quinta-feira, 19 de junho de 2008

Percipere

Há alguns anos atrás, decidi levar uma vida cristã séria. Não ser mais um que freqüenta uma missa ou culto nos finais de semana, mas levar uma vida exclusivamente cristã. Isso trazia muitas implicações, e eu tomei esta decisão conscientemente. Até então, via Deus como alguém distante, e passei a percebê-lo mais perto. Como alguém que tomava decisões a meu respeito e eu as seguia (ou não), e passei a ver seu respeito em relação às minhas decisões (considerações calvinistas a parte). Via Deus como alguém sempre chateado, pois nunca conseguia fazer o que ele queria; ficar sem pecar era impossível. Entendi que ele me aceita pecador como sou, e me chama à santificação ciente de minhas muitas falhas.

Comecei a minha devota caminhada cristã numa igreja evangélica, e passei a ver Deus nessa instituição: e errei feio. Não porque Deus não estava na instituição, mas porque ele não é a instituição. Dei à instituição um caráter mais sagrado do que lhe era devido. Não pensei que essa fosse apenas o ajuntamento de um bando de pecadores como eu. Via o líder como alguém mais santo, com uma característica um tanto o quanto mística em torno de si. Até que, depois de um bom tempo, convivi com alguns líderes, e vi que eles eram pessoas comuns, como eu. E depois, sendo ainda uma pessoa comum, o mesmo pecador arrependido e perdoado, imerecidamente aceito, me vi também como um líder. E estranho... Não me lembro de haver me tornado um super-homem.

Difícil foi essa percepção... Via Deus e a instituição como uma coisa só, e a situação ficou complicada quando tive que fazer essa separação. Deus é uma coisa, a instituição outra. Deus cuida dos membros da instituição, e essa é a respeito dele, mas são coisas distintas. E então, me vi num novo perigo: reconhecer um e outro, distingui-los, mas, no processo de separação, perder um deles. E como eu vivo na instituição, ela está sempre muito perto de mim e eu muito ativo nela, quem seria o maior candidato a perder o posto?

Então, começo o processo de resgate. Do resgate da essência, do resgate daquele que é a causa de tudo o quanto tenho vivido, mas que se perdeu no meio da minha vida. Precisei começar a resgatá-lo, pois a vida para ele confundiu-se com a vida nela – a instituição. Assim, passei a buscar o que estava perdido. Além de servir na igreja, quero servi-lo na igreja. Pois uma vez que me aproximo dele, percebo a importância da instituição, que é onde ele escolheu para estarmos e para ele nos edificar (At 20.32; Ef 4.11-16; 2 Tm 3.16,17; l Pe 2.1,2; 2 Pe 3.18).

A instituição tem suas muitas falhas, pois quem a faz é gente como eu. Entendo que se me frustro com a instituição, frustro-me comigo mesmo, pois sou eu quem a construo, de uma forma ou de outra. Então, junto a Deus, recomeço minha construção. Não há nada melhor do que servi-lo, e não há nada mais correto do que faze-lo junto àqueles que também o querem.

Graças a Deus.

P.S.: dedicado à Milene Castro, por jogar luz em tantas áreas ainda escuras para mim...

2 comentários:

Dani Nogueira disse...

Ei amigo,
séculos depois eu visito novamente o seu blog e encontro esse belíssimo texto.
Essa percepção é fundamental para nossa vida cristã.
Muitos se desviam do caminho porque se decepcionaram com a instituição,e daí resolveram abrir mão de Deus por uma falha na instituição.
Isso é uma triste realidade.
Mas também temos que tentar melhorar essa instituição, a começar de nós...
Bjs!!
Fica com Jesus=)

FeRnanda Lima disse...

Dificil distinguir a instituiçao do Deus qe seguimos. DA msma forma qe é dificil distinguir o nosso livre arbitrio dos caminhos qe Ele qer qe siguamos. Impossivel nao admitir qe ao menos inicialmente é dificil seguir assiduamente o caminho de Deus.. Inoqevocadamente há a certeza qe Ele recompensaráa!

to acompanhando teu blog.. adoreei
espero qe possa ver o meu tbm

beijoss