terça-feira, 9 de agosto de 2011

Servindo com esperança, mas sem expectativas

O capítulo 12 de João encerra a primeira parte de seu livro, chamada de Livro dos Sinais. Nele, Jesus está entrando em Jerusalém para viver sua última semana e ser crucificado.

Se olharmos para o que Jesus fez até aqui, considerando apenas a narrativa de João mesmo, já temos motivo para concluir que sua crucificação será puramente por motivações políticas, pois seria impossível que as multidões que presenciaram tantos sinais ainda não cressem nele. Mas, o verso 37 diz: "Apesar de ter realizado todos esses sinais miraculosos na presença deles, ainda não criam nele".

A entrada de Jesus em Jerusalém é o cumprimento do seu propósito. Jesus sabe que entra lá para sofrer na mão dos judeus e para morrer crucificado. Os vs. 23-33 resumem bem isso. E o 25, dentre esses, juntamente com o 37 que lemos acima, me chama a atenção. Diz: "Quem ama a sua vida perdê-la-á, mas quem odeia (e no original está escrito "odeia" mesmo, "detesta") a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna". Assim como o Senhor estava fazendo neste momento, perdendo, entregando a sua vida.

A lógica motivacional de Jesus é não-convencional, no mínimo. Quem quiser ser o maior é o que deve servir (isso será dito no cap. 13), quem quiser ganhar a sua vida deve perdê-la, o momento que Jesus será glorificado é o momento da sua morte (vs. 23).

Para servirmos ao Senhor, devemos fazê-lo também com uma lógica diferente: fazer o máximo possível, com todas as nossas forças, entregar a nossa vida ao ponto de colocá-la em risco e perdê-la, se necessário; mas certos de que não veremos a vitória nessa vida.

Jesus serviu dessa forma. Sua glória deu-se na ressurreição. Afinal, não creram na sua mensagem, por isso o crucificaram. Servir a Cristo é certeza de vitória no final, bem no final, quando o Senhor voltar. E particularmente, eu não creio que isso vá acontecer enquanto nós ainda estivermos vivos aqui.

Servir a Jesus é dedicar-se de corpo e alma a uma causa que não ganharemos nessa vida. Portanto, devemos fazer o melhor, e sem grandes expectativas de sucesso, pois nem Jesus o alcançou da forma convencional. Se pregarmos e ninguém crer, se orarmos por alguém e esse endurecer o coração, se nos esforçarmos pelo Senhor e não vermos o reconhecimento de ninguém; esse foi o modelo ministerial de Jesus e de tantos outros que o seguiram.

Quem não tem expectativas não se frustra. Nossa expectativa deve ser a de cumprir o nosso propósito, servir a Cristo. Os resultados vêm da mão dele, não dependem de nós. Plantamos a semente, mas é ele quem dá o crescimento. Nosso serviço não deve se basear na expectativa de sucesso ou de grandes resultados, mas na esperança do cumprimento da maior promessa do Senhor, de que um dia ele nos buscará e aí sim, seremos recompensados.

Façamos o melhor, pois é apenas o que ele exige de nós. E troquemos a expectativa pela esperança. Pois a esperança na promessa do Senhor não corre o risco de se frustrar.

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