sábado, 30 de julho de 2011

Jesus não respeita nossa religião

E Jesus estava a caminho de Jerusalém quando passou por um tanque que, segundo a tradição, era movido vez em quando por um anjo que permitia ao primeiro que ali se atirasse ser curado de qualquer doença (Jo 5.1-4).

Um homem paralítico já tentava há 38 anos - mais tempo do que eu tenho de vida, entrar no tanque sem sucesso. Jesus é movido por sua compaixão e cura aquele homem, independente do tanque.

Sua atitude quebra dois paradigmas, sendo o primeiro na própria vida daquele homem. Ao ser questionado por Jesus se queria ser curado, ele responde com a mentalidade de quem entende depender totalmente do método do "banho milagroso" para que isso acontecesse. É notável o desprezo de Jesus pela sua resposta insuficiente à pergunta. Ele não respondeu sim ou não, mas reclamou não conseguir tomar o "banho da cura". Jesus passa por cima do seu misticismo e mente fechada, e o cura imediatamente.

A segunda quebra de paradigma é para com a religião judaica: era pleno sábado, e a lei judaica limitava muito o que se poderia fazer naquele dia. O homem que não andava há 38 anos, segundo aqueles judeus tradicionais, deveria esperar até o outro dia para carregar a sua esteira e ir para casa. Ainda que deixasse a esteira, a distância do tanque até a entrada da cidade já deveria ser superior à permitida para se caminhar no sábado.

Jesus não se limitou ao método ao qual a fé do paralítico estava presa: o curou de forma simples e direta. E não beneficiou a lei em detrimento da liberdade e do amor/compaixão: desprezou o sábado.

Jesus não está preocupado com o que achamos ideal ou correto. Se pensamos funcionar desse jeito ou ser certo daquele. Jesus é simples (como disse aqui outro dia) e está preocupado mais com o exercício da sua obra do que com a forma que pensamos funcionar uma religião. Mais com a sua obra do que com nossos métodos e preconceitos. Graças a Deus!

João 5.16-30; 31-47 - Jesus, por ele mesmo

Estes últimos textos devocionais sobre o Evangelho de João seguem a leitura pessoal que tenho feito do Novo Testamento, junto com meus irmãos da Missão Getsêmani em Pedro Leopoldo, como disse há alguns posts atrás.

A intenção é de publicar devocionais, não estudos. Porém, ao me deparar com o texto citado no título, não poderia deixar de fazer ao menos algumas observações simples sobre ele. Não publicarei devocionais sobre todo o texto (a intenção inicial era um devocional por capítulo), por isso quero enfatizar para você, que tem seguido estas publicações, o que João prioriza mostrar-nos neste discurso de Jesus.

A primeira parte, dos versos 16-30, traz para nós mais características da pessoa de Cristo. O próprio Jesus é quem profere o discurso, motivado por uma discussão com os judeus. Nesta parte, Jesus nos diz que ele:
  1. É dependente do Pai, sem o qual não pode fazer nada (5.19,30) - Se ele não pode, imagine nós!
  2. É amado pelo Pai, que lhe revela as suas obras (5.20)
  3. Tem o poder de conceder a vida eterna, também junto com o Pai (5.21)
  4. Recebeu de Deus todo o poder para julgar (5.22, 27)
  5. Possui a mesma honra que o Pai (5.23)
  6. É aquele através de quem se crê para a vida eterna (5.24) e por meio de quem virá o fim dos tempos (5.25-30).
Como já disse aqui, João se preocupa muito em nos dizer quem de fato é Jesus.

Na segunda parte do texto, que identificamos nos versos 31-47, Jesus fala sobre o testemunho que é dado dele mesmo. Para isso, usa como testemunhas:
  1. João Batista (5.32-35)
  2. Suas próprias obras (5.36)
  3. Deus Pai (5.37-38)
  4. As Escrituras do Antigo Testamento (5.39)
  5. Moisés e a Lei, a respeito da qual Jesus estava sendo questionado neste momento por seus opositores (5.45-47)
Os versos 41-44 apresentam ainda uma comparação entre o louvor e a glória humanos e a glória de Deus, a qual reveste Jesus de autoridade.

