segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Noctem II

E quando deu por si, o garoto já estava no meio da floresta escura e não sabia como sair dela. A copa das árvores tampava quase totalmente a luz da lua nova e o obrigava a procurar um lugar um pouco mais aberto para poder guiar-se melhor.

Tanto andou pela floresta que achou um lugar aberto, porém sem saída. Era um desfiladeiro alto, íngreme. Suas únicas opções eram voltar para a floresta ou esperar algumas horas ali. Decidiu esperar.

A opção pela paciência foi difícil de ser feita, pois a ansiedade por encontrar o caminho de volta e sair da floresta desconhecida era angustiante. Porém, optou por sentar-se ali numa pedra e esperar pela manhã.

Quando já estava se acostumando com a escuridão e a paciência já alimentava a esperança mais do que o medo alimentava a angústia, deu-se conta de que a lua que fazia parte daquela noite escura era a mais bela que já vira. Tanta beleza emanava do astro que a espera ficou prazerosa, a despeito do medo e da escuridão.

Ao amanhecer, o mais belo e animador nascer-do-sol pôde ser visto dali. A espera lhe permitiu mais uma dádiva. Tivesse dado lugar à ansiedade de voltar e não teria a bela lua nem a marcante alvorada.

Ao achar o caminho de volta guiado pela luz da manhã, percebeu que a lua havia deixado saudade. E a escuridão não mais lhe causou medo, pois aprendeu que a cativante luz que o guiava durante o dia também lhe embeleza a caminhada da noite logo ali depois da copa fechada, no lugar da paciente espera.

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