quinta-feira, 30 de junho de 2011

Andando na luz - plenitude na transparência

Mensagem ministrada na Missão Get PL em 29/06/2011

Introdução

A carta de I João foi escrita a mais de um destinatário. Possivelmente, o autor visava algumas igrejas na região de Éfeso e talvez também ao território abrangido pelas sete igrejas da Ásia, que recebem as profecias do Apocalipse.

O autor é João, o discípulo amado, apóstolo, também autor do Apocalipse, das outras duas cartas que levam seu nome como também o quarto evangelho. João era um jovem quando fora chamado por Jesus a caminhar com ele. Tinha em torno de 24 anos, provavelmente, e era um pescador que matinha possível sociedade com Pedro e Tiago.

João foi o único discípulo que morreu de morte natural, tendo escrito toda a sua obra já em idade avançada, com uma pequena possibilidade de apenas o evangelho ter sido escrito um pouco mais cedo.

O objetivo do apóstolo com sua carta encontra maior coerência com a seguinte explicação: João postula parâmetros para se comprovar se temos ou não Cristo em nós e, consequentemente, a vida eterna. Para ele, esses parâmetros são:

1 – a obediência aos mandamentos de Deus – 3.6-9

2 – a prática da justiça e do amor – 3.10-18

3 – uma compreensão correta acerca da pessoa e natureza de Cristo – 4.1-6; 5.1, 12-13.

João começa sua carta com uma espécie de síntese da mensagem do Evangelho, dizendo que essa é que Deus é luz, e nele não há treva nenhuma (1.5). A partir daí, João fala sobre nossa postura cristã, pregando a consciência de que Deus é luz e devemos andar nele, andar na luz, assumindo nossa condição de pecador, porém sem vivermos na prática do pecado.

Texto: I João 1.5-10

Deus é luz e, ao andamos na luz reconhecemos nossa carência da graça, temos comunhão uns com os outros e o perdão dos nossos pecados acidentais.

Com a reflexão deste texto, a proposta para nós é que vivamos uma vida cristã clara, aberta, para desfrutarmos plenamente da comunhão com os irmãos e com Deus.

No texto de 1.5-10, podemos ver sistematicamente esse seu ensino. João nos dá 5 instruções a respeito da nossa conduta cristã:

1 – Se queremos andar com Deus e se dizemos fazê-lo, não podemos ter áreas escuras na nossa vida – vs. 5-6.

A onisciência de Deus nos impede de querermos manter segredos dele. E sua bondade e graça nos compelem a confessarmos nossos pecados.

Não podemos dizer que andamos com Deus e está tudo bem, se mantemos uma vida secreta. Se escondemos práticas da nossa esposa, pais ou filhos ou mesmo igreja. Se carregamos pecados há tanto tempo que já chegamos a duvidar se eles são mesmo um problema.

Não podemos dizer que andamos na luz se nossos negócios são corruptos, se práticas antes condenadas agora foram resgatadas na nossa vida.

2 – Devemos andar na luz para termos comunhão verdadeira com os irmãos – vs. 7.

Comunhão, nós temos com os irmãos. Relacionamentos, temos com qualquer um. Coleguismo, com qualquer um. Comunhão verdadeira nos leva à confissão de pecados, apoio incondicional, exercício de compaixão, humildade e abnegação.

Tudo isso junto, só temos com irmãos em Cristo e somente se andarmos na luz.

3 – Devemos andar na luz para termos nossos deslizes perdoados – vs. 7.

Deus só perdoa pecados de quem não tem segredos. “SE andarmos na luz (...) o sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo pecado”.

4 – Não devemos nos considerar livres de pecado, ainda que tenhamos vencido nossas maiores dificuldades – vs. 8

Podemos ser ex-drogados e não usarmos mais drogas. Ex alcoólatras e não bebermos mais. Podemos ter abandonado a violência, a agressividade, a prostituição, a pornografia, a imoralidade, a falta de ética, a desonestidade, etc. Mas ainda assim, pecamos diariamente e não podemos negligenciar essa verdade.

5 – devemos reconhecer os pecados que cometemos e os confessarmos. Se estivermos na luz, o Senhor nos perdoará.

Se andamos na luz, reconhecemos nossa condição de pecadores e carentes da graça de Deus e assumirmos tudo isso em oração sincera, nossos pecados serão perdoados e Jesus nos purificará de toda injustiça/iniquidade. E podemos começar de novo, do zero, nossa comunhão com Deus, e fazermos do nosso relacionamento com ele pleno e verdadeiro.

Conclusão

O verso 2.1 diz que estas coisas nos foram escritas para que não pecássemos. O próximo verso nos diz que, se pecarmos, temos a Cristo como Advogado, que pagou pelos pecados e nos perdoa.