Este discurso riquíssimo de Jesus colabora para a ênfase de João na sua pessoa. Destaco este texto para voltar nossa atenção à intenção do autor ao escrever, que é identificada por suas ênfases e seleção minuciosa de detalhes que nos narra.

O texto bíblico, por si só, já é riquíssimo. Mas como temos visto aqui, o que o autor intenta nos transmitir também é palavra de Deus para nós: precisamos compreender corretamente quem é Jesus. Tão repetitivo quanto tem sido este fato nas últimas postagens, o é no Evangelho joanino. E tanto quanto é repetitivo, é importante que saibamos disso.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Simples fé num Deus simples

O texto é João 4.43-54. Jesus saíra da Judéia rumo à Galiléia, havendo passado dois dias em Samaria. Chegado à Galiléia, João nos narra o encontro dele com um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum, ao Sul de onde Jesus acabara de chegar.

Vale lembrar uma ênfase de João em seu Evangelho como um todo e que também está presente na sua primeira carta, principalmente: é fundamental para a fé entender corretamente quem é a pessoa de Jesus.

Até este momento, Jesus encontrou-se com algumas pessoas diferentes, que reagiram também de maneiras diversas a este encontro, mas com um ponto em comum: ninguém parecia falar a mesma língua que o Mestre.

Foi assim com os judeus no templo, em Jerusalém (2.13-25), quando Jesus falou a respeito do templo do seu corpo e eles entenderam que lhes era falado sobre o templo ali construído. Também com Nicodemos (3.1-21), quando Jesus disse que era necessário nascer de novo para se entrar no reino de Deus e aquele fariseu entendeu que isso era literal. E ainda com a mulher samaritana (4.1-26), que tendo Jesus lhe oferecido água viva, que mataria a sua sede de forma definitiva, ela lhe questionou como ele pegaria tal água, se não tinha um balde em mãos (!?).

Em todos os episódios citados, notem que Jesus sabia o ponto chave para tratar com cada um: mostrou a fragilidade do templo para aqueles que viviam dele; disse a um judeu, que como todo conterrâneo, se orgulhava de sua linhagem, que era preciso nascer outra vez - desprezando seu nascimento carnal em prol de um espiritual e a uma mulher que levava uma vida imoral que sua sede interior não estava preenchida, ainda que ela pudesse ter buscado isso em cinco casamentos.

A linguagem de Jesus era tão simples, que os muitos preconceitos/pressupostos de seus ouvintes lhes impediam de entender. O texto sobre o qual falamos agora, porém, nos mostra uma situação positiva e contrária às anteriores: a simples fé na palavra de Jesus.

Quando o oficial diz que seu filho está doente (e em outra cidade), Jesus diz apenas: "Vai, o teu filho vive". E o mesmo verso, o 50, diz que "o homem creu na palavra de Jesus e partiu". Sem todo o questionamento e complexidade dos diálogos anteriores. Sem preconceitos, sem dúvidas a serem tiradas, simplesmente fé. Sua reação a Jesus foi a melhor descrita por João até aqui.

Finalmente, ainda devemos atentar para a simplicidade da atitude de Jesus: "vai, o teu filho vive". O Mestre não lhe mandou fazer uma campanha de sete semanas, levar uma "toalha ungida" ou comparecer a uma reunião. Simplesmente curou a criança, como nos mostram os últimos versos do capítulo.

Jesus e o oficial representam ânimo, esperança e exemplo para nós. Ânimo e esperança para termos fé nesse Deus "descomplicado" que é Jesus. E exemplo, para tornar essa fé pura e simples, capaz de acreditar numa simples sentença, pelo crédito que merece quem a proferiu.

