sábado, 6 de agosto de 2011

Disposição incondicional, ainda que falte a fé.

À altura do capítulo 11 do Evangelho de João, Jesus já está bem odiado pelos judeus. Já haviam pegado pedras para apedreja-lo, tentado prendê-lo e a cada momento procuram razão para matá-lo.

Neste capítulo é anunciado a Jesus que Lázaro, irmão de Marta e Maria havia morrido. Jesus era muito amigo dos três, como diz o texto. Então, ele decide ir até a Judéia com seus discípulos, onde há pouco eles tentaram apedrejá-lo, como os próprios discípulos o lembram (11.8). Jesus está mesmo decidido a ir, pois vê ali uma oportunidade de aumentar a fé dos seus discípulos (11.14-15).

Tomé, aquele mesmo que quando Jesus ressuscitou duvidou que de fato era ele quem tinha aparecido aos seus amigos até que tocou em suas feridas, toma a palavra. Isso só acontece mais duas vezes no texto de João (e também nos outros evangelhos), no cap. 14, num diálogo com Jesus sobre sua morte e ressurreição e no cap. 20, quando Jesus lhe aparece já ressurreto. Tomé diz: "Vamos todos nós também para morrer com ele".

Caso voltassem para a Judéia, a morte era certa. O que não inibiu Tomé de querer continuar com o Mestre. Sabemos que Tomé foi o único que não estava na primeira aparição de Jesus ressurreto aos discípulos e por isso duvidou que de fato era Jesus que lhes aparecera (20.24-29). Aqueles que creram sem que precisassem tocar em suas feridas, como Tomé fez questão de fazer, foram chamados bem aventurados.

Todos os sinais que Jesus operou até este momento com os discípulos tinham o objetivo de lhes gerar fé. A formação deles ainda caminhava e Tomé nos demonstra mais tarde que ainda não estava totalmente pronto. Porém, sua disposição nos mostra uma entrega sem reservas, que está disposta a ir até onde consegue. Ainda que lhe fosse real um pouco de dúvida, Tomé estava disposto a tudo pelo Senhor. Ele já havia visto o suficiente para conhecer a Jesus e saber que ele era o Filho de Deus.

A exemplo de Tomé, o fato de não sermos perfeitos não deve nos impor limitações. Sabemos quem é Jesus e isso já é suficientemente motivador. O Senhor é gracioso e age conosco assim como com Tomé, ajudando-nos na nossa falta de fé. Não deixemos que acusações sobre as nossas imperfeições ou por aquilo que ainda não alcançamos com o Senhor nos impeça de darmos o máximo a ele. Ainda que nos falte a fé, que seja abundante a disposição para servi-lo.

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