quarta-feira, 31 de agosto de 2011

João Batista e sua mensagem para poucos II - Exemplos

Você leu o texto anterior e ficou na dúvida sobre qual seria a postura ideal. Se ficou mesmo, veja alguns bons exemplos que conheço. E alguns terríveis (anônimos) também...

Em 2008 ouvi o Pr. Rick Warren na Ig. Batista Getsêmani. Sua história é um dos maiores referenciais que tenho e terei. O Pr. Rick ganhou (e ganha) milhões com a venda de seu livro best-seller mundial, "Uma vida com propósitos". Para resumir muito, Warren mostrou ao público naquela ocasião seu relógio comprado no WallMart antes das vendas do livro e disse andar no mesmo carro que ele tinha há 6 anos. Devolveu 25 anos de salário à sua igreja, passou a viver com 10% dos seus ganhos e a doar 90% para a beneficência. Uma das beneficiárias é um ong que ele mesmo fundou, para cuidar de pessoas aidéticas.

Richard Stern, presidente da Visão Mundial, foi CEO de duas multinacionais até os seus 28 anos, quando sentiu-se chamado para trabalhar como presidente desta instituição. Abriu mão de altos salários e muito luxo, para entregar-se ao cuidado de crianças necessitadas na África e em outros lugares. Richard já tinha uma condição boa quando se casou. Em seu livro "A grande lacuna" (publicado originalmente em inglês sob o título "The hole in our gospel"), ele diz que não conseguia comprar os melhores utensílios para sua casa, por pensar que estaria gastando desnecessariamente enquanto sabia que milhares passavam por necessidades básicas.

Por outro lado, vemos líderes "evangélicos" vivendo com luxo extremo. Carros importados caríssimos, aviões, mansões, etc.. Mas a lógica que domina a mente desses homens não é a lógica da encarnação, mas a capitalista. A lógica da encarnação de Jesus é a de que o Deus Todo-Poderoso, o Verbo Divino, se fez como nós para trazer-nos salvação. Se me digo pastor, como terei um padrão de vida elevadíssimo, muito além daquele no qual vivem minhas ovelhas? Me acharei merecedor de tal conforto, por estar "entregando minha vida ao ministério"?

Quantos já não confundem, por causa dessa lógica trocada, "viver do ministério" com "entrar no mercado gospel"? Gravar cd's, clipes, etc., fazer shows (cultos?) caríssimos e viver no luxo com o resultado disso não é viver pela fé ou do ministério. É achar um filão de mercado e gozar dele. Conhecemos alguém que reverteu rendas milionárias do mercado musical para missões e/ou para obras sociais? Se conhecemos, sei que a proporção perto dos que fazem o contrário é ínfima.

Daí, temos exemplos melhores até fora do meio cristão, como é o caso da trupe O Teatro Mágico, que milita em favor da música independente, valorizando a música como arte, e arte na qual não se põe preço. Suas músicas são maravilhosas, coerentes, críticas, com qualidade sensacional. E se você quiser ouvir, basta baixar de graça em seu site. Ou ir a um show com custo muito baixo. Sua luta se torna mais autêntica do que a "obra" de muitos cristãos. Vivem da arte, mas ela não se torna serva de sua ganância.

Esse texto é um desabafo, sim. Mas um desabafo de problemas que nos cercam e que devem nortear a nossa prática. Não é um "apedrejamento" à igreja de hoje, mas uma crítica à conduta de alguns e mais do que isso, uma prevenção à nossa. Essa crítica é acompanhada da esperança de colaborar para um meio cristão mais esclarecido. E isso só pode ser feito do lado de dentro, por isso não é uma crítica para destruir a igreja, pois sou também parte dela, a amo e por ela luto.

Podemos viver bem, sim. Mas o altruísmo é característica essencial do cristianismo. Que Deus tenha em suas mãos nosso coração e prática. Que não nos esqueçamos que o exemplo de Cristo foi o da simplicidade e da doação. Que Deus nos livre da ganância!

3 comentários:

Carolina Leonel disse...

Excelente desabafo!
A dificuldade e ter lucidez para que a falta de bons exemplos não tornem essa visão de mundo normal para nos. Cristianismo e um confronto ao nosso modo de vida. Se assim não fosse de nada adiantaria as palavras já que não mudariam nossas atitudes. Particularmente eu tenho muito que melhorar.
Deus abençoe.

Pr. Renato Melgaço disse...

Diferente da trupe citada, a nossa denúncia é mto mais sensível e complicada, gerando contornos que tornam o nome do grupo dos denunciantes de "O Teatro Trágico" cantando: "O profeta pena, quando cai o cânon, e o cânon cai..."

Excelente texto!!

Nivton Campos disse...

Tem comentários que deveriam aparecer no meio do texto...

Valeu, Carol e Renato! Que Deus nos abençoe!