Que completa e quão ampla é a Bíblia!

A Bíblia nos traz muito alimento espiritual. Muito mesmo. Estou lendo o Evangelho de João e publicando as devocionais aqui. Comecei no domingo, paralelamente a uma leitura do Antigo Testamento, junto com os irmãos da Missão Getsêmani de Pedro Leopoldo. A intenção era escrever um texto devocional por capítulo, mas conseguiria ficar preso aqui nos cinco primeiros por muito tempo.

Com a morte de John Stott no dia 27/07, muitos disseram muito sobre ele. O que mais me chamou a atenção, porém, foi o que disse Russel P. Shedd, outro que merece nossa admiração em Cristo. Ele contou que ouviu Stott pela primeira vez em Illinois, EUA, expondo o texto de II Cor 2.14-6.11. Segundo Shedd, ao término da exposição lhe perguntaram como seria possível tirar tanto alimento espiritual de um único texto bíblico. Sua resposta foi simples: trabalho.

Vendo seu exemplo, sei que posso estudar e analisar as Escrituras com zelo e carinho por elas. Com bastante trabalho e dedicação, ouvirei muito ainda a voz do Senhor através dela, e você também.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ganhando a companhia de Jesus

Os primeiros 42 versos do capítulo 4 do evangelho de João narram a passagem de Jesus por Samaria, indo da Judéia, que ficava ao sul, para a Galiléia, ao norte. Samaria estava entre esses dois pontos.

Esperando por seus discípulos ao lado de um poço, Jesus encontra-se com uma mulher samaritana e tem com ela um diálogo que é muito conhecido. Ele a oferece beber de uma água que mataria sua sede interior eternamente. Revela a ela como sua vida tem sido levada de forma errônea e a chama ao arrependimento. Pelo seu testemunho, muitos na cidade creram em Jesus.

O vs. 4.9 nos diz que os judeus não se davam com os samaritanos. A parábola do bom samaritano também nos deixa isso claro. Os dois grupos brigavam para ver quem "possuía" a verdade. Aliás, é um erro tão comum no nosso tempo: confundir o conhecimento com a posse da verdade...

A atitude esperada de Jesus, como um bom judeu, era não dar ouvidos à mulher samaritana e nem se relacionar com esse povo. Porém, o vs. 4.40 diz que os samaritanos encontraram-se com Jesus e lhe pediram que ficasse com eles. Jesus desconheceu a rivalidade dos dois grupos e ficou com eles dois dias, vendo muitos samaritanos crerem no que ele dizia.

Jesus permanece onde ele é bem vindo. E ele não vê com os nossos olhos - Jesus desconhece preconceitos. Jesus andou com mulheres (o que era um escândalo para a época), cobradores de impostos, comeu com pecadores, deu atenção a gentios. Em contrapartida, opôs-se a religiosos. Isso porque a linguagem que fala ao coração de Deus não é outra que não a sinceridade.

Se quisermos a companhia de Jesus, basta que o recepcionemos bem e creiamos em suas palavras. Não importa se somos judeus ou samaritanos, apenas se somos sinceros.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Garantindo seu testemunho

Em 2004 comecei a cursar psicologia na PUC-MG. Pretendo ainda concluir o curso, pois me identifiquei muito com o conteúdo, apesar de só ter cursado um ano. O retrato da sala era o seguinte: 54 alunos; 6 homens; 3 ou 4 mulheres que não eram muito lindas - dou minha palavra que não acreditava em como poderia haver tanta mulher bonita em uma única sala de aula.

Sabia que entrava num lugar em que seria tentado. Estava solteiro, me comunicava sem dificuldade com todo mundo e gostava de me relacionar. Minha motivação com o curso já era garantia de bom rendimento, o que também aproximaria as pessoas de alguma forma, o que de fato aconteceu.

