Senhor sabe o que é melhor para nós. E ele é conhecedor de todas as coisas, das que vieram e das que ainda virão, dando-nos sempre as orientações corretas. Assim, devemos atentar para suas últimas palavras no sermão:

"Acautelai-vos por vós mesmos, para que não aconteça que os vossos corações se sobrecarreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos pegue de surpresa, como uma armadilha. Pois cairá sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai em todo o tempo, e orai para que sejais havidos por dignos de escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho de homem."


Crer nas palavras de Jesus salvou a vida de muitos naqueles dias, e ainda continua acontecendo o mesmo. As palavras do Senhor para nós garante-nos uma vida abundante, mesmo na tribulação. E sua veracidade é provada pela história a cada cumprimento que atinge, e também pela transformação nas nossas vidas. Portanto, não tenhamos reservas para crer que o Senhor tem o melhor para nós. Obedeçamos, pois assim viveremos. Física e espiritualmente.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A justiça de Cristo sobre os falsos religiosos

Acredito já ter dito isso em outro momento aqui, mas já repararam que Jesus pega mais pesado com os religiosos do que com qualquer outro grupo? Os fariseus, saduceus, escribas e sacerdotes eram aqueles a quem Jesus dirigia suas mais duras palavras, pois eles julgavam conhecer o caminho do Senhor, mas desprezavam a prática da justiça e preferiam sua religião e status a ética, moral e devoção.

Em Lucas 20.41-47 Jesus faz mais um duro discurso contra os escribas, no qual ele nos mostra duas de suas características. Primeiro, que eles tinha uma expectativa errada sobre o Messias. O Mestre diz que o Cristo é maior do que Davi, mostrando que até mesmo Davi se submetia ao Cristo que viria. Isso é difícil para um judeu que olhava para a lei e os profetas de forma literal, pois esperavam uma libertação política de Israel por meio do Cristo. Sendo ele filho de Davi, levaria de volta a Israel a época de ouro de seu reinado. Jesus, apesar de ser descendente de Davi, diz não poder ser chamado seu filho, pois lhe é superior e não dá continuidade à sua obra no sentido que os escribas, neste caso, entendiam.

Segundo, os escribas eram religiosos que gostavam de ter destaque e honra entre o povo, buscando os primeiros lugares nas reuniões religiosas e nos banquetes. Gostavam da pompa que sua posição lhes permitia usurpar. E ainda "devoravam as casas das viúvas, fazendo, por pretexto, largas orações" (vs. 20.47). Para estes, que se portavam como quem merecesse honra, mas exploravam os mais simples com um pretexto religioso, Jesus diz que haverá maior condenação, no fim do mesmo verso.

Isso é promessa de Deus. Boa para alguns, que têm sede de justiça e serão saciados. Terrível para outros, que se encontram no papel dos escribas: tendo uma expectativa/compreensão errada de Jesus (ou pregando-o assim) e que usam a religião para explorar pessoas bem intencionadas. Não preciso usar exemplos para que você identifique vários grupos que se encaixam nessa descrição. A própria polêmica que ronda nosso meio nos últimos dias nos lembra um bocado disso...

O Senhor é justo. E podemos esperar descansados, que sua justiça alcançará tanto o oprimido, para alívio, quanto o opressor para condenação. Apenas busquemos fazer o oposto dos escribas: compreendamos e preguemos a Jesus corretamente e usemos de bondade para com quem precisa. Assim, sua justiça será um alívio para nós.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Bom crente ou bom cristão?

Quem já é cristão há algum tempo e nunca ouviu uma mensagem sobre Zaqueu, que está em Lucas 19? Outro dia fiz uma brincadeira séria na igreja. Perguntei quantos já haviam escutado várias pregações comuns que já se tornaram clássicas, como Zaqueu esforçar-se para ver Jesus, José não desistir do seus sonhos, um paralelo entre o serviço de Marta e a devoção de Maria, entre outras. A grande maioria respondeu postivamente, pois eram cristãos já há algum tempo. Então, perguntei quem sabia quais eram os evangelhos sinóticos, quem era o autor de Hebreus, para qual público algum dos evangelhos havia sido escrito... Se uma agulha caísse naquele momento, ouviríamos um som relevante.

Muitos de nós precisamos pensar no parágrafo anterior. Podemos estar sendo muito evangélicos, muito "crentes", num sentido não-bom do termo, e pouco cristãos. Conhecemos as principais mensagens, sabemos a liturgia de um culto. Já prevemos em qual momento o Pr. do culto dominical vai recolher os dízimos e as ofertas e até que músicas serão tocadas no louvor. Estamos acostumados a sermos religiosos, mas não nos dedicamos suficientemente à leitura da Palavra como bons cristãos. Principalmente se você também ficou meio perdido com as perguntas acima, se vendo como aquela congregação.

Todas as perguntas que fiz são muito básicas. E como cristãos confessos, é vergonha para nós não sabermos respondê-las. Será que conseguiríamos resumir a história de Israel em poucas linhas e sem consulta? E o sermão do monte? Qual a mensagem principal de Jesus? O que ele mais aprova e mais condena, o que lhe agrada de fato? Quantos livros tem a Bíblia, e por que ela tem tanta autoridade? Qual a história da nossa igreja, ou ainda melhor, por que fazemos parte de tal denominação e não de outra? Sabemos a diferença doutrinária entre elas e foi isso o que motivou nossa escolha?

Poderia fazer perguntas básicas que confrontariam muitos durante um bom tempo. Mas por aqui já conseguimos entender a mensagem: precisamos de fato investir em nossa vida cristã, além da religiosa. Se você se pegou como um dia eu também me vi, religioso demais e cristão "de menos", valorize mais a leitura bíblica, a vida de oração e o jejum. Devote-se!

