segunda-feira, 30 de abril de 2007

Eu e o capitali$mo

Meu maior sentimento em relação ao capitalismo é de tristeza. Uma tristeza de luto, de quem vê alguém/algo querido morrer sem que possa fazer nada para reverter a situação.
Penso que o capitalismo já envolveu nossa sociedade de tal forma que pensar em comunismo ou qualquer outra política do tipo é meio utópico, no mínimo para mim.
Se você quer empenhar sua vida para fazer que nossa situação mude, tem todo o meu incentivo, porém, não posso fazer o mesmo. Meus esforços visam outro foco.
Então, minha tristeza é por ver que tudo o que eu faço na sociedade, todo o fruto do meu trabalho, as pessoas que me pagam, as pessoas a quem eu pago, para quem eu trabalho, quem trabalha para mim, o dinheiro que recebo, as coisas que compro, que vendo, tudo isso são barras de ferro da cela que me prende. Gostaria de me empenhar em outras coisas, dedicar-me a aprender música e outras artes, coisas que certamente me dariam mais prazer. Mas... destes prazeres terei de me contentar apenas com doses homeopáticas.
De que outra forma nesse mundo eu terei uma vida confortável (não digo uma vida de luxo extremo, digo confortável) se não dedicar ao menos parte dela esforçando-me contra esse adversário desleal que rege a polis? Não há como existir na sociedade sem ceder para esse que a domina.
Nesse ponto então, fico em luto permanente. Querendo ou não, viverei debaixo deste jugo capitalista, até que um dia, quem sabe, a minha utopia a deixe de ser.
Quem sabe?