domingo, 14 de agosto de 2011

Reflexões sobre a oração de Jesus - João 17

João capítulo 17 contém as últimas palavras de Jesus antes de ele ser entregue às autoridades para ser crucificado. Já foi muito abençoado por este texto, que está entre os meus favoritos na Bíblia. A oração que Jesus faz ali contém tantas verdades preciosas que citar todas aqui é praticamente impossível.

Neste texto, porém, gostaria de sistematizar algumas lições que aprendo nesse capítulo. Seguem com suas referências:

1 - 17.1-5: O que fez com que Jesus orasse pelos seus discípulos e não pelo mundo foram três fatores: terem recebido a palavra de Jesus, reconhecido sua autoridade e crido que ele é o Filho de Deus. Esses pontos chamam a atenção do Senhor para nós.

2 - 17: O momento anterior à maior aflição de Jesus foi precedido pela oração. Não pelo simples desespero ou aflição, mas pela oração. E Jesus orou por outros, quando a sua hora havia chegado. O Mestre se preocupava com os seus incondicionalmente.

3 - 17.6-8; 12; 26: No final da caminhada, Jesus pôde dizer que cumpriu o seu propósito. Lembro-me da morte de John Stott, há poucos dias. Um homem que também cumpriu o seu propósito. Devemos lutar para chegarmos ao final da caminhada sem motivos de lamento e/ou arrependimento.

4 - Jesus fez 4 pedidos pelos seus discípulos: que Deus os guardasse do mal para que a unidade fosse promovida no meio deles (11, 15); lhes desse santificação (17-19); que eles tivessem, mesmo após a cruz, comunhão com Jesus (24) e que o amor de Deus neles fosse manifestado (26). Cabe muito a nós respondermos esses pedidos de Jesus. Nossas atitudes podem providenciar o contexto para que o Senhor faça tudo isso em nós.

5 -(18, 20-21, 23) A missão de Jesus "não terminou no fim" e se estende aos discípulos e a nós. Somos a continuidade da obra que Jesus fez na cruz. Seu ministério terreno nos serve de norte e, como ele mesmo disse, podemos fazer mais do que ele mesmo fez (Jo 14.12).

A oração sacerdotal é o último discurso de Jesus, no qual ele declara a continuidade da sua missão e o cumprimento daquilo que lhe cabia até então. A perseverança de Jesus, todo o seu esforço para que seus discípulos cressem nele, as tensões que tivera com as autoridades e com os religiosos - e mesmo com os seus discípulos, culminavam agora no sucesso do seu propósito.

A vida de Jesus não foi fácil ou agradável. Não o vemos desfrutar de conforto ou lazer, o Mestre trabalhou incansavelmente mesmo estando limitado no corpo humano, como nós. Alguém muito otimista (e tolo também) diria que o Mestre teve uma vida difícil para que tivéssemos conforto agora. E/ou que ele viveu trabalhando muito para que descansássemos.

O cap 17 começa com a frase: "Tendo dito estas coisas, Jesus levantou os olhos ao céu, e disse:(...)". "Estas coisas" que Jesus havia dito terminaram em Jo 16.33, dizendo que teríamos aflições no mundo, mas como ele venceu o mundo, poderíamos ter bom ânimo. As aflições de Jesus também nos servem de exemplo para a prática. Nossa entrega a ele deve ser do mesmo nível. Afinal, foi o amor do Pai por Jesus e o seu amor por nós que o motivaram. Como Jesus nos amou assim como o Pai a ele e devemos amar ao próximo como a nós mesmos, este caminho é digno de nós.

Que no final, assim como Jesus, possamos declarar o cumprimento do nosso propósito. E que no caminho, esse propósito de servi-lo e fazer seu nome conhecido nos motive o tempo todo.

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