Finalmente, o texto começou motivado pela leitura do episódio de Zaqueu, em Lucas 19.1-10. Que tal você ler todo o trecho e perceber, por si só, que o principal da mensagem não é o fato de Zaqueu ter subido no sicômoro para ver Jesus? Leia o texto lembrando-se da ênfase de Lucas na questão social e da inclusão dos marginalizados. Repare em quem era Zaqueu, quem era Jesus e quem estava à volta. E acostume-se, pois muitas vezes uma simples leitura cuidadosa nos mostra que nem tudo é tão simples. Ou melhor, tão superficial.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Diferentes valores

"Disse-lhes ele: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus, e não receba  muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna."


Jesus disse estas palavras após ser procurado pelo jovem rico, ao qual orientou a vender tudo o que tinha e repartir com os pobres. Jesus disse que seria muito difícil entrar um rico no reino. Pedro, então, destaca que ele e os discípulos haviam deixado tudo para seguir a Cristo. Então, Jesus lhes diz o que está acima.

Sempre que me deparo com alguns textos bíblicos como esse, penso em como não acreditamos de fato no que a Bíblia diz. Nos dizemos cristãos, mas o que fazemos com o texto que nos manda dar a quem nos pedir e não negar a quem nos pede emprestado? E com a mensagem de João Batista, que nos ensina a repartirmos o que temos, e isso como base de conversão? Ou ainda, com outra fala de Jesus, que nos orienta a não ajuntarmos tesouros na terra, mas no céu?

Assim como aqueles, o desafio proposto ao  jovem rico por Jesus é ignorado por muitos. Jesus despreza as riquezas, o acúmulo de bens, o individualismo na questão material. O mais importante, para ele, é o bem estar comum. Para nós é o próprio bem estar.

No reino de Deus há uma lógica inversa. Jesus promete muito mais àqueles que deixarem o que possuem e amam por amor a ele. É fato que ele não está dizendo que o rico que deixar seus bens ficará ainda mais rico. Possivelmente, viva definitivamente com menos do que tinha. Mas quando o Senhor diz que tal receberá muito mais, ele está dizendo que há coisas muito mais importantes e preciosas, ainda nesta vida, do que as posses e mesmo do que os relacionamentos pelos aos quais estimamos.

Um dos maiores ensinamentos de Jesus é a sua inversão de valores. Ele nos mostra importâncias maiores do que a nossa visão limitada poderia enxergar naturalmente. Que os relacionamentos são mais importantes do que o nosso orgulho. Que o bem estar comum é mais importante do que o acúmulo de capital. Que o amor é superior a tudo, inclusive ao legalismo religioso. E que a graça que ele oferece é mais eficiente que o cumprimento da lei. Como não ser nova criatura, também em termos de valores, ao abraçarmos seu evangelho?

Podemos com segurança viver o que Jesus nos orienta. Se cremos de fato em suas palavras, viveremos sua boa, perfeita e agradável vontade. Se de fato cremos no que ele nos tem dito, priorizaremos o que é importante para ele e descansaremos nessa confiança. Se recebermos de volta o que o Senhor sabe que é mais importante do que aquilo que mais prezamos, estaremos bem e seguros. Além de o obedecermos, que é nosso grande objetivo.

sábado, 17 de setembro de 2011

Serviço sem créditos e vida sem débitos

Chego ao final de algumas falas de Jesus sempre imaginando quantos se levantaram naquele momento e arrumaram alguma desculpa para ir embora. Jesus não tinha reservas para dizer a verdade e nem pensava duas vezes para expor seus pensamentos. Era sincero, duro e cheio de autoridade - verdadeira autoridade. Seus discursos muitas vezes eram duríssimos.

Lucas 17.7-9 é um desses duros discursos. Jesus fala sobre a postura que seus servos devem ter. E, para trocar em miúdos bem claros, ele diz que aquele que o serve não deve buscar privilégios ou se ver na posição de alguém com créditos, mas estar ciente de que é um servo inútil que, servindo, sabe não ter feito mais do que sua obrigação.

Nós fomos criados para adorar a Deus. A única possibilidade de um estilo de vida que nos complete é andarmos com Deus, tendo comunhão com ele e o glorificando. Fazendo assim, somos como uma máquina que é utilizada para a função correta e desenvolve toda a sua capacidade de trabalho. Caso contrário, somos sub-utilizados no pecado, na auto-satisfação, no egocentrismo. Só somos totalmente felizes e realizados se cumprimos o propósito para o qual fomos criados. É como se fosse nossa programação inalterável.

Servir a Cristo não é fácil. Outro exemplo disso é o discurso de Jesus sobre o discipulado pouco antes no texto, em Lc 14.25-35. Ele diz que é preciso abrir mão da família e até mesmo da própria vida, tomar cada um sua cruz e seguir-lhe, se quisermos ser seus discípulos. Não é fácil. Porém, é aí que cumprimos o nosso propósito. Servir a Cristo é tão satisfatório que pode fazer um mártir sofrer e morrer em meio a dores, mas com o coração satisfeito e completo.

Tudo o que Jesus tinha que fazer por nós ele já fez. Por graça e misericórdia dele, ainda recebemos muitas de suas bênçãos nas nossas vidas. Mas somos nós quem deve fazer algo pelo Mestre, pois seu sacrifício completo já está diante de nós. Por isso, o duro discurso de Jesus faz sentido: por mais que o sirvamos, não somamos créditos. Por mais que nos entreguemos, não temos direito ou vantagem alguma sobre ele.

Injusto? Parece que somos controlados por um Deus autoritário e ditador, ingrato, que não é capaz de reconhecer nosso esforço e limitação? Não é verdade. Servimos a um Deus que, ao ver nosso esforço e dedicação não nos contabiliza créditos, pois já estamos em dívida por causa da salvação. Porém, esse mesmo Deus não nos contabiliza débitos, por causa da sua graça. Por isso ele é justo. Certamente, nossa balança estaria negativa, mas sua graça faz pesar o outro lado. Graças a Deus por isso, e a ele o nosso serviço.

P.S.: recomendo a leitura da crônica "Sem contabilidade", do Rubem Alves, onde ouvi a aplicação dessa ilustração de débitos e créditos pela primeira vez.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O rico e Lázaro: a justa balança de Deus

Quem está acompanhando os devocionais que tenho postado aqui tem percebido a incidência de temas relacionados à justiça social, ao desapego material e à uma prática inclusivista do evangelho. Isso por causa das opções de ênfase que Lucas faz em seu texto, sobre as quais já comentei em outros momentos aqui também.

