terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mais uma contra a teologia da prosperidade

Outro dia ouvi alguém dizer que ouviu numa pregação (de alguma coisa que não era o evangelho) que Jesus era alguém rico, alguém de posses. Que, por ele ter tido o melhor dessa terra, nós também teríamos. O suposto pregador disse que, ao entrar em Jerusalém montado num jumento, Jesus estava usufruindo do equivalente a um carro de luxo nos dias de hoje.

É, eu sei que é tão medíocre a afirmação que te dá preguiça de ler. Também tive de escrever, então ficamos quites. Não vou dar mais exemplos desse nível para te ajudar a ler o texto até o final.

Em Lucas 2.21-24, há a narrativa da circuncisão e da apresentação de Jesus no Templo, conforme determinava a lei judaica. Ao oitavo dia de nascido, todo homem deveria ser circuncidado e todo primogênito consagrado ao Senhor. Assim os pais de Jesus procederam.

Uma oferta era determinada pela lei, e essa determinação está em Levítico 12, que deixarei para você ler. O texto diz que os pais da criança deveriam sacrificar um cordeiro. Porém, caso não tivessem condições de fazê-lo, deveriam oferecer um par de rolas ou de pombinhos (12.8), que foi o que os pais de Jesus ofereceram na ocasião.

Jesus viveu uma vida plena, porém árdua e sem luxo. Numa ocasião em que precisou pagar um imposto junto com Pedro, ele não tinha dinheiro. Mandou que Pedro fosse pescar e tirasse da boca do peixe uma moeda para pagarem o devido. Quando mandou os discípulos irem pregar o evangelho, orientou que o fossem sem reservas de roupas, suprimentos ou dinheiro. Ao confrontar o jovem rico, orientou-o a vender seus bens e ao relacionar-se com Zaqueu, rico cobrador de impostos, este sentiu-se constrangido a restituir tudo o que havia ganho com prejuízo alheio.

Jesus não fez nenhum milagre financeiro (!). Hoje isso até pode causar espanto. Como disse minha esposa outro dia, caso Jesus estivesse em nosso tempo, esse possivelmente seria o pedido mais comum. Jesus não morreu na cruz para nos dar uma "vida próspera", ele morreu para nos dar VIDA. Estávamos mortos no pecado, mas com ele temos a vida eterna.

A teologia da prosperidade menospreza a mensagem do Evangelho, fazendo-nos esperar de Deus apenas para essa vida. E, como disse o Apóstolo Paulo, fazendo assim somos os mais infelizes dessa terra. A teologia da prosperidade não é o evangelho. As boas novas de salvação que Jesus nos trouxe são. Graças a Deus por isso.

Um comentário:

Ana Cristina disse...

Como amo esse tipo de texto.Precisamos combater esse tipo de teologia da prosperidade que é um cancer para nossas igrejas.Continue assim Pastor.Deus te abençoe.Ana(conselheria)