Na primeira semana de aula, sabia que precisava deixar claro de uma vez que era cristão, e o fiz. Levei vários panfletos evangelísticos, cheguei mais cedo na sala e deixei um em cada carteira. Depois, fiquei na porta da sala dizendo a todos que chegavam que havia um folheto deixado por mim em sua carteira para que eles refletissem.

Esta atitude me livrou de problemas posteriores. Todos sabiam que eu comprometido com Cristo e me respeitaram por isso. O Senhor é bom, eu consegui me relacionar bem com todos e preguei para os meus colegas sem que eles me achassem um E.T..

No terceiro capítulo do Evangelho de João, vs. 28-30 (que é um recorte do bloco maior que vai de 22-36), João Batista é questionado sobre o fato de Jesus estar batizando, o que num primeiro momento era de sua exclusiva competência. João responde:

"Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo, que lhe assiste, espera e ouve, e alegra-se muito com a voz do noivo. Essa alegria é minha, e agora está completa. É necessário que ele cresça, e que eu diminua".

E João já havia mesmo deixado claro que ele era apenas alguém que anunciava a Cristo, nada além disso (Jo 1.15-36). Agora, questionado, o que ele havia deixado claro no começo já lhe servira de argumento e segurança: Jesus poderia fazer o que quisesse, pois ele recebeu de Deus o que fazia (3.27) e era ele o Cristo, não João Batista. O que João havia postulado no início tornou-se base de seu ministério.

Em diferentes situações, pessoas cristãs - especialmente os jovens, têm dificuldade em dar um testemunho cristão em seu ambiente de estudo, trabalho ou no círculo de amigos. Ouvir uma mensagem que o incentive a fazer alguma loucura por Jesus pregando o Evangelho na festa de formatura, por exemplo, soa impossível aos seus ouvidos, pois sua imagem cristã não fora construída desde o início. Este jovem sabe que seus amigos/colegas estranhariam uma pregação vinda dele, pois o retrato que pintaram deste jovem em suas mentes não condiz com aquilo.

Sendo Cristo o mais importante para nós, faremos como João Batista: deixaremos claro, no primeiro momento, que ele é maior do que nós. Que o que fazemos, fazemos por ele e que não abrimos mão da nossa fé e testemunho. Fazendo isso o quanto antes, garantimos a continuidade de nosso testemunho e não seremos envergonhados. Nem pelos homens, nem pelo Senhor.

"Todo aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus. Mas todo aquele que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai que está nos céus".
Mateus 10.32-33

terça-feira, 26 de julho de 2011

Para quê servem os sinais/milagres?

Como já disse anteriormente aqui mesmo no blog, considero João, discípulo de Jesus, um dos maiores escritores bíblicos. Sua coerência e profundidade são muito interessantes.

No terceiro cap. do seu Evangelho, João nos mostra Jesus tendo uma conversa com Nicodemos, na qual ele profere uma de suas falas mais famosas: Jo 3.16. Chama a atenção, além do teor importantíssimo do diálogo, o que o motiva a acontecer: os sinais que Jesus estava fazendo.

Vale notar que estamos apenas no cap. 3 do Evangelho e que o único sinal que João nos mostrou até aqui fora a transformação da água em vinho (cap. 2), e disse que Jesus fizera muitos outros durante a Páscoa, em Jerusalém, sob os olhos de muitas testemunhas.

Num confronto com os judeus em 2.13-25, eles lhe perguntam no vs. 18 qual sinal miraculoso atestava sua autoridade para agir como agia. Os espectadores de Jesus estavam atentos às suas obras, pois a história nos diz que muitos que se diziam o Messias já tinham se manifestado naquele tempo.

Quando Nicodemos encontra-se com Jesus, ele diz: "Sabemos que és Mestre, vindo de Deus, pois ninguém pode fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele".