Mais uma vez, o evangelho de Lucas, num texto que lhe é exclusivo, trará uma fala de Jesus que condena um rico e exalta um pobre. Lucas 16.19-31 mostra-nos Jesus a contar uma história, sobre um homem rico que "vivia todos os dias regalada e esplendidamente", vestindo-se do que havia de melhor (16.19), e outro homem que "jazia cheio de chagas à porta daquele". Esse segundo homem, diz o texto, desejava até alimentar-se do que caía da mesa do homem rico e tinha suas feridas lambidas pelos cães. Uma situação deplorável e miserável.

Jesus quer mostrar a justiça de Deus com esse exemplo. Ele diz que o homem rico foi para o inferno, pois "havia recebido todos os seus bens em vida, ao passo que Lázaro somente males" (16.25). Agora, continua o texto no mesmo verso, Lázaro era consolado e o homem rico atormentado. A justiça de Deus, no último dia de cada um daqueles personagens, havia equilibrado a balança.

Não devemos, porém, pensar que o homem rico foi condenado simplesmente por ser rico. Assim como não devemos entender que Lázaro recebeu consolo eterno só por ser pobre. O texto não detalha sobre Lázaro, mas nos deixa entender que ele viveu à margem da atenção do homem rico. Lázaro recebeu mais atenção dos cães que lhe lamberam as chagas do que homem que, dia após dia, o via jazer à sua porta.

O termo "jazia" é muito forte para esse texto. Deriva do verbo ballo, no grego, que tem a tradução mais simples por "jogar fora". Lázaro estava  jogado à porta do homem rico, que o desprezou por toda a sua vida, mesmo tendo condições de livrá-lo daquela situação. O homem fora condenado por ter vivido para o seu próprio prazer e conforto a despeito do sofrimento de seu próximo.

Em poucos e breves termos, qualquer postura nossa semelhante à do homem rico é reprovada pelo Senhor. O capitalismo aprova e motiva o que o Senhor condena, promovendo o acúmulo e o individualismo. Já o Justo Senhor, faz do sofredor um consolado e do opressor um condenado. Ele atenta para quem não recebe atenção e misericórdia e sua justiça não poupa o que recebe dádivas e não as usa devidamente.

No fim, sua justa balança equilibra as injustiças da vida. De qual lado nos encontraremos nesse dia?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Jesus prefere os pecadores

Nos dez primeiros versos de Lucas 15 Jesus conta-nos s parábolas da centésima ovelha e da dracma perdida, ambas trazendo a mesma mensagem: o arrependimento de um pecador traz mais alegria do que muitos justos que não precisam de arrependimento.

Jesus contou essas parábolas devido ao questionamento feito pelos fariseus e escribas, os religiosos judaicos (pra variar), sobre o fato de ele receber pecadores e comer com eles. Na ocasião, o Senhor estava conversando com vários cobradores de impostos e pecadores.

Lucas tem ênfases muito bem definidas em seu texto e a repetição da valorização de determinadas classes e grupos discriminados nos demonstra uma delas, que é a preocupação de Jesus com aqueles que são considerados inferiores pelos demais. Além da quebra que Jesus faz da "importância" dada aos religiosos. Como vimos no devocional de ontem, é para eles que o Mestre profere os discursos mais pesados.

Se seguirmos o exemplo de Jesus na escolha de suas companhias, concluiremos que nosso lugar também é com os pecadores. Jesus não procurava a companhia dos religiosos, mas sempre buscava aqueles "que precisavam de médico", como ele mesmo disse. Os religiosos, inflamados por sua soberba, também precisavam de cura. Mas por não reconhecerem isso, Jesus se dirigia àqueles que reconheciam. Por isso diz, noutro momento, que as prostitutas e os cobradores de impostos entrariam no reino antes dos religiosos (Mt 21.31).

O cristão é a carta de Deus para o mundo, aberta a quem quiser ler. O problema é que muitos religiosos pensam até tê-la escrito(!). Não nos fará sentido algum se, convertidos, cercarmo-nos de pessoas também cristãs e isolarmo-nos em nosso "mundinho gospel". Jesus tinha um relacionamento íntimo e profundo com os seus discípulos, mas juntamente com eles, buscava a companhia de pecadores.

Nossa luz só aparece nas trevas. Em meio a mais luz, ficamos ofuscados. Nosso sal só salga aquilo que não tem sabor. Se lançarmos sal numa comida já temperada, a estragaremos. Somos luz e sal para irmos às trevas e àquilo que é insípido. Que o Senhor nos faça olhar com amor para o mundo, para os que estão realmente sedentos de Deus. E que possamos iluminar e salgar a vida de quem quer e precisa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A figueira estéril e a vida religiosa

Outro dia um seminarista me questionou sobre a razão de Jesus ser tão duro em seus discursos. Disse que se fosse seguir o exemplo de Jesus acabaria por afastar as pessoas do evangelho, ao invés de atraí-las. "Jesus chamava mentiroso de mentiroso e dizia que eles iriam pro inferno. Chamou um e outro de raça de víbora (se bem que isso foi João Batista), sepulcro caiado, e etc.. Se for agir igual a ele..." - disse.

Sua pergunta me fez refletir e lembrar - meio que infelizmente - com quem Jesus era mesmo tão severo em seus discursos. E adivinhe? Com os religiosos. Jesus era verdadeiro o tempo todo, ele não maquiava a verdade para ninguém. Dizia o que precisava ser dito para o mais simples e para o mais importante, sem reservas. Mas quando se dirigia aos fariseus, aos escribas, aos sacerdotes, àqueles que vivam do comércio templo... O tempo fechava!

E em Lucas 13.6-9 o Mestre conta uma parábola que nos remete diretamente aos religiosos, também fazendo refletir sobre a razão do seu duro discurso. A parábola da figueira estéril diz que o dono de uma figueira procurou nela fruto por três anos, mas sempre sem sucesso, até que resolveu cortá-la. Então, um funcionário seu se propõe a cuidar da figueira por mais um ano, fertilizando-a, para que dê fruto. Caso contrário, o dono a cortaria.

