sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um problema legal

Uma erva daninha que há muito se fixou no nosso meio é o legalismo. Diria nas nossas igrejas, mas o legalismo está presente em tantos dos nossos ambientes e contextos, que prefiro generalizar. No caso das igrejas, porém, é onde o vejo com maior periculosidade.

O apóstolo Paulo alertou à Igreja de Colossos quanto a serem legalistas após receberem a Cristo:

“Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: Não manuseie, não prove, não toque?”
Cl 2.20-21 – Nova Versão Internacional

O Salmista expõe uma forte repreensão contra um comportamento possivelmente legalista:

“Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimento, mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem”
Sl 32.8-9 – Nova Versão Internacional

Ainda no Antigo Testamento, temos exemplos de pessoas que eram obedientes às Leis de Deus e não eram legalistas. Era o caso de Davi, que vendo a necessidade de seus homens, não hesitou em dar-lhes do pão da proposição (I Sm 21.1-6), não hesitou em dançar diante de todos para celebrar o Senhor, mesmo sendo o rei; e não era o caso de sua esposa, Mical, que achou inconveniente o rei se expor daquela forma perante o povo (2 Sm 6.1-14, 20-23). O caso do profeta Oséias, que se casou com uma prostituta, sob uma ordem de Deus, para mostrar ao povo como eles se relacionavam com o Senhor; o caso do profeta Ezequiel, que ousou declarar a visão que tivera do trono móvel de Deus, o que quebrava o dogma da presença exclusiva de Javé no templo (Ez 1). O próprio Senhor não é um Deus legalista.

Hoje, porém, muitos têm guiado sua fé e prática cristã dessa forma. Se recebem algo de Deus, é porque fizeram por merecer, e se passam por alguma dificuldade, é porque não se portaram como deveriam. Sempre caminhando pela lei da causa e do efeito, anulando a graça de Deus. Não se tem por “lei” que Deus nos aceita e abençoa sendo nós pecadores irremediáveis, pó, cinza, presos às corrupções deste mundo até à sua providência final. Muitos querem “conquistar as bênçãos e os milagres de Deus”. Nada disso se conquista. Cristo já conquistou para nós, e se dependermos de nossos méritos, jamais os teremos.

O legalismo é anti-cristão. Não é possível alguém ser legalista e estar de acordo com a Bíblia, pois foi “para a liberdade que Cristo nos chamou” (Gl 5.1). O legalismo traz culpa e torna-se o mal da religião, tão criticado por tantos filósofos, uma vez que jamais conseguiremos cumprir toda a Lei. O legalismo provoca a divisão, pois passamos a desprezar aquele que é “menos santo” ou que ainda não se entregou a Cristo, por acharmo-nos melhores do que esses.

Lembremo-nos de que quando pregamos para alguém “aceitar a Cristo”, estamos apelando para que ela aceite o sacrifício feito por Ele como suficiente para expiar os seus pecados, independente de suas obras (Ef 2.8-9) e de seus méritos. Por isso é difícil e duro aceitar a Cristo, pois, automaticamente, estamos dizendo que todos os nossos esforços para alcançar a Deus, que é plenamente santo, justo e bom, são vãos, e somente o sacrifício de Cristo nos basta.

Façamos jus à nossa fé, e busquemos a nossa santificação, cientes de que o mérito até de sermos santos é proveniente de seu sacrifício e do trabalho do Espírito que Ele nos deu.

Um comentário:

Dani Nogueira disse...

Eba!! Até que enfim desenterrou o blog amigo!! Hehehehe

Excelente texto \o/

O legalismo é uma praga que, como tal, entra aos poucos nas nossas igrejas, e corre o risco de tomar todo o lugar.

É difícil dissociar legalismo de obediência e sacrifício no início de nossa caminhada cristã, mas é esperado que após um certo tempo, abandonemos a infantilidade do legalismo e adotemos a postura madura e humilde de seguir a Cristo, seguindo as regras dEle, e não regras inventadas por homens, ou fruto de distorções da Bíblia.

O legalismo é, em si, falta de conhecimento e entendimento verdadeiro da palavra de Deus.

Bjos^^