terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vendando os olhos com o preconceito e o orgulho

No capítulo 7 de João Jesus faz outro grande discurso sobre si mesmo. Nessa ocasião, muitos já queriam matá-lo (7.1, 19-20, 30, 32, 44) mas o texto diz que não o fizeram porque ainda não havia chegado a sua hora. Notemos que não deixaram de fazê-lo por causa da multidão ou dos judeus, mas João deixa claro que foi porque ainda não era a sua hora (7.6-8, 30, 43-45).

Deus estava no controle de tudo, não as circunstâncias. Sempre é assim conosco também, por mais que insistamos em não perceber ou reconhecer.

Os guardas que não conseguiram prender Jesus se apresentaram aos seus superiores. Neste trecho, de 7.45-53, vemos que os principais sacerdotes e fariseus ouviram que as palavras de Jesus eram excepcionais; tinham no mínimo, motivos para ouvi-lo e confirmarem por si mesmos. E foram incentivados por Nicodemos a fazê-lo (7.50-51).

Sua reação, porém, é levantarem três perguntas: se os guardas também foram "enganados" por suas palavras; se alguém "relevante", superior à "plebe", como os chefes dos fariseus haviam crido nele, e se não era óbvio que não poderia sair profeta de onde sabiam que Jesus viera.

Para estes homens, era claro que somente pessoas sem instrução acreditariam no que Jesus dizia, pois suas palavras eram enganosas e irrelevantes. E não poderia vir profeta da Galiléia, devido à excepcionalidade histórica deste fato. Temos aqui 8 versos dos mais carregados de preconceito e de soberba das Escrituras. Tais atitudes cegaram-lhes para verem quem Jesus era de fato.

De tantos pontos relevantes neste capítulo, opto por destacar o lado negativo do preconceito e da soberba implícitos aqui. Pois vemos que aqueles que agem dessa forma eram pessoas religiosas, os principais judeus da época. Infelizmente é muito comum que nós cristãos ajamos da mesma maneira, tendo a certeza de que possuímos a verdade - até por sermos cristãos, achando-nos superiores a outros e fechando nossa mente para qualquer situação que fuja aos nossos conceitos pré-definidos.

Temos preconceitos contra outras religiões, denominações, contra o pensamento acadêmico, muitas vezes. Alguns extremos ainda carregam preconceitos de cor e raça, mesmo sendo cristãos. Nos achamos superiores àqueles que consideramos estarem errados, abraçando o orgulho e a soberba.

Aprendamos com o erro de outros. Aqueles religiosos já nos deram o mau exemplo e ele está registrado para que não façamos o mesmo. No lugar de preconceito e orgulho, busquemos a humildade e a simplicidade.

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