Os religiosos eram como a figueira: ao olhar para ela, via-se uma árvore frutífera e esperava-se achar algo de bom ali. Mas, como só havia a aparência, ela para nada servia; poderia ser cortada, pois a terra estaria melhor sem ela. E o risco de sermos como a figueira é grande. Muitos já se acostumaram com a religião e acham que só por fazer parte do grupo social já estão fazendo o correto. Mas figueira infrutífera não é figueira, pois não tem figo. Assim com religiosos sem resultados não são religiosos: Jesus os chamará de hipócritas, sepulcros caiados (bonitos por fora, mas podres por dentro), copos lavados somente do lado de fora, etc.

Se nos dizemos do Senhor, nossos frutos devem ser vistos por ele. Não tenhamos apenas aparência frutífera, mas frutifiquemos de fato. Uma entrega sincera e completa a Cristo nos leva a frutificar, pois sua vontade passa a fazer parte da nossa. Enquanto uma vida simplesmente religiosa adorna a nossa aparência, mas não muda a nossa própria vida nem a de ninguém.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lc 12: O pedido que Jesus não respondeu

Em Lucas 12.13-21 vemos Jesus contar a parábola do rico insensato. Fala sobre um sujeito que começou a prosperar de tal forma em sua atividade agrícola, que seus celeiros já não suportavam a colheita. Então ele decide derrubar os celeiros atuais e construir outros, novos e maiores, capazes de armazenar seus produtos. O homem rico, então, diz à si mesmo que, tendo bens para muitos anos, agora deveria comer, beber e descansar.

Jesus chama este homem de louco. Questiona o que lhe aconteceria naquele momento, pois o dia de prestar contas a Deus chegaria ele não teria nada preparado para apresentar ao Senhor. E o que acumulara na terra ficaria para trás, sem nenhum proveito.

Quer uma ironia? A atitude desse homem é o projeto de vida de muitos de nós! Quantos não sonhamos em ter uma vida confortável, com bens suficientes para não nos preocuparmos com o lado financeiro e podermos nos aposentar cedo, ainda com saúde, para viajarmos pelo Brasil e mundo afora, curtir a vida um bocado, antes de morrermos? E Jesus condenou essa atitude...

Esta parábola foi contada por causa de um pedido que um homem da multidão fez à Jesus. Entende-se que ele estava em litígio com um irmão de sangue que não queria dividir determinada herança. Então ele pede ao Senhor que diga a seu irmão para reparti-la com ele. Jesus lhe dá uma dura resposta, questionando quem o havia posto por juiz ou "repartidor"entre eles. E então lhe conta essa parábola, dizendo que é tolo aquele que se preocupa em ajuntar bens, mas não é rico para com Deus.

Não podemos negligenciar tal verdade. Se nossa prioridade de vida for o conforto financeiro/material, não estamos vivendo com ou para Cristo. Logo adiante, no trecho de 12.22-34, o Senhor diz que não devemos andar preocupados com nossas necessidades básicas, de sobrevivência, pois ele nos supriria sem nenhuma falta. E entendemos que, de acordo com a pregação de Jesus, querer mais que o necessário é ser ganancioso. João Batista também deixou isso muito claro. Outro dia escrevi sobre sua fala aqui.

A Bíblia nos diz que não podemos servir a Deus e ao dinheiro. Nossos bens devem nos servir e ao Senhor. O princípio do discurso de Jesus para esse homem, em 12.15, começa dizendo para nos guardarmos da avareza, pois "a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui". Jesus não respondeu ao pedido daquele homem por conta de sua motivação. Outra ironia? Muitas "correntes de oração", campanhas, pedidos feitos nos cultos, etc., têm motivações como a desse homem. Podemos entender que a resposta já foi dada?

Preocupemo-nos com o Senhor e ele cuidará das nossas necessidades. Não precisamos temer isso, pois sua vontade, como Paulo nos diz em Romanos 12.2, é boa perfeita e agradável. Ele sabe o que é melhor para nós, por isso nos recomenda. Glória a Deus!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Oração do Pai-Nosso: o que Jesus não nos ensinou

Jesus era muito simples e objetivo. O oposto dos religiosos de seu tempo, que eram complexos demais e que passavam longe da objetividade e da clareza. Um dos muitos exemplos da simplicidade de Jesus é a forma que ele nos ensinou a orar, no texto que conhecemos como a Oração do Pai-Nosso. Transcrevo a oração abaixo:

Pai, santificado seja o teu nome.
Venha o teu reino.
Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano.
Perdoa-nos os nossos pecados,
Pois também perdoamos a qualquer que nos deve.
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
Lucas 11.2-4

O texto é simples e direto ao mesmo tempo em que é denso e profundo. Poderia gastar páginas para falar de cada ponto dessa oração, mas gostaria de seguir outra lógica: o que há nas nossas orações que não há na oração que Jesus ensinou? O que aprendemos a praticar nas nossas orações e que não foi ensinado pelo Mestre no seu modelo? Listo abaixo três características de muitas orações feitas hoje que, na minha opinião, são os erros mais comuns e discrepantes da oração do Senhor. Segue:

Pedidos de vitória financeira, prosperidade, aquisições materiais e semelhantes - Jesus nos orienta a pedir apenas o sustento diário. E essa é a sua preocupação com a nossa vida material durante todo o seu discurso. Vemos isso outra hora, mas ele nos ensinou a buscarmos em oração o necessário. O resto é por nossa conta...

Repreensão, amarração, xingamento, revolta e outras coisas dirigidas ao Diabo - o mais próximo que Jesus passou de Satanás ao nos ensinar a orar foi orientar-nos a pedirmos a Deus livramento do mal e forças contra a tentação. O resto também é por nossa conta!