O fechamento desta carta do Apóstolo João (5.14-15), diz que a confiança que temos em Cristo é a de que se pedirmos algo em conformidade com sua vontade seremos atendidos. Antes disso, porém, devemos retornar aos tópicos que motivaram o autor a escrever tal carta: estamos aprovados quanto à obediência a Deus, à prática do amor e da justiça, e da compreensão e reconhecimento correto da pessoa e da natureza de Cristo, que implica no reconhecimento de seu potencial transformador na nossa vida? Estamos andando na luz, como ele na luz está?

Confessemos nossos pecados, mesmo e principalmente aqueles mais latentes e ocultos. Contemos com sua graça. Comecemos uma nova etapa da caminhada cristã; sem segredos ou pesares; sem dores constantes na consciência, com uma única e perdoada face; sem máscaras.

A plenitude da nossa vida cristã só será vivida por cada um de nós se estivermos na luz. Assim, teremos comunhão, perdão e intimidade com Deus.

domingo, 26 de junho de 2011

Quebrando as barreiras da nossa devoção

Começarei a postar aqui no blog ao menos a maioria das mensagens que ministro. Segue a primeira delas, ministrada em 26/06/2011, no culto Manhã com Deus, na Getsêmani Sede.

Introdução

Deus nos conhece muito bem; melhor até do que nós mesmos o fazemos. Ele sabe sem o mínimo esforço de todas as nossas fraquezas e potencialidades. E essas são de seu interesse: Deus nos motiva a desenvolvermos nosso potencial e nos auxilia para rompermos com as nossas dificuldades.

Às vezes, vemos o Senhor tocando em feridas ou problemas para os quais nem damos importância, mas que ele sabe que devem ser tocados. O salmista do Salmo 139 sabia disso e pediu ao Senhor que o sondasse para, porventura, achar algum caminho mal. Com isso, ele reconhece que não é capaz de se conhecer suficientemente, mas Deus o é.

Deus, em determinados momentos, separa um tempo ou uma ocasião para tratar áreas específicas da nossa vida. Pode ser em um culto no qual a mensagem parece falar somente conosco. Pode ser através da nossa leitura bíblica normal, quando sentimos que Deus falou ao nosso coração de forma diferente e profunda.

Após ressuscitar, vemos Jesus ter um desses preciosos momentos com Pedro, o apóstolo. Pedro foi um homem inegável e irreversivelmente marcado pelo Evangelho de Cristo. A duras penas, mas é um fato que Jesus o marcou.

Muitos pensamos que Pedro poderia ser o mais precipitado dos discípulos, o que sempre tomava a frente e vivia perdendo uma boa oportunidade de ficar calado. Mas devemos atentar para o fato de Pedro ter sido o líder da igreja primitiva, como Jesus o designara (Mt 16). Pedro morreu em 67 d.C. e todos os evangelhos foram escritos muito próximos desta data ou após ela. Com isso, entende-se que os escritores evangelistas tinham Pedro como um referencial para o seu tempo, o que certamente lhes ajudou a darem um destaque maior a ele em suas narrativas.

Um dos episódios narrados sobre Pedro é o de João 21, no qual Jesus aparece ressuscitado aos seus discípulos e tem uma conversa marcante com Pedro. A partir dessa conversa, Jesus marca a vida e ministério de Pedro definitivamente. A partir daquele momento, Pedro romperia limites que poderia imaginar não ser capaz de fazê-lo.

Texto: João 21.1-9

Entenderemos através deste texto como Deus se preocupa conosco, cuidando para que sejamos aptos a experimentar sua boa vontade para nós. Assim, com a experiência de Pedro, entenderemos que Deus enxerga e cuida das nossas fraquezas e dores, levando-nos a estar mais próximos dele.

Com a reflexão deste texto, proponho que sejamos sinceros com Deus a respeito do nosso sentimento e devoção a ele, e seu cuidado nos levará além das nossas limitações.

Com a experiência do apóstolo Pedro naquele momento, veremos 4 atitudes de Jesus que comprovam seu interesse na nossa sinceridade para que possamos romper os limites da nossa devoção a ele.

1 – Jesus dá o primeiro passo para que tenhamos experiências com ele: vs. 1-14.

O primeiro dos passos de Jesus para nos relacionarmos com ele foi sua entrega na cruz e o envio do Espírito Santo. Além disso, por sua graça, vemos Jesus nos proporcionando situações para nos aproximarmos dele no nosso próprio dia-a-dia e corremos o risco de sermos insensíveis a elas.

O Espírito Santo pode falar diretamente ao nosso coração, chamando-nos à oração. Uma situação difícil pode persistir por muito tempo, até que nos dediquemos à oração e nos entreguemos mais a Deus, para assim vermos o Senhor agir. Muitas situações difíceis podem ser simples ocasiões criadas por Deus quando estamos distantes dele.

2 – Jesus está interessado no que se passa no nosso coração: vs. 15.