João está deixando claro para nós que os sinais de Jesus têm atraído a fé de suas testemunhas. Em 2.11 ele diz que a transformação da água em vinho fez com que seus discípulos cressem nele. Em 2.23, que os milagres na Páscoa também levaram muitos a crerem em seu nome. E agora Nicodemos, um dos principais dos judeus, fariseu, o busca por causa destes sinais.

A fé que os sinais de Jesus geravam, começando dos discípulos, passando pelo seu público geral e alcançando a elite da sociedade, fazia valer seu acontecimento. Jesus não estava simplesmente buscando seguidores com os sinais. Ele não fazia "show" com a sua fé. Seus sinais apontavam para a salvação que lhes estava sendo revelada.

Devemos buscar o poder de Deus, para sermos testemunhas do Evangelho (At 1.8). Não por vaidade, para tornar a prática cristã mais emocionante, para surpreender um ou outro. Mas para fazer brotar a fé em Deus naqueles que ainda não a têm.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quem é Jesus? Uma pergunta que precisamos saber responder.

João é um escritor muito coerente. Não é preciso um olhar muito especialista para reconhecer a unidade de seus quatro cinco livros do Novo Testamento: o Evangelho, as três cartas e o Apocalipse. A riqueza de detalhes, a escolha rigorosa de suas ênfases ao expor a mensagem fazem dele um dos meus autores bíblicos favoritos.

Já disse aqui em outro texto que em sua primeira carta João nos deixa três parâmetros que atestam se de fato conhecemos a Cristo, e um deles é uma compreensão correta de quem Jesus é.

Essa preocupação está muito clara também no primeiro capítulo do seu Evangelho. Ele começa dizendo que Jesus é o Verbo, que estava com Deus desde o início e que foi o intermédio de toda a criação (1.1-5). Logo depois conta-nos sobre João Batista, deixando muito claro que ele sabia muito bem quem era Jesus e também do seu papel como instrumento de Deus (1.6-8, 15, 19-23, 25-27, 29-34).

João, o Apóstolo, já nos mostra saber muito bem quem era Jesus e também que João Batista compartilhava dessa consciência. E ainda faz outra exposição interessante: dos doze apóstolos chamados, João cita quatro. São eles André (1.35-41), Pedro, Filipe (1.45) e Natanael (1.46-49). Todos eles, nas referências citadas, reconhecem quem é Jesus. O único que dispensa essa explicação no próprio primeiro capítulo é Pedro, mas sua história é contada com detalhes no decorrer do livro.

Uma compreensão correta da pessoa de Cristo é ponto chave da nossa fé. O caminho para isso é a sua Palavra, pois ela é o próprio Deus revelado a nós. Valorizando a Bíblia, lendo-a e praticando-a, alcançaremos o grande objetivo de conhecermos a Deus verdadeiramente, sem enganos.

sábado, 23 de julho de 2011

Atestado de predestinação

Um erro teológico grosseiríssimo é achar que a doutrina da predestinação abre preceitos para se viver no pecado, pensando que o que é eleito será salvo de qualquer forma; que em algum momento será chamado ao arrependimento e se voltará para Deus.

Ainda em Tessalonicenses, desta vez nas duas cartas, vemos alguns dizeres de Paulo (Silvânio e Timóteo também, seus co-autores) que mostram justamente o contrário: que os eleitos portam-se de forma exemplar e coerente com o Evangelho.

I Ts 1.2-3 diz:

"Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do vosso trabalho de amor e da vossa firmeza de esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai, reconhecendo, irmãos amados de Deus, a vossa eleição."

II Ts 1.4-5:

"De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais. Tudo isso é prova clara do justo juízo de Deus, e como resultado sereis havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis."

II 2.13-14:

"Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade (...)."

Os autores desta carta não poupam reconhecimento dos frutos da fé dos seus destinatários, dizendo assim que esses frutos atestam seu chamado ao Evangelho.