Jesus não decretou, exigiu, determinou, "reivindicou o direito às bênçãos de Deus" ou nos orientou a colocar Deus Pai na parede de qualquer outra forma - A oração ensinada por Jesus é humilde. Nela, reconhecemos nosso pecado, pedimos apenas o necessário e assumimos nossa vulnerabilidade. Quem somos nós para exigirmos alguma coisa do Senhor? Essa parte... também é nossa culpa!

Na oração ensinada pelo Mestre aprendemos a valorizar seu domínio sobre nós, não a nossa vontade. Aprendemos a oferecer o perdão, pois pedimos o mesmo perdão que damos a outro. E a, humildemente, buscar no Senhor forças contra as tentações e livramento do mal. De forma simples e direta, o Senhor nos orienta a falarmos com Deus sobre o que mais importa. E por lógica, vemos que muita coisa presente nas nossas orações não tem tanta importância, mas têm as que estão presentes na oração de Jesus.

Aprendamos do Mestre. Ele é mais simples, autêntico e relevante que nossas manias religiosas.

domingo, 11 de setembro de 2011

O que importa para Jesus


Percebo um padrão em três falas de Jesus nos capítulos 9 e 10 de Lucas. A primeira fala, em 9.57-62, diz que seguir a Jesus deve ser prioridade total na nossa vida. Um sujeito pede a Jesus para sepultar a seus pais e outro para ficar mais um tempo com sua família antes de segui-lo. Mas Jesus nega-lhes essas possibilidades, deixando claro que eles deveriam fazer escolhas radicais para segui-lo. Seguir a Cristo era mais importante que qualquer coisa.

Outra fala ocorre em 10.1-24, quando o Mestre recebe de volta os discípulos a quem havia enviado para pregar nas cidades aonde ele ainda havia de ir. Seus discípulos retornam alegres por terem percebido sua autoridade sobre os demônios. Jesus diz a eles que o fato de seu nome estar escrito no livro da vida é motivo de maior alegria do que isso. Estar com Jesus é mais importante do que as consequências de sua companhia. Andar com Cristo pode nos proporcionar bênçãos, testemunho de milagres e etc. Mas o fato de ele estar conosco deve mexer mais com nosso coração do que suas bênçãos ou sua obra.

E no final do capítulo 10, em 10.38-42, Jesus diz a Marta que a escolha de Maria havia atentado para o que realmente importava: estar com Jesus e ouvi-lo. Marta havia questionado a Jesus por que sua irmã, Maria, estava quieta ouvindo-o, enquanto ela preocupava-se com os detalhes da visita de Jesus. Devia estar servindo a mesa, lavando vasilhas, etc.. Jesus diz que estar com ele e ouvi-lo é até mais importante do que servi-lo.

Nossa comunhão com Deus é mais importante que qualquer coisa. Desenvolvemos essa comunhão fazendo o que Jesus recomendou aos que queriam segui-lo: priorizá-lo até acima dos mais queridos (Jesus não disse e nem eu digo para menosprezar ninguém; apenas para priorizá-lo). Também o fazemos com a consciência e sentimento de que ele é mais e maior do que tudo o que tem feito por nós e através de nós. Assim, disciplinamos nosso coração e não nos maravilharemos com nada que não seja o próprio Senhor.

Finalmente, priorizamos nossa comunhão com Cristo e a desenvolvemos fazendo como Maria: parando tudo para ouvir o Mestre. Isso é feito com oração, leitura bíblica e disciplina devocional. Estar com Jesus, simplesmente, parar para ouvi-lo, aprender dele, conhecer sua vontade e planos, desenvolver com o Mestre nosso relacionamento, amizade e intimidade. Isso importa de fato

E Jesus tanto preocupou-se com isso que deixou essas falas registradas para nosso ensino. O que nos cabe agora é parar tudo e dedicarmo-nos à comunhão com o Mestre. Para nos garantir isso, ele pagou um preço tão alto que qualquer coisa que nos custe ainda não atingirá a altura do seu sacrifício.

sábado, 10 de setembro de 2011

O perigoso bem estar religioso

Ainda meditando sobre o Evangelho de Lucas, agora nos versos 9.28-36. Jesus havia subido a um monte para orar, quando ocorreu a sua transfiguração. Seu rosto mudou e suas vestes ficaram brancas e resplandecentes. Moisés e Elias apareceram-lhe de forma gloriosa e uma nuvem os cobriu. Pedro, Tiago e João viram o ocorrido, pois haviam subido ao monte com Jesus.

É fácil notar que Pedro é muito espontâneo, pela leitura dos evangelhos. E mais uma vez ele se manifesta, ao fim da visão, dizendo a Jesus que estar ali era muito bom e que eles deveriam armas tendas para Jesus, Moisés e Elias, afim de que aquele momento glorioso e místico não acabasse. O verso 33 diz que ele não sabia o que estava dizendo...

Sua atitude é muito comum no meio religioso e digo com ênfase no meio evangélico. Estar na igreja é muito bom. Ouvir a palavra de Deus, sentir a presença do Espírito Santo, louvar a Deus com os irmãos no culto, compartilhar experiências numa reunião menor, etc.. Graças a Deus por isso, graças a Deus que esses precisos momentos fazem parte da vida de muitos de nós. Porém, nossa vida cristã não pode se resumir a eles.

Em determinado momento da minha caminhada cristã senti-me como Pedro, porém parecia estar com as tendas feitas contra a minha vontade. Trabalhava com pessoas cristãs - todos no meu trabalho eram cristãos, estudava teologia numa faculdade evangélica e meus programas eram com amigos cristãos. Bom? Por um lado sim, mas quem conheceria a Cristo através de mim? A quem eu pregaria o Evangelho? Isso começou a me oprimir em determinado momento e me lembro que este texto de Lucas iluminou-me um pouco.

Jesus, Moisés e Elias conversavam naquele momento sobre a morte de Jesus, que aconteceria em Jerusalém. Os planos de Jesus já incluíam descer do monte direto a Jerusalém, para ser crucificado. O monte era muito bom. Ali havia experiências sobrenaturais, uma nuvem de glória e a intensa presença de Jesus. Mas o assunto era o sacrifício de Jesus, e era necessário descer do monte para cumprir esse propósito e ir a Jerusalém.

