terça-feira, 30 de agosto de 2011

O justo Jesus de Lucas

O Evangelho de Lucas é o meu preferido por causa de sua ênfase inclusivista. Lucas escreve fazendo questão de incluir no relato mulheres, crianças e classes/profissões que eram discriminados naquela época. O autor quer mostrar que o Senhor não vê as distinções que criamos, que o Evangelho é manifestado a todos.

Uma das primeiras evidências dessa ênfase de Lucas é a aparição de anjos aos pastores de Belém, em 2.1-20. Os pastores eram mal vistos pela sociedade, pois sua fama de conduta não-exemplar os precedia. Eles tinham o costume de cometer pequenos furtos enquanto buscavam pasto para suas ovelhas (já contei isso e houve quem disse que certas coisas nunca mudam). Mas o Senhor não olha para isso e os escolhe para serem os primeiros a saber do nascimento de Jesus, por meio de um anjo.

O cântico de Maria também é um exemplo de como Lucas dá ênfase aos marginalizados. Os versos 1.52-53 dizem: "Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos". Lucas sabia e queria transmitir que o Senhor é um Deus justo e que conhece o coração e a necessidade de cada um, não vendo como o homem vê.

O Jesus apresentado por Lucas é esse que se preocupa em equilibrar a balança da vida. Que promove a inclusão e a justiça, que não discrimina, que veio para os doentes e não para os sãos. É esse Jesus que come com pecadores, conversa com pessoas de má fama, valoriza as mulheres e as crianças. Foi ele quem chamou para discípulo um cobrador de impostos e permitiu que uma mulher pecadora lhe prestasse culto, lavando-lhe os pés.

Nós somos quem olhamos com preconceito, Jesus olha com amor. Nós fazemos juízo de valores (deturpados valores), enquanto o Senhor apenas condena o pecado, aceitando o pecador. Se Jesus tivesse encarnado no nosso tempo, certamente o acharíamos pregando nas casas de prostituição, nos becos de mendigos, nas casas de jogos e nas cadeias. E nos escandalizaríamos com ele, assim como seus contemporâneos.

Graças a Deus por seu amor sem preconceito. Por que ele consegue olhar no nosso coração onde ninguém mais vê. E certamente há, aos seus olhos, motivos em nós que seriam suficientes para sermos discriminados por muitos. Mas ele veio justamente por que não merecemos e não alcançaríamos seu amor por nós mesmos. Graças a Deus por Jesus, que é perfeito, muito melhor do que nós, e ainda assim não nos condena - como muito fazemos com nosso próximo.

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