sexta-feira, 29 de julho de 2011

Simples fé num Deus simples

O texto é João 4.43-54. Jesus saíra da Judéia rumo à Galiléia, havendo passado dois dias em Samaria. Chegado à Galiléia, João nos narra o encontro dele com um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum, ao Sul de onde Jesus acabara de chegar.

Vale lembrar uma ênfase de João em seu Evangelho como um todo e que também está presente na sua primeira carta, principalmente: é fundamental para a fé entender corretamente quem é a pessoa de Jesus.

Até este momento, Jesus encontrou-se com algumas pessoas diferentes, que reagiram também de maneiras diversas a este encontro, mas com um ponto em comum: ninguém parecia falar a mesma língua que o Mestre.

Foi assim com os judeus no templo, em Jerusalém (2.13-25), quando Jesus falou a respeito do templo do seu corpo e eles entenderam que lhes era falado sobre o templo ali construído. Também com Nicodemos (3.1-21), quando Jesus disse que era necessário nascer de novo para se entrar no reino de Deus e aquele fariseu entendeu que isso era literal. E ainda com a mulher samaritana (4.1-26), que tendo Jesus lhe oferecido água viva, que mataria a sua sede de forma definitiva, ela lhe questionou como ele pegaria tal água, se não tinha um balde em mãos (!?).

Em todos os episódios citados, notem que Jesus sabia o ponto chave para tratar com cada um: mostrou a fragilidade do templo para aqueles que viviam dele; disse a um judeu, que como todo conterrâneo, se orgulhava de sua linhagem, que era preciso nascer outra vez - desprezando seu nascimento carnal em prol de um espiritual e a uma mulher que levava uma vida imoral que sua sede interior não estava preenchida, ainda que ela pudesse ter buscado isso em cinco casamentos.

A linguagem de Jesus era tão simples, que os muitos preconceitos/pressupostos de seus ouvintes lhes impediam de entender. O texto sobre o qual falamos agora, porém, nos mostra uma situação positiva e contrária às anteriores: a simples fé na palavra de Jesus.

Quando o oficial diz que seu filho está doente (e em outra cidade), Jesus diz apenas: "Vai, o teu filho vive". E o mesmo verso, o 50, diz que "o homem creu na palavra de Jesus e partiu". Sem todo o questionamento e complexidade dos diálogos anteriores. Sem preconceitos, sem dúvidas a serem tiradas, simplesmente fé. Sua reação a Jesus foi a melhor descrita por João até aqui.

Finalmente, ainda devemos atentar para a simplicidade da atitude de Jesus: "vai, o teu filho vive". O Mestre não lhe mandou fazer uma campanha de sete semanas, levar uma "toalha ungida" ou comparecer a uma reunião. Simplesmente curou a criança, como nos mostram os últimos versos do capítulo.

Jesus e o oficial representam ânimo, esperança e exemplo para nós. Ânimo e esperança para termos fé nesse Deus "descomplicado" que é Jesus. E exemplo, para tornar essa fé pura e simples, capaz de acreditar numa simples sentença, pelo crédito que merece quem a proferiu.

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