Num paralelo bem simples e direto, já me vi e vejo muitos cometendo o erro de Pedro: quero muito estar na igreja, ter comunhão, receber "mais de Deus" (ô expressãozinha!), aproveitar as experiências espirituais. Tanto que nem penso em Jerusalém... Tanto que quero armar ali umas tendas e por ali ficar indefinidamente. E como Pedro, não sei o que digo.

Descer do monte é preciso. O propósito se cumpre em Jerusalém, se cumpre no sacrifício e ele é feito lá embaixo. O monte nos anima, renova, dá forças. Mas o objetivo está monte abaixo. A igreja é onde nos reunimos e fortalecemos com os irmãos. Mas nosso campo é o mundo. Não podemos armar ali tendas, pois assim esconderemos a nossa luz, que deve ser mostrada a todos.

Se formos bom religiosos, amaremos o monte, o conforto e o bem estar da religião. Se formos cristãos de verdade, nosso coração nos levará a Jerusalém, como o do Senhor o fez. Aí sim, saberemos o que estamos fazendo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O trabalho completo de Cristo


O texto de Lucas 8.26-39 junto com seus correspondentes em Mateus e Marcos 8.28-33 e 5.1-14, respectivamente, se constituem em um dos textos-base da Teologia da Libertação Católica. Em pouquíssimas (e até insuficientes) palavras, esta Teologia diz que o sujeito que recebe a Cristo deve ser liberto também da opressão social, das sequelas diretas e mais cruéis da injustiça e da marginalização.

É um pensamento e prática muito coerentes, principalmente para o contexto latino-americano. O único problema é que tal teologia acaba indo para o extremo de levar a salvação muito para o lado social, menosprezando os demais aspectos da obra de Cristo. Mas esta informação nem é o tema deste texto, mas sim o que Jesus fez e que serve de base para essa Teologia e também para nossa prática cristã.

Quando o Mestre se encontra com o homem que estava endemoninhado, ele faz uma reviravolta em sua vida. O texto diz que o homem estava possesso há muito tempo e que andava nu, não tendo outra morada que não os sepulcros, vivendo à margem da sociedade. Jesus liberta o sujeito, que fica totalmente são e pretende seguir a Jesus, que então o recomenda voltar aos seus e dizer-lhes o que lhe havia ocorrido.

O principal ponto desta passagem para Teologia da Libertação é o fato de Jesus re-inserir o sujeito socialmente. E devemos mesmo ver o texto por esta ótica. Quantos de nós já não olhamos para um mendigo, um viciado jogado às margens da sociedade ou qualquer semelhante a esses, e pensamos apenas no seu lado espiritual, desprezando os demais e principalmente o social? Jesus não fez assim.

Logo que o Mestre se encontra com o homem ele é liberto. Os que o conheciam se admiraram de vê-lo são, vestido, em perfeito juízo, aos pés de Jesus. E agora, ele poderia voltar para o convívio social. Poderia novamente ter uma morada e andar em trajes normais. Era novamente um cidadão.

A obra de Cristo na nossa vida é completa. E a obra de Cristo que queremos levar adiante também deve ser. A salvação manifesta-se de diferentes formas em nossas vidas. No meu caso, sua principal manifestação foi a mudança do meu convívio familiar, que era muito ruim e hoje é maravilhoso. No caso daquele homem foi a libertação espiritual e a volta à sociedade. No seu, deve ter sido ainda de outro jeito.

Enfim, entendemos mais uma vez que a forma como compreendemos a Cristo e a sua obra determinam nossa prática. Saibamos que o Senhor se importa conosco por completo e que manifesta sua salvação a nós sempre no ponto que mais precisamos. Este homem foi liberto, eu fui quebrado e tive relacionamentos restaurados. Outros deixaram as drogas e tantos outros a futilidade, simplesmente. Mas o Senhor não permite que ninguém o encontre e continue o mesmo. Principalmente se continuar o mesmo significar não ter uma vida digna, completa.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Como receber algo de Jesus

Alguns já conhecem a história sobre a qual meditaremos aqui. É a do centurião cujo um dos servos, a quem ele estimava muito, estava doente. Esse centurião procura Jesus para curar o homem, e porta-se de maneira tal que Jesus diz não ter visto até aquele momento fé igual à sua.

Uma vez que Jesus elogiou alguém, esse sujeito é digno de ser observado por nós. Afinal, também queremos ser aprovados pelo Mestre. No caso do Centurião, quatro atitudes suas me saltam aos olhos: ele tinha um sentimento sincero; humildade; uma postura aprovada; temor e cria no poder soberano de Jesus. Sua história é contada em Lucas 7.1-10 (também em Mateus 8.5-13).

O verso 2 diz que esse centurião estimava muito o servo que estava doente e que por isso enviou-lhe alguns anciãos dos judeus para rogarem a Jesus por ele. O centurião não pedia algo por pedir, ele estava sentimentalmente envolvido com a situação problema. Não pedia por puro capricho, como tantos. Além de pedir por outro, ainda pedia com o coração.

O texto diz (vs 4) que os anciãos, orientados pelo centurião, rogaram muito a Jesus que fosse com eles. Essa postura humilde nos é exemplar, pois vai na contramão de outra postura comum hoje: a de colocar Jesus na parede, exigindo, determinando, decretando, etc.. Como já disse outra vez por aqui, numa fé que age assim, quem é o soberano?

Ele também era alguém aprovado. Os anciãos dizem (vs 4-5) que ele alguém digno, que amava a Israel e que até lhes havia construído uma sinagoga. Nossas obras não compram a atenção do Senhor, mas atestam a fé que há em nosso coração. Como disse Tiago, a fé sem obras é morta. E o centurião demonstrava tal fé com suas obras, além de ser admirado pelos judeus a ponto de ser chamado de digno.

