quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Projetos de Lei contra a Igreja (?)

Esta semana recebi um e-mail que circula por aí com a descrição de alguns projetos de lei que atingem diretamente os evangélicos. Este e-mail foi encaminhado, possivelmente, pelo gabinete de um candidato a deputado federal, que o assina. São 08 projetos de lei, ao todo, cuja relação encontra-se no final do texto.

O candidato se opõe a tais projetos e incentiva seus leitores a votarem nele para que lute contra a aprovação de tais leis. Li o e-mail calmamente e, infelizmente, não consigo concordar com a proposta. Transcrevi abaixo o resumo que se encontra no próprio corpo do e-mail que recebi e comentei cada uma das propostas. Veja a seguir, com um CTRL+C, CTRL+V do e-mail acrescido dos meus comentários.

Veja aqui abaixo ALGUMAS LEIS BRASILEIRAS, que, SE APROVADAS, impedirão a nossa ação a favor do Evangelho no Brasil:

· Será proibido fazer cultos ou evangelismo na rua. (Reforma Constitucional) – Questiono a validade da maioria dos cultos e evangelismos no formato em que são feitos, mas ainda assim não aprovo a lei.

· Cultos somente com portas fechadas. (Reforma Constitucional) – Acho uma lei inútil, sou contra sua aprovação. Se o problema for o barulho, este já é regulamentado pela lei do silêncio.

· As igrejas serão obrigadas a pagarem impostos sobre dízimos, ofertas e contribuições – Eu sou MUUUUITO a favor. Colocaria uma ressalva: seriam tributadas as igrejas que arrecadarem acima de determinado valor. Não consigo estimar o que seria um valor justo, mas certamente toda igreja que se aproximar de ser chamada de “mega-igreja” deveria ser tributada, na minha opinião. Isso reduziria a bagunça que é feita em muitas instituições - ou ao menos o lucro desonesto de muitos de seus líderes.

· Programas evangélicos na televisão terão apenas 01 (uma) hora por dia – Acho que sou contra, mas por causa de uma minoria. Se os programas evangélicos evangelizassem alguém, tudo estaria bem. Mas basta prestar atenção em 5 minutos de "pregação" destes programas que nota-se que o objetivo é outro. Nesta, fico em cima do muro. Talvez sua aprovação nos ensine uma boa lição.

· Pastor só poderá fazer programa de televisão, se tiver faculdade de 'jornalismo' – Não é que seria interessante? Mas sou contra.

· Será considerado crime pregar sobre espiritismo, feitiçaria e idolatria, e também veicular mensagem no rádio, televisão, jornais e internet, sobre essas práticas contrárias a Palavra de Deus – Aqui um problema nosso é tocado no fundo. Por que precisamos falar contra as outras práticas? Poderíamos perfeitamente pregar a respeito da Palavra de Deus, falar sobre a transformação de vida que Cristo é capaz de produzir no indivíduo. A mensagem da graça é irresistível. A mensagem apologética está mais para uma briga pela posse da verdade do que para pregação do Evangelho. Deixemos a apologética para o lado de dentro das nossas portas e para o meio acadêmico.

· Pastores que pregarem sobre dízimos e ofertas, dependendo do número de reclamações, serão presos – Se aprovada, no dia da aprovação eu vou assistir um culto da Universal.

· Pastores que forem presos por pregar sobre práticas condenadas pela Bíblia Sagrada (homossexualismo, idolatria e espiritismo), não terão direito a se defender por meio de ação judicial – Insisto, preguemos a favor da Bíblia, não contra o resto. Mas não ter direito de se defender é demais, eu acho. Sou contra.

· Igrejas que não realizarem casamento de homem com homem e mulher com mulher, estarão fazendo 'discriminação', poderão ser multadas e os pastores processados – Sou contra. Essa é uma das poucas situações aqui expostas que eu considero realmente um desrespeito aos evangélicos. Na maioria das outras, nós é que somos os desrespeitadores.

· Querem que o dia do 'Orgulho Gay' seja oficializado em todas as cidades brasileiras – Sou contra, mas acho inevitável.
· Reforma Constitucional – Mudanças no texto do Art. 5º. Da Constituição que garantem a liberdade de culto. Se provadas, fica proibido culto fora das igrejas (evangelismo de rua), cultos religiosos só com portas fechadas – Comentado acima.

Os Projetos de Leis das citações acima são estes:
Projeto de Lei nº 4.720/03
Projeto de Lei nº 3.331/04
Projeto de Lei nº 299/99
Projeto de Lei nº 6.398/05
Projeto de Lei nº 1.154/03
Projeto de Lei nº 952/03
Projeto de Lei nº 4.270/04
Projeto de Lei nº. 216/04

Apenas para este post não ficar ainda maior, tirei a descrição de cada projeto. Caso queira consulta-los na íntegra, o que recomendo, pode acessar o endereço: http://www.camara.gov.br/sileg/default.asp . Você poderá ver, inclusive, que a descrição apresentada pelo candidato é muito parcial. A lei que impede, por exemplo, de pregar contra idolatria, feitiçaria e etc., na verdade diz que é proibida a veiculação na mídia de conteúdo religiosamente preconceituoso. E nós não precisamos atacar a religião de outro para pregar o Evangelho. Precisamos pregar a Cristo.

É necessário re-significar (acho que a nova gramática mudou o jeito de escrever isso, mas eu ficaria em dúvida mesmo antes dela) o que entendemos por pregar o Evangelho. Se anunciarmos a Cristo, não seremos acusados de preconceito. A Bíblia diz que a igreja dos apóstolos caía na graça de todo o povo (At 2.47). Também diz em relação às características necessárias a um bom líder eclesiástico que este deve ter um bom testemunho dos que estão de fora. Vemos claramente que isso não acontece em muitos casos. Afinal, já chutamos a santa, outro dia quisemos queimar alcorões nos EUA... e a lista de absurdos que tiram a nossa graça dos de fora não acabaria tão cedo.

Enfim, precisamos pensar bem antes de acharmos que o governo está "perseguindo a igreja". Na verdade, muitos de nossos abusos, a ambição de muitos, a falta de caráter e de boa índole de tantos outros, aliados à falta de bom senso de vários, fazem com que estes projetos sejam apresentados e, de alguma forma, acabem por comprometer a igreja evangélica - dentre outras vertentes religiosas.

O candidato que veiculou a mensagem é o Marcel Alexandre, número 1533. Com o meu voto, infelizmente, ele não vai contar.