terça-feira, 16 de agosto de 2011

Fé covarde num Cristo morto

Para um cristão, ler o capítulo 19 de João é uma das leituras mais difíceis de se fazer. Jesus é ali zombado, humilhado e os judeus pedem sua crucificação decididamente. Então, ele é condenado sem que tenha ferido nenhuma lei, como reconhece Pilatos várias vezes.

Pilatos, inclusive, dá indícios de ter acreditado em Jesus. Ele não o quis condenar, fazendo-o por pressão dos judeus apenas. E quando ouviu que Jesus se "havia feito filho de Deus" (19.7), ficou atemorizado. Mandou talhar na sua cruz a alegação sob a qual foi condenado: Jesus, o nazareno, o Rei dos Judeus. Os principais sacerdotes disseram a Pilatos para escrever apenas que ele havia dito ser o rei dos judeus, não que o era. Mas Pilatos recusou-se, fazendo permanecer o escrito original.

Outros dois personagens aparecem após a crucificação, ambos demonstrando "fé" em Jesus. São eles José de Arimatéia e Nicodemos, aquele fariseu que havia conversado com Jesus em Jo 3. O verso 19.38 diz que José era discípulo de Jesus, porém em secreto, por medo dos judeus. Quanto a Nicodemos, havia ouvido uma mensagem que chamava ao arrependimento e a uma nova vida em Cristo, mas não havia atendido. Apenas agora aparecera.

Pilatos não teve coragem de assumir a fé em Cristo. Para ele, Jesus era no mínimo inocente, mas a pressão externa o levou a crucifica-lo. José de Arimatéia e Nicodemos não tiveram coragem de praticar sua fé em Cristo. José teve medo e o texto bíblico não diz por que Nicodemos não seguiu a Jesus, aparecendo somente agora. Apenas vemos que Jesus o chamou ao novo nascimento, ao desprezo da vida anterior e dedicação total a uma nova vida com Ele. E Nicodemos não demonstrou reação.

Com o exemplo desses três sujeitos, podemos refletir se nossa fé não está como a deles: uma fé covarde. Se realmente cremos em Jesus, nosso discurso, prática, pensamentos, etc., não são mais os mesmos. Mas uma convicção sem força suficiente para ser testemunhada é, no máximo, mais uma crença religiosa.

A promessa do Espírito Santo é de recebermos nele "poder para testemunhar", como Atos 1.8. Se nossa fé tem tido um testemunho impotente, precisamos do poder do Espírito Santo. Ou de uma experiência verdadeira com Cristo, que era o que Pilatos precisava. Não podemos nos contentar em cultuar um Jesus morto, como fizeram Nicodemos e José. A fé verdadeira vê e caminha com um Cristo vivo, e dele assim testemunha.

"E recebereis poder, quando descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas..."

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