Mesmo sendo alguém com este tipo de atitude, o centurião não se orgulhava de tal e reconhecia ser indigno até de dirigir a palavra a Jesus, tendo por isso lhe enviado os anciãos e depois alguns amigos (vs 6-7). Essa humildade e temor devem ser presentes na nossa vida, caso queiramos receber algo do Senhor. Conhecendo-o, sabemos que ele quer estar próximo de nós, mas o sentimento do centurião nos é exemplar.

Por fim, o centurião reconhece a soberania e poder de Jesus, dizendo que bastaria a ele dizer uma palavra e que sua vontade se cumpriria. Então, Jesus elogia a sua fé e o seu servo fica curado. Acima de tudo, se queremos receber algo do Senhor, devemos estar cientes de que não lhe há nada impossível. Por um momento ele pode não nos atender, pois ele é Deus e age como, quando e onde quer, de acordo com sua soberana vontade. Se o que pedimos não é coerente com a sua vontade, podemos ficar tranquilos, pois ele sabe o que é melhor para nós.

Deus é soberano e poderoso. Para recebermos algo dele, devemos nos colocar em nosso devido lugar, exercendo temor e humildade, portando-nos de forma digna e clamando a Ele pelo que precisamos. Como foi nesse caso e como nos reforçam as Escrituras, ele dá graça aos humildes, enquanto resiste aos soberbos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

oãsrevnI (Inversão)

Que Deus me permita ser rico e ter sempre fartura na minha dispensa.
42.6 sacuL

Que as pessoas gostem muito de mim e sempre falem da minha boa fama.
52.6 sacuL

Que eu consiga amar muito aos meus amigos, pois há muita gente traiçoeira aí fora.
62.6 sacuL

Que sempre saia da minha boca palavras de bênção àqueles que me querem bem.
72.6 sacuL

Ao que me causa prejuízo ou dolo, que lhe seja manifestada a justiça de Deus.
13-03.6 sacuL

Que o Senhor me dê graça para sempre emprestar algum dinheiro para ajudar ao meu irmão. E que ele sempre consiga me pagar, para que eu possa ajudar mais. E que qualquer que pegar algo que o Senhor me deu, que eu seja restituído.
53-43.6 sacuL

Há muitos que dizem buscar a Deus, mas o fazem de qualquer jeito ou apenas com as palavras. Que Deus me livre de ser como tais homens, mas me conserve em sua santa presença, para que eu não seja condenado como eles.
73.6 sacuL
______________//______________
Fosse o sermão da montanha lido ao contrário, teríamos todas essas "bênçãos" pedidas aí acima. E teríamos razão de cantar muitas canções que cantamos às vezes, as quais os que estão com elas familiarizados certamente se lembraram enquanto liam o texto.

Que sejamos bem aventurados, como o sermão de verdade, em Lucas 6 nos diz. Guardemos o nosso coração e consigamos discernir o que é de fato a vontade de Deus para nós.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O quê a oração nos garante, de fato?

Há poucas semanas vi alguém tuitando uma frase que atribuíram ao Pr. John Piper. Dizia que Jesus havia orado uma noite inteira e, logo depois disso, escolheu Judas como discípulo (!). Minha reação foi de espanto, pois Lucas 6.12-16 nos mostra que isso de fato aconteceu. Será que Jesus (Jesus!), mesmo tendo orado e buscado a Deus antes de fazer sua escolha, havia errado?

Sabemos que o Senhor não erra. Deus sempre acerta, pois conhece todas as variáveis possíveis de qualquer situação. Ele vê e sabe de todas as coisas, não há nada que lhe encoberto. Assim, e por causa de sua soberania e poder, nenhum de seus desejos se frustram - alguns terão um problema com a doutrina da soberania de Deus nesse ponto, mas vamos continuar!

Com este fato eu aprendo mais um bocado sobre o (real) poder da oração. Ao contrário do que algumas teologias pregam, orar não quer dizer garantia de que tudo correrá bem ou do jeito que esperamos/queremos. Jesus era alguém que orava muito. Fosse esse falso princípio verdadeiro, ele sequer teria sido perseguido ou teria passado por qualquer problema. Mas sabemos que sua realidade foi outra.

Orar nos garante o que Jesus obteve por esse meio: o Pai era com ele. E isso nos deve ser suficiente. Se Deus estiver conosco, podemos ser perseguidos, passar dificuldades, problemas, etc., que ainda assim estaremos seguros. Um pouco a frente no próprio Evangelho de Lucas, Jesus profere o sermão do monte, no qual anima os seus discípulos para quando passarem por dificuldades. Orar não nos isenta de lutas, mas garante a presença de Deus no meio delas.

Pode acontecer de buscarmos uma direção de Deus em oração para alguma situação e escolhermos um Judas entre os doze. E pode acontecer de o Senhor ter, assim como no caso de Jesus, um propósito nisso. A morte que acometeu a Jesus por causa da traição de Judas não frustrou seus planos, mas lhe garantiu seu cumprimento. O que não podemos deixar de fazer é orar. Assim, estaremos certos que ainda que haja em nosso meio algo/alguém capaz de nos fazer mal, o Senhor está conosco e tem o controle de tudo.

domingo, 4 de setembro de 2011

O exemplo missionário de Jesus

Jesus era um missionário. Sim, um homem com uma missão, a qual cumpriu cabalmente. Quando pensamos num missionário, a figura que nos vem à mente não é aquela do sujeito que deixou seu lugar de conforto e dedicou-se à pregar o Evangelho em outro lugar/cidade/país? Pois Jesus era um missionário exatamente nestes termos - apesar de esta ser uma imagem muito superficial de um missionário.

A atividade missionária de Jesus começa com a encarnação. Ele deixou a companhia do Pai e dos anjos para se tornar semelhante a nós e assim conseguir transmitir-nos a sua palavra. A maior ponte transcultural (e mais do que isso) foi transposta por Jesus. Ele deixou sua glória para limitar-se à nossa condição. Lembro de ouvir de um missionário que trabalhava com leprosos e que orou a Deus para pegar essa doença, pois sentia-se alheio à dor daqueles a quem evangelizava. Assim Jesus fez conosco.