Esta afirmação vai na contra mão da tolice que é julgar-se (ou a outro) um "eleito" com free-pass para uma vida libertina. Se de fato fomos chamados pela graça de Deus e justificados em Cristo, seremos por ele aperfeiçoados até que ele volte e nos redima por completo do pecado.

Somos salvos? Então nos portaremos em coerência com nossa vocação. O contrário apenas atesta que estamos longe do Senhor, nada mais.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A fórmula da prosperidade

Outro trecho de I Tessalonicenses me chamou a atenção: os versos 4.11-12. Dizem:

"Procurem viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com as vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado, para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma."

Traduzindo do grego a primeira frase de uma forma mais literal, ficaria como: "ambicionem uma vida tranquila". E a última, do mesmo modo: "para que vos porteis apropriadamente com os de fora e não necessitais de ninguém".

Esta orientação simples, para cuidarmos dos nossos negócios, exercendo o nosso trabalho com o nosso próprio esforço, está num bloco que contém outras duas orientações sobre como viver para agradar a Deus, sendo as duas primeiras o abster-se da corrupção e o exercer o amor fraternal (4.1-12). Tal orientação ser citada dentre as duas outras eleva-lhe o grau de importância, pois a santificação e o amor fraterno são princípios cristãos básicos.

O Senhor, que sabe o que é bom para nós, orienta-nos à santificação, à prática do amor (que conduz à comunhão) e ao viver bem, com um trabalho honesto. Paulo, que lhes fala, tinha autoridade para fazer essa última orientação, especialmente, pois ele e seus companheiros trabalharam duro para não serem financeiramente pesados aos tessalonicenses enquanto estiveram com eles (2.9).

O Senhor quer que trabalhemos e nos esforcemos, portando-nos como nos convém perante aqueles que não conhecem a Cristo. Assim, não teremos necessidades diante deles e entendemos que o nome de Deus é glorificado nisso.

Interessante e digno de atenção que o Senhor condiciona, neste texto, a ausência de necessidade ao esforço próprio. É claro que o Senhor é quem nos aprovisiona, mas ele nos orienta a trabalharmos para isso. Que sejamos esforçados e contemos com a benção de Deus sobre o nosso trabalho.

E não deixemos de dar atenção à primeira parte do verso: que a nossa ambição seja por uma vida tranquila e não por enriquecimento material ou qualquer outra prioridade que tire a nossa paz: o Senhor tem por precioso o nosso bem estar.

Uma conclusão simples: se trabalharmos como devemos e não formos ambiciosos, não teremos necessidades. Não é este um excelente caminho para a prosperidade, bem diferente de outras "loucuras" que ouvimos por aí?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Servindo seguros

Para exercermos um ministério eficaz precisamos estar seguros de que fazemos o que Deus quer de nós. Somente essa segurança em Deus nos dará ousadia e, se estivermos seguros com razão, receberemos do Senhor autoridade, poder e unção.

O Apóstolo Paulo, na 1ª carta aos Tessalonicenses, diz que havia lhes pregado o evangelho com poder, através do espírito santo e em plena convicção (I Ts 1.5). Ainda, estava certo de que sua postura com os irmãos daquela cidade havia sido santa, justa e irrepreensível (2.10).

Os motivos que lhe garantiam tanta segurança, mesmo os que se restringem apenas ao seu texto aos tessalonicenses, são numerosos o suficiente para não caberem aqui. Um exemplo simples, é o fato de ele (juntamente com seus companheiros na ocasião, Silvano e Timóteo) ter trabalhado com dedicação e sem outras pretensões que não o ganho espiritual de seus discípulos: trabalharam muito para se sustentarem com o próprio salário e não gerarem custos aos irmãos, ainda que podendo fazê-lo (2.6, 9).

Devemos seguir o exemplo de Paulo e buscarmos o que precisamos para trabalhar seguros para o Senhor. Oração, leitura da Palavra, jejum, direcionamento, um coração puro e livre de segundas intenções.

"O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará"
I Tessalonicenses 5.23-24