segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Deus e a condição humana segundo Pascal

"O Deus dos cristãos não consiste num Deus simplesmente autor das verdades geométricas e da ordem dos elementos; essa é a parte dos pagãos e dos epicuristas. Não consiste simplesmente num Deus que exerce a sua providência sobre a vida e sobre os bens dos homens, para dar uma feliz seqüência de anos aos que o adoram; essa é a porção dos judeus. Mas, o Deus de Abraão e de Jacó, o Deus dos cristãos, é um Deus de amor e de consolação: é um Deus que enche a alma e o coração de quem ele possui; é um Deus que lhes faz sentir interiormente a sua miséria e a sua misericórdia infinita, que se une ao fundo de sua alma; que a enche de humildade, de alegria, de confiança, de amor; que os torna incapazes de outro fim que não seja ele mesmo.
O Deus dos cristãos é um Deus que faz sentir à alma que ele é o seu único bem; que todo o seu repouso está nele; que não terá alegria senão em amá-lo; e que lhe faz ao mesmo tempo abominar os obstáculos que a retêm e a impedem de o amar com todas as suas forças. O amor-próprio e a concupiscência que a detêm lhe são insuportáveis. Esse Deus lhe faz sentir que ela tem esse fundo de amor-próprio e que só ele pode curá-la.
(Eis o que é conhecer Deus como cristão. Mas, para conhecê-lo dessa maneira, é preciso conhecer ao mesmo tempo a sua miséria, a sua indignidade, e a necessidade que se tem de um mediador para se aproximar de Deus e para se unir a ele. É preciso não separar esses conhecimentos porque, uma vez separados, são não só inúteis, mas nocivos.) O conhecimento de Deus sem o da nossa miséria faz o orgulho. O conhecimento da nossa miséria sem o de Jesus Cristo faz o desespero. Mas, o conhecimento de Jesus Cristo nos isenta não só do orgulho como do desespero, porque encontramos nele Deus, a nossa miséria e a via única de a reparar.
Podemos conhecer Deus sem conhecer as nossas misérias, ou as nossas misérias sem conhecer Deus; ou mesmo Deus e as nossas misérias, sem conhecer o meio de nos livrarmos das misérias que nos afligem. Mas, não podemos conhecer Jesus Cristo sem conhecer ao mesmo tempo Deus e as nossas misérias, assim como o remédio das nossas misérias; porque Jesus Cristo não é simplesmente Deus, mas um Deus reparador das nossas misérias.
Assim, todos os que procuram Deus fora de Jesus Cristo e que se detêm na natureza, ou não acham nenhuma luz que os satisfaça, ou chegam a formar para si um meio de conhecer Deus e de o servir sem mediador, e por isso caem ou no ateísmo ou no deísmo, que são duas coisas que a religião cristã detesta quase que igualmente.
É preciso, pois, tender unicamente a conhecer Jesus Cristo, uma vez que é só por ele que podemos pretender conhecer Deus de maneira que nos seja útil.
Ele é que é o verdadeiro Deus dos homens, isto é, dos miseráveis e dos pecadores. É o centro de tudo e o objeto de tudo: e quem não o conhece não conhece nada na ordem do mundo, nem em si mesmo. Com efeito, além de só conhecermos Deus por Jesus Cristo, só nos conhecemos a nós mesmos por Jesus Cristo. Sem Jesus Cristo, é preciso que o homem esteja no vício e na miséria; com Jesus Cristo, o homem fica isento de vício e de miséria. Nele estão toda a nossa virtude e toda a nossa felicidade; fora dele, só há vicio, miséria, erros, trevas, desespero, e só vemos obscuridade e confusão na natureza de Deus e em nossa própria natureza."
Blaise Pascal, filósofo francês - 19/06/1626 a 19/08/1662; extraído do livro "Pensamentos", que são vários textos de Pascal compilados pela sua irmã após sua morte prematura aos 39 anos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Aos meus amigos...

Talvez por eu ser um sujeito com um "quê" de carência, cuido muito de quem amo. Preocupo-me com meus amigos, com minha família, com as pessoas que tornam minha vida um pouco melhor.

Neste texto, quero fazer um apelo a você, meu amigo, com quem eu conto e a quem eu amo: Não morra!

Não falo da morte natural, pois, dessa não poderemos escapar um dia. Quero pedir-te que não caia no engano e na sedução do pecado. Seja esse pecado qual for: fuja dele! Não suportaria, de forma alguma, ver meus amigos se definhando em um abismo do qual eles não conseguiriam sair e eu também não seria capaz de tira-los.

Não caia no pecado da corrupção: o caminho mais fácil não é sempre o melhor.


Não caia no pecado do egoísmo: pode ser melhor correr sozinho no início da pista, mas lá na frente, cansado, você vai querer alguém ao seu lado.


Não caia no engano da fama: ela pede exclusividade e, quando essa passar, você continuará na sua dependência.


Esse eu peço encarecidamente: Não caia no pecado do sexo, da promiscuidade, do adultério, da fornicação, do homossexualismo; não caia... O sexo é maravilhoso e foi criado por Deus para nós, para termos prazer e nos procriarmos, mas na hora certa. Não quero vê-lo com a vida arrasada por uma gravidez inesperada, uma DST, por um relacionamento complicado, por um casamento sem futuro, etc. Não deixe o céu pelo sexo, não deixe!


Fuja do orgulho: fuja com todas as suas forças. A soberba afasta as pessoas de nós, e eu quero estar sempre perto de você.


Amo muito você, meu amigo. Não se deixe levar pelo mundo, apenas viva nele remando contra a maré.
Viva...

Inspirado no texto do Pr. Ricardo Gondim: 50 anos - carta aberta aos meus amigos.