O exemplo missionário de Jesus é visto em todo o seu tempo conosco. Um bom exemplo é o chamado de Levi, ou Mateus, em Lucas 5.27-32. Mateus era um cobrador de impostos. Isso significa que ele era alguém que, sempre que algum judeu pensasse esquecer do domínio e opressão de Roma sobre o seu povo, bastava olhar para a coletoria na qual Mateus se assentava para "refrescar" sua memória. Ele era grandemente discriminado pelos judeus. Seria como Jesus chamar um político de fama duvidosa para ser pastor hoje. Estranho, não?

Os fariseus questionaram essa atitude de Jesus, no texto citado mesmo, e ele respondeu dizendo que veio para os pecadores, não para os justos. Obviamente, nem os fariseus nem ninguém era ou é justo o suficiente para não precisar de Cristo. Aprendemos com sua fala que Jesus veio para aqueles que reconhecem sua carência de justiça, seu pecado e dependência de Deus. À esses Jesus veio, não aos orgulhosos, religiosos, que pensam já possuírem a verdade.

Jesus comia e bebia com cobradores de impostos e pecadores, criticaram os fariseus. E sua atividade missionária era assim mesmo: relacionava-se com aqueles a quem queria levar seus ensinamentos, e esse é um grande exemplo para nós. Só fazemos missão no corpo a corpo, nos relacionamentos, no toque. Não faremos missões "virtualmente" ou à distância, mas como Jesus fez.

Seguir o exemplo missionário de Jesus significa entender que somos pecadores e carentes de Deus, que é quando passamos de campo missionário para missionários. Significa nos relacionarmos com aqueles a quem pregamos, pois só faremos discípulos - que era o que Jesus fazia - com relacionamentos. E devemos pregar o Evangelho a qualquer que esteja aberto a ele, ainda que seja alguém de má fama ou com qualquer estereótipo. Afinal, nós julgamos mal, pois vemos o exterior. O Senhor, que vê o interior, e certamente encontra muita coisa ruim em todos nós, nem assim julga.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ministério de sucesso ou Ministério X Sucesso?

O quinto capítulo do Evangelho de Lucas narra a ocasião em que Jesus chama seus primeiros discípulos. O faz num primeiro momento transformando a noite de pesca frustrada de Pedro, Tiago e João numa pesca farta. Eles então reconhecem o poder de Jesus e o seguem. Depois, chama Mateus (ou Levi) para segui-lo também. Mateus era um cobrador de impostos, alguém que os judeus discriminavam muito.

Entre esses dois chamados, Lucas nos conta que Jesus operara alguns milagres e que, por causa disso, a fama de Jesus se espalhava e muita gente o procurava para ouvi-lo e também para serem curados, como diz o verso 5.15. A reação de Jesus ao crescimento de sua fama é estranha, principalmente ao nosso tempo: "Ele, porém se retirava para lugares desertos e orava".

Jesus não era de dar bola pra multidão, ele priorizava seus discípulos. Vemos isso quando ele diz, por exemplo, que aos discípulos era revelado o que à multidão era escondido (Mt 13.10-23). Aqueles que o seguiam eram curados, ouviam seus ensinamentos, recebiam até alimentos, como foi na multiplicação dos pães. Mas Jesus priorizava o discipulado que estava fazendo, pois dali sairiam aqueles que dariam continuidade à sua obra.

O que mexia com Jesus era o seu relacionamento com Deus, não a sua fama. O que o motivava era a obra que ele fazia, não o sucesso que isso lhe proporcionava. Diante da fama, ele se isolava e ia orar. O sucesso parecia ser algo do qual Jesus corria, sua fama rivalizava com o seu ministério.

Outro dia ouvi de um jovem que seu sonho era ser um pregador de renome. Para quê? Jesus teve renome, óbvio, mas sua preocupação não era essa. Talvez, pelo exemplo de Jesus, devamos repensar nosso conceito de sucesso ministerial. Sermos bem sucedidos ministerialmente está mais ligado a quantas vidas transformaremos pelo caminho do que ao reconhecimento que teremos por isso.

Ao invés de pensarmos num ministério de sucesso, passemos a buscar sucesso no exercício do nosso ministério, a despeito da fama, do reconhecimento e/ou da(s) recompensa. Preocupemo-nos com o nosso relacionamento com o pai e com aqueles que discipulamos. Assim, estaremos mais próximos de alcançar um ministério como o de Jesus.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quando vem a tentação

Já percebeu que não há um momento ou fase específica da caminhada em que somos tentados? Já notou que podemos ser tentados quando estamos bem, mal, de bom ou mal humor, sozinhos, acompanhados, orando ou deixando de orar... A tentação sempre vem sem aviso prévio.

O momento em que Jesus é tentado, em Lucas 4.1-13, nos comprova isso. Ele havia acabado de ser batizado. O texto diz que ele estava cheio do Espírito Santo e fazia um jejum de quarenta dias. E foi tentado pelo diabo.

Tiago 1.14-15 diz que somos tentados quando atraídos pela própria corrupção que habita em nós e que, caso demos lugar a ela, o pecado acha lugar, se consuma e gera a morte. Jesus limitou-se à nossa natureza carnal, por isso foi tentado. A inclinação ao erro fazia parte da natureza humana que Jesus assumiu na encarnação - não, isso não é heresia, é teologia básica.

Sabemos que nossa natureza pecaminosa nos acompanhará até o dia em que o Senhor voltar para nos buscar. Por isso, devemos estar constantemente atentos, vigilantes, não dando lugar à nossa corrupção, à nossa carne. Pois, parafraseando um o Apóstolo, o querer pecar está em nós...

Jesus foi tentado mesmo estando cheio do Espírito Santo. E resistiu à tentação não simplesmente por ser Jesus, mas por estar cheio do Espírito Santo. Na limitação da nossa natureza, só com o Espírito de Deus para resistirmos às tentações.

Que sejamos cheios do Espírito e que o Senhor não nos deixe cair nas tentações. Que conheçamos a Palavra de Deus, assim como Jesus demonstra conhecer neste texto, e que ela nos seja arma contra a tentação. Fiquemos firmes!