quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Somos perdoados e entendemos que somos

No último capítulo do Evangelho de João Jesus aparece para seus discípulos no Mar de Tiberíades, após uma noite fracassada de pesca deles. Jesus dialoga com os discípulos e em especial com Pedro, que é o personagem central dessa narrativa.

O Pedro que vemos aqui, que já viveu três anos com o Mestre e os viveu intensamente, como podemos ver nas suas reações descritas nos evangelhos, é um Pedro mais sensato, que se conhece melhor e também ao Senhor. Em Lucas 5, por exemplo, Jesus aparece a Pedro e outros também após uma pesca frustrada e ordena, da mesma forma, que lancem as redes novamente. Pedro o faz, mas quer deixar claro que ele sabia o que fazia: "Mestre, havendo trabalhado a noite toda nada apanhamos, mas sob tua palavra lançaremos as redes".

A forma como ele age agora é diferente. O texto não nos mostra reação de Pedro à ordem de Jesus, parece que ele a obedece silenciosamente. A esta altura, ele já conhecia seu Mestre. Pedro sabia com quem ele havia caminhado os últimos anos. E também já se conhecia melhor. O seu último episódio narrado contribuiu muito para isso: Pedro pensou que iria com Jesus até a morte, mas o negou no momento mais crucial.

O que o Senhor faz agora com Pedro manifesta seu cuidado, perdão e graça com ele e conosco. Pedro tem a oportunidade de lançar as redes e, desta vez, obedecer sem pestanejar. Num contraste com as três vezes que Pedro negou o Senhor, Jesus lhe pergunta também três vezes sobre seu amor para com ele. E Pedro tem novamente a oportunidade de fazer o certo (explorei mais profundamente este texto aqui).

Jesus não dependia desse momento para perdoar Pedro por seu erro. Acredito que ele já havia o feito há tempos. Mas Pedro podia depender disso para se sentir perdoado; agora ele entendeu que o perdão o alcançou. O Pedro que começa o capítulo 21 de João poderia ser um Pedro triste, marcado pelo seu erro; até um Pedro que queria voltar à vida que tinha antes de conhecer a Jesus. Queria voltar a pescar peixes, mas o Senhor prometera fazer dele um pescador de homens. O Pedro que encerra o capítulo está pronto para conduzir a Igreja que o Senhor implantara.

Jesus quer que o sirvamos e ele mesmo é quem providencia tudo o que precisamos para tal tarefa. Seja uma cura na alma, uma manifestação de perdão e compreensão, aceitação, amor, seja uma provisão material, etc. Parafraseando uma oração de Agostinho, ele não exige nada de nós que ele mesmo não nos providencie. Graças a Deus por seu cuidado conosco. E que o retribuamos servindo, pois é para isso que somos chamados.

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