No encontro de Jesus com Pedro, Jesus foi quem começou a conversa e sua pergunta foi sobre o que Pedro sentia a seu respeito. Certamente o Senhor não queria ouvir de Pedro respostas precipitadas ou automáticas. Ele não queria mais uma declaração repetida. Mas estava interessado no que estava verdadeiramente no coração de Pedro.

Qualquer devoção não baseada na sinceridade é pura religiosidade e perda de tempo. Se cremos num Deus pessoal, devemos nos relacionar com ele como tal. Jesus quer ouvir nosso riso e choro, alegria e tristeza, nossos motivos de raiva e de paz, ele nos quer como somos!

3 – Jesus valoriza a nossa sinceridade: vs. 15-17.

Nossa tradução bíblica do grego para o português perde um pouco neste texto. Quando Jesus pergunta pela primeira e pela segunda vez se Pedro o amava, o verbo usado é ágapas, que vem de ágape, significando o maior tipo de amor que se poderia ter por alguém. Em outras palavras, Jesus pergunta se Pedro o ama a ponto de fazer qualquer coisa, inclusive se sacrificar por Ele.

Também nas duas primeiras vezes, Pedro responde com outra palavra: fileo. Este tipo de amor, não menos autêntico que o ágape, equivale ao amor fraternal que temos uns pelos outros, que os pais tem pelos filhos e os irmãos teem entre si. É um sentimento forte e verdadeiro, mas não chega à profundidade do ágape.

Na terceira e última vez que Jesus se dirige a Pedro, ele muda o verbo de ágapas para fileis, como que confirmando que entendera o que Pedro vinha lhe declarando. Pedro, entristecido, confirma outra vez a qualidade de seus sentimentos, reconhecendo sua limitação. A resposta de Jesus é surpreendentemente constante: cuide das minhas ovelhas.

Desde a primeira vez que pergunta, Jesus mantém uma única reação às respostas de Pedro: diante da sinceridade dele, de não assumir algo do qual não se julgava capaz de sentir/fazer, Jesus lhe confia seu mais precioso tesouro: o cuidado das suas ovelhas, da sua igreja.

Não adianta querermos construir uma aparência diante de Jesus. Ele nos conhece por inteiro. E isso não tem valor para ele. A sincera confissão lhe é valiosa. Assim como ele recebeu com graça e compreensão a sinceridade de Pedro, ele espera receber a nossa.

4 – Jesus derruba a barreira da nossa dificuldade ao se deparar com a nossa pureza e sinceridade – vs. 18-19.

Devemos lembrar-nos que este Pedro que conversava com Jesus era o mesmo Pedro que o havia negado 3 vezes. E é também o mesmo Pedro que, em Lucas 5, recebeu a mesma ordem de Jesus de lançar as redes ao mar e o fez, mas com ressalvas.

Jesus sabia o que fazia naquele momento com Pedro. Ele deu a Pedro a oportunidade de obedecer à sua palavra sem pestanejar, e Pedro assim o fez. Aquele que o havia negado três vezes, agora reconhece três vezes que ama ao seu Senhor, e recebe uma incumbência da parte dele.

Finalmente, Jesus joga totalmente por terra o que poderia estar prendendo Pedro na sua vida cristã: o medo de nunca entregar-se totalmente a Cristo, sacrificialmente, como o ágape exigia. Há pouco, precipitadamente Pedro dissera que iria com Jesus até o fim, que qualquer situação seria por ele encarada junto de seu Senhor, e o negou. Questionado sobre a profundidade de sua devoção, agora, ele não ousa arriscar de novo: possivelmente se vira incapaz de entregar-se totalmente. Então, Jesus diz no verso 18:

“Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. (João 21:18, ARC)”

Jesus dizia a Pedro: ainda que você pense que nunca se entregaria totalmente por mim, eu vejo e lhe garanto que sua devoção, sua entrega é verdadeira e total. Não há mais limites nela, Jesus afirma.

Pedro morreu em 67 d.C. Sua pena de morte, por ser cristão, foi a cruz, assim como o seu Senhor. Achando-se indigno de morrer como o seu Mestre, Pedro pediu que sua cruz fosse posta de cabeça para baixo e teve seu pedido atendido.

Conclusão

Deus valoriza muito a nossa sinceridade. E aprendemos com o exemplo de Pedro que ele nos busca para estarmos com ele, se interessa pelas nossas preocupações, limitações e dificuldades, valoriza a nossa sinceridade e nos cura, rompendo os limites das nossas fraquezas.

Essa fraqueza na nossa vida pode ser um pecado persistente. Ou a falta de uma fé prática em Cristo. Pode ser o fato de não confiarmos em Jesus nas situações mais difíceis da nossa vida, buscando sempre outros recursos nos momentos de dificuldade e esperando sempre outro socorro que não o dele.

Abra seu coração a Deus. Confesse a ele suas dificuldades, entregue-lhe o que tem pesado o seu fardo. Ele terá um papo gostoso e revigorante contigo, vocês comerão um bom peixe ele te levará além, para onde ele quer que você o acompanhe.